segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Greve da Unifesp, luta e resistência contra a política de educação do Banco mundial

A Greve da Unifesp

 
O PCB foi parte integrante, ativa e construtora do processo de greve da Unifesp em 2010 e sente-se obrigado a fazer breves considerações avaliativas sobre o processo de lutas que aconteceu de maneira combativa e vitoriosa.

Em primeiro lugar, é necessário que se deixe bem claro a posição convicta da gestão "em luta!" do DCE-Unifesp, que o PCB apoia e participa, de que não se conquista nada pela via institucional e não se luta através da burocracia. Em contrapartida, acreditamos no materialismo, na contradição, na praxis e no poder popular, portanto, defendemos a mobilização estudantil e sua unidade programática com o movimento popular, social e sua solidariedade ativa com a classe trabalhadora.

A representatividade do Consu segue a divisão injusta de 70% para professores e 30% divididos entre estudantes e trabalhadores, a democracia interna é inexistente e as medidas privatizantes, excludentes e precarizadoras do Reuni do governo federal mostram que é claro que não há condições de atingir conquistas materiais para a comunidade acadêmica por essa via, afinal, as condições de enfrentamento são insuportáveis. A partir daí, vemos como essa proposta, defendida em muitos momentos por militantes do PSDB envolvidos na dissolução do processo de lutas, está sustentada numa falácia e só serve aos interesses da reitoria e do governo, logo, interessa à burguesia.

É nesse sentido, que defendemos a forma de luta adotada em Guarulhos e Santos, a greve conseguiu avanços políticos jamais conquistados antes, pressionou a reitoria com legitimidade e em condições de igualdade, deu um salto qualitativo no que se refere a problemas organizacionais do movimento e trouxe maior amplitude às visões políticas dos estudantes em luta, além de conquistar avanços no que se refere à instâncias de debate e negociação com a burocracia.

A greve em Santos teve unidade estudantil, apoio docente e assim teve maiores conquistas, no entanto, não tudo que se almejava, mesmo assim, o movimento avançou e deliberou tranquilamente a volta às aulas depois de um processo de lutas importantíssimo. O DCE, por questões físicas e materiais não conseguiu, embora fosse o seu desejo, acompanhar mais de perto as contradições internas do movimento em Santos, contribuindo para resolvê-las e para avançar nas conquistas. No entanto, temos a certeza de que a colaboração mútua entre o ME organizado em Santos e o DCE é imprescindível, já existe e terá vida longa.

A greve em Guarulhos também negociou com o reitor no Campus Guarulhos - demonstração do avanço organizacional e de legitimidade do movimento - e numa reunião de 5 horas conquistou pouca coisa materialmente, mas saltou qualitativamente em vários aspectos. É necessário, entretanto, que se aponte alguns problemas surgidos.

Primeiramente, considere-se que após a deliberação da paralisação, formou-se um comando de greve, como fórum articulador das ações e deliberações do movimento grevista em Guarulhos, o que caracteriza maturidade política e organizacional, a partir daí diversas ações internas, como palestras e aulas públicas ministradas dentro da universidade paralisada, e externas, como os atos em frente à reitoria e a organização do Ato das universidades em luta, que agregou estudantes da PUC, Unicamp, USP, Unifesp, Fundação Santo André e Mackenzie, foram organizadas e empreendidas com sucessso, pressionando a burocracia e demonstrando força do movimento estudantil. Organizações de esquerda também ajudaram a construir o movimento, entre eles o PCB, PCO, MNN, MEPR, PCR e outros.

O PCB considera que o centro acadêmico de história teve importante papel na construção da greve e compartilha de diversas opiniões e alinhamento político dessa entidade, por isso os chama de companheiros, no entanto, discorda firmemente da posição adotada por eles nas duas últimas assembleias ocorridos no período da paralisação, a de finalizar a paralisação se convocar uma segunda rodada de negociações com a reitoria, a nosso ver, isso apenas fortaleceu a reação interna. Ao invés de contribuir para sanar a contradição conciliável que surgiu frente ao comando de greve, permitiu que sua proposta, lançada pelo próprio CAHIS, fosse deliberada e assim, a greve fosse finalizada.

Consideramos que esse processo de lutas teve inestimável valor para a experiência, criatividade, organização, política e ideologia dos estudantes. Esse processo de lutas mostrou que a análise concreta da realidade concreta faz com que percebamos a existência de contradições, que podem se dividir em antagônicas e conciliáveis e que o manejo com cada uma delas deve ser diferenciado; mostrou que os desmando da reitoria não serão tolerados passivamente e que os estudantes armados de ideologia e organização podem atingir seus objetivos e conquistar aquilo que almejam, não aceitando a castração ditatorial da reitoria e, assim, dando o exemplo à classe trabalhadora, mostrando esta que a conquista do socialismo está intrínseca à luta pela universidade popular.

A perspectiva do movimento estudantil na Unifesp agora é a construção do II Forum Estudantil da Unifesp, única ferramenta capaz de unificar um programa e formas de ação e luta para os estudantes, o que impedirá que a inércia e a passividade do movimento estudantil em 2009 se repitam; A construção da calourada também é importantíssima para agregar novos estudantes às lutas e mobilizações e o congresso do DCE que irá revitalizar a organização do movimento estudantil.

A nossa palavra de ordem agora é unidade programática já !

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Grécia: Mobilização maciça na greve geral de 15 de Dezembro

por KKE

No dia 15 de Dezembro verificou-se a 14ª greve geral no espaço de um ano (desde 17/Dez/2009) contra as bárbaras medidas anti-povo do governo social-democrata, com o apoio da UE e do FMI.

A mobilização nesta greve de 24 horas, convocada pela Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), abrangeu todas as esferas da vida económica e social do país: Produção suspensa nas fábricas, transportes públicos parados, aeroportos e portos que cessaram de funcionar, escolas e universidades fechadas e hospitais a trabalharem só nas emergências.

Milhares de comunistas, membros do KKE e da KNE, juntamente com outros militantes, estavam na linhas de piquete desde o amanhecer de 15 de Dezembro a defenderem a greve nos portões das fábricas, nas rampas dos navios e em todo o local de trabalho onde fosse necessário.

Em 15/Dez o PAME organizou manifestações em 63 cidades, nas quais participou a grande maioria dos trabalhadores grevistas, mostrando deste modo que cada vez mais trabalhadores estão a virar as costas às lideranças sindicais comprometidas das federações no sector público e privado (GSEE e ADEDY), as quais participaram tanto abertamente como em segredo nos diálogos sociais que decidiram estas medidas selvagens contra ostrabalhadores.

Os auto-empregados e os agricultores pobres e médios manifestaram-se junto com os trabalhadores e empregados, enquanto era evidente por toda a parte a maciça participação da juventude (estudantes e trabalhadores) nas mobilizações da greve.

Nas vésperas da greve nacional

Deve-se notar que nas vésperas da greve a maioria governamental aprovou no Parlamento legislação que aboliu acordos de negociação colectiva, cortou salários, aumentou a tributação indirecta para os estratos populares e reduziu a tributação sobre o grande capital.

Especificamente a legislação estabelece:

A redução geral de salários (de 10 a 25%) de trabalhadores nas antigas indústrias estatais e nas companhias de serviços públicos
Abolição de acordos de negociação colectiva a nível de indústria no sector privado e sua substituição por "acordos especiais a nível de companhia", sem quaisquer restrições e com cortes nos salários acima de 30 e 40%
Generalização de demissões, todas as formas de relações de trabalho flexíveis (emprego em tempo parcial, emprego por rotação, despedimentos colectivos temporários, etc), mudanças drásticas em turnos, férias, licenças, bónus ficarão ao arbítrio do patronato.
A redução de horas extras em 10%
O período de experiência para um novo empregado será aumentado de 2 meses para 12 meses, de modo a que os empregadores possam empregar trabalho barato através desta forma de "reciclagem"
O aviso prévio para demissão é reduzido a um mês
Alívio fiscal maciço para o capital
O KKE combateu no parlamento esta legislação anti-povo, ao mesmo tempo que os comunistas e as forças sindicais com orientação de classe que estão reunidas no PAME desempenharam um papel importante nas greves em uma série de sectores, os quais tem avançado desde o princípio da semana.

Na terça-feira 14/Dez, foi efectuada uma reunião entre a secretária-geral do CC do KK, Aleka Papariga, com o primeiro-ministro do país, G. Papandreu, a pedido deste último. "Não houve consenso com nada. Nossa avaliação é que a guerra real está a começar agora". Isto é uma posição clara e não negociável do KKE em relação às políticas do governo e dos seus aliados e também em relação às tentativas de promover um clima de consenso em relação ao extermínio do povo. Foi o que reiterou a secretária-geral do CC do Partido, nas declarações imediatamente após a reunião, a qual fora solicitada pelo primeiro-ministro para tratar das questões que serão discutidas na próxima cimeira da UE.

No comício em Atenas

Dezenas de milhares de trabalhadores e jovens participaram na manifestação de massa organizada pelo PAME na Praça Omonoia, no centro da cidade. Dali seguiu-se uma marcha maciça através das ruas de Atenas que passou pelo Parlamento na Praça da Constituição.

No entanto, os media internacional mais uma vez concentraram-se sobre os incidentes isolados dos mecanismo de provocação da polícia e não sobre as centenas de milhares de trabalhadores que se manifestaram em dúzias de cidades gregas.

Aleka Papariga, chefe da delegação do KKE que participou no comício central do PAME em Atenas e na marcha maciça que se seguiu, fez as seguintes declarações aos jornalistas: "Não ao consentimento. Não ao cessar fogo. Medidas secretas e oficiais foram programadas para serem executadas até 2014.

"Ou o povo será levado à bancarrota ou o sistema político, nós combateremos contra isso, lutaremos e finalmente os derrubaremos. Não há outra opção. Vinte anos atrás os trabalhadores podiam obter algumas vitórias através das suas lutas, mas hoje precisamos de mudança radical e só o povo pode produzi-la".

Pontos básicos do principal discurso do comício

O orador central do comício, Giorgios Perros, membro do secretariado do PAME, saudou em nome do PAME, PASEBE, PASY, MAS e OGE os milhares de trabalhadores, jovens, desempregados, empregados, auto-empregados, que hoje unem os seus punhos, a sua força, a sua luta conjunta e também a sua necessidade de reforçar a luta contra o inimigo comum – o governo, os monopólios, seus representantes políticos, a UE, os quais em conjunto de um modo unificado golpeiam a vida da nossa classe e que também arruínam os auto-empregados e liquidam os agricultores pobres.

E acrescentou: "A responsabilidade do movimento orientado de classe aumenta dia a dia. As grandes lutas, os conflitos duros com as transnacionais estão diante de nó. Nós nos prepararemos e cumpriremos.

Ninguém deve assentir e aceitar as novas medidas bárbaras que condenam a nós e aos nossos filhos à pobreza, desemprego, insegurança. Ninguém deve acreditar mais nas mentiras e na chantagem do governo PASOK e ND. O novo crime anti-trabalhadores que ataca salários e direitos trabalhistas não tem relação com o défice a dívida.

Eles condenam famílias da classe trabalhadora à pobreza de modo a que os grandes homens de negócios que ontem fizeram uma fortuna façam agora ainda mais lucros.

O comício e a greve de hoje são especialmente importantes. Eles não são apenas mais uma greve e manifestação.

Eles são especiais não só por causa da sua dimensão e militância
Eles são especiais não só porque exprimem a rejeição total e a condenação destas medidas bárbaras e opressivas do governo, da associação de industriais e da Troika. Nós o rejeitamos e devolvemos ao governo, ao primeiro-ministro, seus ministros, os deputados do governo e também os do ND e LAOS com as suas falsas e hipócritas lágrimas quanto aos tormentos dos trabalhadores. Eles não estão simplesmente a atacar direitos mas a salvaguardar e fortalecer a ditadura dos monopólios.
Eles são especiais, porque este comício, esta greve, pode tornar-se o ponto de partida para desenvolvimentos e mudanças no movimento trabalhista e sindical.
Apelamos a que concordem com uma linha unificada de luta:

1) Devemos resistir em toda fábrica e empresa contra contratos a nível de companhia ditados pelos empregadores

2) Devemos criar em toda fábrica e vizinhança um movimento de solidariedade

3) Assumamos hoje a responsabilidade para que a luta pelos sindicatos adquira um carácter de massa.

Apelamos a que concordem sobre uma questão crucial para o futuro do movimento e das lutas.

Fortalecimento do PAME por toda a parte:

Devemos mudar e reverter a correlação de forças
Isso tem de ser algo que preocupe todos nós
Devemos livrar o movimento sindical do veneno do governo e do sindicalismo a reboque do patronato.
Neste ponto do discurso Giorgios Perros sublinhou que:

É uma mentir que a redução drástica dos salários já inaceitáveis, o esmagamento dos nossos direitos trabalhistas, estejam a ser executados a fim de impedir demissões e tratar do desemprego. A verdade é que o desemprego aumentará e trabalhadores serão demitidos sob este regime de trabalho sem direitos e salários de fome. A crise capitalista, a competição capitalista e o fortalecimento dos monopólios dão origem ao desemprego e aumentam-no. Ninguém deve esperar um salvar de parte alguma.

A mensagem de desobediência e desafio não se restringe ao nosso país. Ela tem percorrido a Europa. Ela ajudou e contribuiu para a organização de lutas, para o contra-ataque contra as políticas anti-povo. De modo a que novas forças possam ser libertadas das engrenagens do governo e do sindicalismo ao serviço do patronato, dos partidos da plutocracia e da rua de mão única da UE.

Tem-se tornado cada vez mais claro que dois mundos estão a participar neste conflito, duas estratégias. Por um lado o mundo dos monopólios, com todos os seus sustentáculos, e por outro o mundo do trabalho, com os seus sindicatos, o movimento com orientação de classe, com solidariedade, com o espírito de auto-sacrifício que as luta de classe exige.

Não tenhamos ilusões. Naturalmente a política anti-povo não foi derrubada. Temos um grande benefício que é bastante significativo e devemos utilizá-lo. Está a ser formada uma corrente de forças que tem um melhor entendimento do que em qualquer outra época da espécie de movimento que é necessária, e que um movimento com as características que desejamos não se desenvolve sem obstáculos. A necessidade de uma confrontação em plena escala com o patronato e o sindicalismo pró-governamental e uma mudança no equilíbrio de forças é melhor compreendida. Assim como a necessidade de afastar os partidos da plutocracia, e aqueles que pretendem branquear as políticas da UE...

Não deve haver a ilusão de que uma greve seja suficiente para responder à destruição da vida da classe trabalhadora. A luta é difícil e exige muito esforços, sacrifício, paciência, boa preparação, planeamento, controle, actividade e trabalho de propaganda. Precisamos de forças bem preparadas e determinadas para impor rupturas na correlação de forças.

Nenhum compromisso ou recuo face às dificuldades, eles devem ser lidados e ultrapassados através da actividade.

Não basta condenar as políticas anti-povo. Os resultados das mobilizações e greves não podem ser julgados em um dia. As greves e manifestações continuarão depois de a legislação ser votada. Elas devem ser uma etapa de preparação para a classe trabalhadora, os auto-empregados, os agricultores pobres, efectuarem um contra-ataque em escala total.

Existem hoje as pré-condições objectivas para uma outra forma de organização da nossa sociedade a qual terá como característica básica a decisão dos trabalhadores e dos estratos populares para transformar a propriedade dos monopólios em propriedade social popular. Energia, telecomunicações, transportes, riqueza mineral, indústrias manufactureiras, a terra e outras ferramentas do desenvolvimento devem tornar-se propriedade do povo.

Isto deve ser desenvolvimento de um modo científico, através do planeamento central, levando em conta as necessidades das várias indústrias e regiões. O controle social dos trabalhadores será salvaguardado neste caminho de desenvolvimento e o nosso país deixará a UE e a NATO. Só então o povo viverá bem.

Não podemos dar um passo atrás. Não temos medo da plutocracia. Temos fé na classe trabalhadora. Estamos certos de que a classe trabalhadora marchará em frente a passos firme, fortalecerá o movimento com orientação de classe e libertar-se-á dos parasitas da plutocracia, dos seus representantes políticos e sindicais.

Mudanças radicais estão na ordem do dia. O poder nas mãos do povo e a organização da economia tendo como critério a satisfação das necessidades do povo. A violência dos monopólios deve e pode ser derrotada.

16/Dezembro/2010

O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/2010news/2010-12-16-strike

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Greve Geral de 24 de Novembro Histórica jornada dos Trabalhadores Portugueses

Os Editores de ODiário.info

A Greve Geral de 24 de Novembro de 2010 paralisou o país.

 
Mais de três milhões de trabalhadores participaram directamente nesta jornada. Pararam grandes empresas industriais. Pararam importantes empresas de serviços, com particular destaque para os 400 balcões encerrados da CGD. Pararam os transportes rodoviários, ferroviários, marítimos, aéreos. De mais de 500 voos previstos, não se realizou um único. Encerraram os portos marítimos e grande parte dos portos de pesca. Pararam tribunais, hospitais, escolas e faculdades, serviços municipais, centros de saúde, postos de correio. Em todo o lado onde há trabalhadores houve adesão a este extraordinário dia de luta.

O impacto desta Greve Geral vai muito para além daqueles que nela participaram directamente. A Greve Geral teve a solidariedade activa da população. Teve a solidariedade de muitos pequenos e médios comerciantes e industriais, manifestada expressamente, por exemplo, no encerramento de pequenas empresas por iniciativa dos seus proprietários.

Todo o mundo do trabalho, e em todo o país, participou: operários, empregados, trabalhadores intelectuais, artistas e outros trabalhadores da cultura, homens, mulheres, jovens. Os trabalhadores precários, alvo da mais violenta pressão e chantagem não cederam, como o mostra, por exemplo, a significativa adesão nas grandes superfícies comerciais e hipermercados. Muitos milhares de trabalhadores fizeram pela primeira vez greve nesta impressionante jornada de luta. Não esquecerão, certamente, este dia em que tomaram o seu lugar no longo combate pela emancipação do trabalho.

Em 24 de Novembro de 2010, os trabalhadores portugueses realizaram uma magnífica afirmação de dignidade, de coragem, de consciência dos seus direitos, de recusa de uma política que faz deles o alvo de todos os sacrifícios, de todas as injustiças, da exploração mais desenfreada.

Esta jornada é, em si, uma extraordinária vitória. Pela dimensão que alcançou, pela clareza do que quis afirmar, pela forma como isolou o grande patronato, a política dos PEC’s, os partidos que a apoiam e o presidente da República que os apadrinha.

O Governo Sócrates, como é habitual, reagiu mentindo, falsificando dados de adesão, repetindo que não há alternativa à política que leva a cabo. Nunca como neste dia ficou tão desmascarado perante a realidade.

A realidade esmagadora de um país parado por vontade dos seus trabalhadores. Os mesmos que, com uma outra política, farão o país sair do atoleiro em que a política de direita o vem colocando.

Os Editores de o diário.info saúdam fraternalmente os trabalhadores portugueses pela histórica Greve Geral de 24 de Novembro. Trata-se de um muito poderoso passo em frente, num percurso que só as forças do trabalho serão capazes de construir.

A luta continua.

Fonte: http://www.odiario.info/?p=1877

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

INTERSINDICAL REALIZA EXISTOSO ENCONTRO NACIONAL


A Intersindical – instrumento de organização e luta dos trabalhadores – realizou seu III Encontro Nacional nos dias 13, 14 e 15 de novembro, em Campinas. Participaram cerca de 500 delegados, de 20 estados, representando mais de 60 ramos de atividade. Durante três dias, os delegados ao III Encontro debateram a conjuntura nacional, a reorganização do movimento dos trabalhadores, o plano de ação para o próximo período e organização e fortalecimento da Intersindical.

As discussões do Encontro se dividiram em duas mesas gerais – conjuntura e reorganização -, a organização por ramos de atividade- que realizaram grupos de discussão específicos - e exposições sobre as questões de etnia, gênero, GLBTT e juventude trabalhadora. A Unidade Classista expôs sua posição política em todas as mesas. Fizeram pronunciamentos, também, a Alternativa Sindical Socialista, a Consulta Popular e a Resistência Popular. Os grupos de discussão dos ramos de atividade se dividiram em metalúrgicos, servidores públicos, químicos, urbanitários, construção civil, vestuário e calçados, vigilantes e trabalhadores em comunicação. Houve, ainda, reunião de professores com vistas ao congresso da CNTE.

O III Encontro aprovou uma resolução final, ressaltando a necessidade da unidade de ação entre todas as organizações do campo de oposição ao capital e ao governo. Tal unidade de ação é pressuposto para a futura unificação orgânica da classe trabalhadora. A Intersindical, como resolução do Encontro, propõe um dia nacional de luta, ainda no primeiro trimestre, para enfrentar os ataques contra os direitos dos trabalhadores e avançar em novas conquistas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MOÇÃO DE APOIO À GREVE DOS SERVENTUÁRIOS DA JUSTIÇA

A Intersindical – Instrumento de Luta e Organização do Proletariado - vem a público manifestar a sua mais irrestrita solidariedade e apoio à greve dos trabalhadores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

A Intersindical repudia de maneira firme a repressão organizada pela Presidência do Tribunal de Justiça, que vem negando o direito de greve e descumprindo uma decisão judicial transitada em julgado.

Os companheiros do Sind-Justiça estão em greve desde 19 de outubro, reivindicando a imediata implantação de reajuste salarial, desde 1987, além da liberdade e autonomia sindical.

O desrespeito ao direito se manifesta no corte das licenças sindicais, transferência de grevistas para cidades distantes dos seus locais de moradia e corte de ponto, com desconto de salário.

Os companheiros da Intersindical reunidos em seu III Encontro Nacional reforçam a importância dos companheiros do judiciário carioca se manterem firmes na luta até a vitória, sempre.

Reunidos em Campinas - SP, dias 13, 14 e 15 de novembro, 500 sindicalistas, representando 20 Estados.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SEGUIR AMPLIANDO A INTERSINDICAL

SEGUIR AMPLIANDO A INTERSINDICAL – UM INSTRUMENTO A SERVIÇO DE DESVELAR A LUTA DE CLASSES RUMO AO SOCIALISMO

Resolução do III Encontro Nacional da Intersindical

13, 14 e 15 de novembro de 2010

Campinas/ São Paulo

 
As centenas de trabalhadores e trabalhadoras reunidos no III Encontro Nacional da Intersindical realizado entre os dias 13 e 15 de novembro de 2010 na cidade de Campinas /SP, após intensos debates acerca da realidade que vivemos no Brasil e no mundo e dos desafios que temos a enfrentar como um dos instrumentos que contribuem para reorganização do movimento da classe trabalhadora define como prioridade para o próximo período:

Seguir com unidade e coerência entre nossa elaboração e ação: Isso significa dizer que é preciso ver a realidade de nossa classe para além das fronteiras das nações. O Capital para recuperar-se de mais uma de suas crises intensificou os ataques à classe trabalhadora: demissões, redução de direitos e salários, é a formula fundamental para que o Capital busque a recuperação de seus lucros.

O Estado age como uma das principais contratêndencias para o que o Capital se recupere. Fartos recursos públicos injetados nas indústrias e bancos que logo se transformarão numa conta que o Estado cobrará dos trabalhadores.

O exemplo disso está por toda Europa, os governos preparam pacotes que vão desde a redução drástica dos programas sociais até eliminação de direitos dos trabalhadores. As greves gerais na Grécia no inicio desse ano contra as medidas impostas pelo governo em reduzir direitos e salários, as intensas greves gerais na França contra o pacote do governo que começa por aumentar a idade para aposentadoria dos trabalhadores. É o Estado cumprindo seu compromisso com a classe economicamente dominante: garantir fartos recursos ao Capital e cobrar essa fatura exatamente daqueles que produzem o lucro para esse mesmo Capital: os trabalhadores.

Nossa classe reage em intensas e extensas lutas em mais uma demonstração que a luta de classes pulsa de maneira densa, ora escancarada como se vive na Europa, ora oculta como em outros espaços desse mundo.

No Brasil a aparência do: “nada nos atingirá”: Em 2008 o governo dizia que a crise não chegaria aqui, para logo depois proclamar que ao chegar seria apenas uma marolinha. Para além da retórica do presidente a realidade: demissões em massa, redução de salários e direitos em categorias e regiões do país onde vários sindicatos e suas respectivas centrais pelegas ao invés de organizar a luta, escolheram a parceria com os patrões.

Já no segundo semestre de 2009 e por todo ano de 2010 a impressão que se manifesta no Brasil é que as saídas do Capital para crise tiveram um efeito “ameno” contra os trabalhadores. Pura expressão, nada mais do que uma forma que tenta ocultar o conteúdo.

O Estado se endividou até as tampas para garantir investimentos públicos para salvar empresas e bancos, isentou e diminuiu impostos das grandes indústrias e assistiu “indignado” o mesmo Capital demitir, arrochar salários e reduzir direitos.

A dívida que o Estado na Europa tentar colocar na conta dos trabalhadores logo chegará ao Brasil. Reformas, arrocho, maior intensificação dos ritmos de trabalho são as propostas dos patrões com o apoio dos governos que nos esperam em 2011.



CONTRA ESSES ATAQUES SÓ A ORGANIZAÇÃO E A LUTA QUE ROMPE COM AS CERCAS E NOS COLOCA EM MOVIMENTO COMO CLASSE.

A Intersindical não sucumbiu ao pacto com os patrões e seus respectivos governos, nas saídas impostas pelo Capital. Mais do que dizer não a redução de direitos e salários, organizamos a luta a partir dos locais de trabalho. Em seguida em vários ramos a partir de greves e paralisações da produção conseguimos reajustes salariais superiores a períodos anteriores, como garantimos a manutenção e ampliação de direitos.

Mas é preciso avançar ainda mais. O processo de precarização das condições de trabalho se intensifica através das terceirizações, contratos temporários, intensificação e aumento dos ritmos e da jornada que têm aumentado o número de acidentes, doenças e mortes nos locais de trabalho.

O necessário salto de qualidade é ampliar nossa organização e ação que rompa com as cercas impostas que nos dividem entre categorias, formais e informais, efetivos e terceirizados, desempregados, trabalhadores da cidade e do campo, imigrantes, isso tudo tem como objetivo explorar ainda mais nossa força de trabalho e fragmentar nossa luta.

A Intersindical seguirá organizando a luta a partir dos locais onde o Capital e seu Estado atacam a classe trabalhadora: nos locais de trabalho, moradia e estudo e seguirá tendo a iniciativa de unidade de ação com todas as organizações que não sucumbiram ao pacto com os patrões e seus governos e estão dispostas a ampliar a luta por nenhum direito a menos a para avançar nas conquistas.

A cada passo de nossa organização e luta a tarefa de desvelar o que o Capital e seus instrumentos tentam ocultar: a luta de classes e a necessidade de superar a sociedade capitalista e construir uma sociedade socialista.

Como prioridade já para o primeiro trimestre de 2011 organizarmos mobilizações nos locais de trabalho que reúnam as diversas categorias como passo que rompa com o corporativismo imposto pelos patrões e governos. Além disso, tomaremos a iniciativa de propor juntos a outras organizações do movimento sindical e popular que estejam dispostas a lutar a organização de um DIA NACIONAL DE LUTAS, que dever ser o inicio do processo das intensas mobilizações que devemos organizar contra os ataques que irão se intensificar no próximo período.



COM A CLASSE E NÃO EM SEU NOME

No processo de reorganização do movimento sindical, a Intersindical não sucumbiu ao mais do mesmo, ou seja, conseguimos consolidar e ampliar esse instrumento nascido em 2006 agindo nas contradições reais de nossa classe.

Não nos pautamos pela analise mecânica e superficial que basta decretar uma nova central para que os problemas de fragmentação da classe trabalhadora estejam resolvidos. E ao não abrir mão de seguir construindo a Intersindical- Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, a ampliamos em diversos ramos e estados do país, pois o fizemos com a nossa classe e não apenas em seu nome.

Acreditamos que a criação de novos instrumentos que possam garantir unidade de organização e ação numa central sindical, serão frutos das ações que formos capazes de organizar a partir da base onde os trabalhadores vivem no dia a dia os ataques do capital e não a partir de decretos com data e hora pré-determinada em nome da classe, sem a classe.

A partir de nossa analise, do balanço, das ações organizativas e de luta que nos trouxeram até aqui o III Encontro Nacional decide seguir ampliando a Intersindical como um Instrumento de Organização e Luta que contribui de maneira determinante para o processo de reorganização que vivemos.

Intensificaremos a ampliação de nosso Instrumento de Organização, como ampliaremos nossas lutas nos locais de trabalho, estudo e moradia e seguiremos tendo as iniciativas necessárias de unidade de ação com as todas as demais organizações que estejam dispostas a de fato lutar.

POR NENHUM DIREITO A MENOS E PARA AVANÇAR NAS CONQUISTAS

PARA CONTRUIR A GREVE GERAL

PARA DERROTAR O CAPITAL

AQUI ESTÁ A INTERSINDICAL

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

INTERSINDICAL Instrumento de Luta dos Trabalhadores Brasileiros

O momento em que se realiza esse Encontro da Intersindical representa um ponto de retomada das lutas da classe trabalhadora em todo o mundo. Na Europa, a retomada das lutas surge como resposta aos projetos da burguesia de fazer com que as massas paguem o preço da crise pela imposição de um conjunto de contra-reformas. Para sanar a crise do capital, os governo da União Européia, inclusive aqueles que nominalmente se dizem socialistas ou social-democratas (caso da Espanha e Grécia), apresentam como saída um profundo corte nos gastos públicos, cujos impactos se farão sentir na demissão de funcionários públicos e em uma nova reforma de previdência social que dificultará ainda mais o acesso à aposentadoria. É em reação a tais planos de ajuste que os trabalhadores europeus, especialmente os da França e Grécia, têm protagonizado grandes lutas de massa, realizando em curto período de tempo várias greves gerais.

É importante considerarmos que a magnitude dos ataques contra os trabalhadores pode representar o começo do fim das ilusões com a social-democracia e com a construção de um Estado de bem-estar social. Esse movimento poderá abrir uma nova conjuntura mundial onde os trabalhadores, em reação aos ataques sofridos, adquiram um protagonismo capaz de oferecer saídas alternativas a ordem capitalista. Em outras palavras, dentro da impossibilidade do capital superar a crise sem retirar direitos, podemos estar assistindo o aparecimento de uma retomada das lutas operárias de orientação anticapitalista.

Mas os ataques do capital não se resumem apenas ao âmbito da esfera econômica e na retirada de direitos dos trabalhadores. A crise também aumenta a agressividade do capitalismo, que tendo à frente o imperialismo norte-americano, acena com a possibilidade de novas guerras como forma de manter a produção aquecida e, assim, superar a crise. Tais fatos demonstram que o capitalismo a cada dia se torna uma ameaça à existência da espécie humana, precisando ser urgentemente derrotado para não sucumbirmos num aumento ainda maior da barbárie e de uma crise de dimensões ainda maiores.

No Brasil, a crise econômica não atingiu o mesmo nível das economias centrais. Nem por isso os ataques aos trabalhadores foram menores. As demissões, a rotatividade da força de trabalho como forma de reduzir salários e direitos, as terceirizações e as mudanças na legislação trabalhista continuam se aprofundando, com os argumentos oportunistas de que são medidas “necessárias para fazer frente e defender a economia brasileira da crise internacional”. Isso deixa claro que para o capital, quem sempre deve pagar o preço de sua crise são os trabalhadores. Além das demissões, os efeitos da crise no Brasil foram sentidos pelos trabalhadores de outra forma, pela intensificação, para os que ficaram na produção, do ritmo de trabalho e no grau de exploração.

Enquanto o capital recebeu gordos benefícios por parte do Estado para não verem seus lucros diminuídos, aos trabalhadores restou amargar o desemprego, a intensificação da exploração e medidas paliativas como o aumento de parcelas do seguro desemprego. Isso mostra que tanto no Brasil como no mundo, a ação do Estado capitalista, no sentido de salvar o lucro das empresas, jogou por terra toda a cantilena neoliberal do Estado mínimo. Diante da crise o Estado foi máximo, agindo para salvar os interesses do capital.

A nova presidente eleita já demonstrou que aprofundará as medidas de ajuste fiscal e de medidas macroeconômicas de interesse do capital, podendo também aprofundar a já precária condição do trabalho em nosso país, dando continuidade ao ciclo de contra-reformas que poderão atingir a previdência social, os direitos trabalhistas e aprofundar ainda mais as precárias condições para a venda da força de trabalho.

Esse quadro de ataque aos nossos direitos previsto para o próximo período encontra o movimento sindical dividido e fragmentado. De um lado, o campo abertamente governista, formado por centrais sindicais pelegas e neopelegas (CUT, Força Sindical, UGT, CTB e NCST), cuja lealdade ao governo é garantida pela repartição que este faz com as centrais do dinheiro do imposto sindical. Estas centrais, durante a crise, foram cúmplices e participantes ativos dos ataques promovidos pelo capital contra os trabalhadores, ao assinarem acordos que rebaixavam direitos, como salários, em nome da manutenção dos empregos. De outro, há um campo antigovernista, (formado pela Intersindical, pela Conlutas, e por organizações sindicais ligadas ao Psol) herdeiro de uma concepção classista e combativa, que busca reorganizar o movimento da classe, mas que se encontra dividido e fragmentado.

Os trabalhadores brasileiros, em sua rica história de lutas, vivenciaram diversas experiências organizativas. Todas essas experiências refletiram o momento histórico vivido pela luta dos trabalhadores e o seu grau de organização. Tiveram o seu surgimento, existência e desaparecimento condicionados pela necessidade histórica de os trabalhadores construírem as suas organizações para enfrentar o capital, naquele estágio da luta de classes.

A superação dos limites organizativos impostos pelo Estado, com a circunscrição dos sindicatos à representação das respectivas categorias, sempre foi bandeira do movimento sindical em nosso país. A luta pela liberdade e autonomia sindicais sempre esteve presente na pauta da classe trabalhadora.

Do bojo da CUT surgem duas experiências organizativas dos trabalhadores no país: a Intersindical e a Conlutas. A Intersindical foi fundada pelos setores que romperam com a CUT no processo congressual dessa entidade no ano de 2006. A Intersindical surgiu como um instrumento de organização e luta dos trabalhadores. Participaram de sua fundação a Unidade Classista - PCB, a ASS e as correntes do PSOL que não faziam parte da Conlutas: a APS, o Enlace e o Csol. Mesmo sem organização em todos os estados, a Intersindical teve um papel relevante nas lutas do último período.

Em 2008, no II Encontro Nacional da Intersindical, em São Paulo, após um profundo debate sobre a oportunidade ou não de se criar a Central Sindical naquele momento, precipitou-se uma fissura nesse encontro, tendo como eixo norteador a continuidade da Intersindical ou a unificação com a Conlutas. As correntes do PSOL optaram pela estratégia de unificação com a Conlutas, o que redundou na convocatória para o Congresso de Santos, em 05 e 06 de junho deste ano. Por outro lado, os comunistas, a ASS e independentes optaram por reforçar a Intersindical como instrumento de organização e luta dos trabalhadores.

O Congresso de Santos, que teria como objetivo principal a unificação da Conlutas com as correntes do PSOL que reivindicam a Intersindical, terminou com a retirada dessas correntes, juntamente com Unidos pra Lutar e do Movimento Avançando Sindical. O fracasso da tentativa de unificação tem causas que transcendem o Congresso e evidenciam as contradições de concepção de central, da metodologia de sua construção e de condução do processo em si.

A UC contrapôs à concepção de central sindical e popular defendida pela Conlutas, a necessidade de uma organização que expresse a intervenção dos trabalhadores enquanto classe, tendo como mote a contradição capital-trabalho. Os movimentos contra a opressão – anti-racismo, gênero, diversidade sexual – devem ser entendidos pelo ponto de vista de classe. Essas questões são importantes, mas são dimensões da exploração e da opressão do capital sobre o trabalho. Sem essa compreensão, os movimentos contra a opressão se tornam movimentos de busca por melhores condições de participação na dinâmica do sistema capitalista.

Todas as experiências organizativas dos trabalhadores brasileiros refletiram uma necessidade colocada pelo grau de mobilização do movimento operário. Apesar de lutas significativas de diversos ramos e categorias, a mobilização da classe trabalhadora não possui ainda um caráter nacional. A necessária unidade de ação do conjunto da classe é uma tarefa para este momento. Para tal, a ação da central supera o puro e simples economicismo. Ultrapassa, também, as manifestações espontâneas dos trabalhadores. A ação econômica, sem politização, descamba no peleguismo e na adaptação do movimento operário ao jogo da concorrência capitalista. Ou seja, não bastam conquistas salariais e de melhores condições de trabalho. Também é importante superar o obreirismo, evitando a divisão entre setor público e privado, situação formal ou informal, lutas da cidade e do campo.

O patamar da luta de classes no Brasil coloca para os trabalhadores a necessidade da construção de uma Central Sindical Classista. O maior patrimônio do movimento operário é a sua unidade. Mas essa unidade não pode ser construída burocraticamente. Promover essa unidade de ação é responsabilidade dos setores que se reivindicam de vanguarda. Nós da UC estamos dispostos a participar de todas as discussões necessárias à construção da unidade de ação e do programa capazes de nortear o caminho para a efetiva criação da Central Sindical Classista, uma central autônoma frente ao governo e ao patronato, que tenha centro nas organizações sindicais da classe trabalhadora. A construção dessa central não pode ser fundada por mero ato de vontade. Sua concepção tem que ser debatida a fundo entre as organizações da classe e não pode se submeter apenas às disputas entre partidos e correntes. A Central surgirá como uma construção da luta dos trabalhadores em nosso país, juntamente com a sua vanguarda, organizada na unidade de ação.

Nesse sentido, fortalecimento da Intersindical - instrumento de organização e luta dos trabalhadores – passa pela firme determinação de ampliar a luta dos trabalhadores, contra o capital, desde a base, e com todas aquelas organizações sindicais classistas que, nesse difícil momento, lutam para resistir aos ataques do capital e para avançar nas conquistas. Para o fortalecimento da Intersindical, devemos buscar garantir a participação de todas as organizações que entendem a necessidade de construção de uma Central Sindical Classista surgida da ação e do debate entre as diversas forças representativas da classe trabalhadora, que se dedicam de fato à unidade e à organização da classe no enfrentamento ao capital e na perspectiva da construção da sociedade socialista em nosso país.

UNIDADE CLASSISTA/PCB

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sábado, 6 de novembro de 2010

Para defender os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras!

COMUNICADO

Através deste comunicado, a Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras comunica ao povo hondurenho em Resistência, às trabalhadoras e trabalhadores empregados, desempregados ou que se encontre em qualquer outra condição econômica e à comunidade internacional, o seguinte:

1. Denunciamos que o decreto aprovado pelo Partido Nacional, no início da noite no Congresso, é inconstitucional. Ele significa outra investida do regime de força de Porfirio Lobo, que dá continuidade às políticas de repressão iniciadas pelo golpe de Estado contra os trabalhadores e seus estatutos.

Denunciamos que, além de inconstitucional, este decreto é ilegal, pois rompe o estado de direito e promove a convulsão social. A agitação social ocorre devido à contínua violência contra as conquistas de todos os trabalhadores e trabalhadoras de Honduras, afetando direta e ilegalmente os direitos trabalhistas obtidos ao longo de décadas de luta.

2. A oligarquia nunca para de explorar os trabalhadores para manter seus privilégios, ainda que isto signifique o derramamento de sangue do povo. É evidente que continuam entregando nossos recursos naturais ao apoiarem isenções aos fast foods, às termoelétricas, aos bancos e aos poderosos meios de comunicação.

3. Declaramos que a luta do povo trabalhador, não importando sua condição de emprego, é uma luta da Frente Nacional de Resistência Popular. Tal luta, invoca o princípio estabelecido de que todos os direitos trabalhistas são irrenunciáveis. Sendo assim, é obrigação do Estado e nossa defendê-los.

4. Queremos deixar claro que a violação destes direitos não são fatos isolados. São consequências do golpe de estado que permanece com suas ações geradas a partir da classe dominante, através do FMI e da embaixada dos EUA, tendo como objetivo reduzir a massa salarial, para debilitar o setor social e desarticular as organizações sociais do povo.

É mentira a falta de recursos. Possuem recursos, pois isentam o setor privado. Possuem recursos, pois gastam em bombas para nos reprimir e com gastos militares para dar golpes de estado. Possuem recursos, pois são feitos depósitos em contas milionárias, em Miami, pertencentes a dirigentes, donos de meios de comunicação e meios de produção financeira, que somente os usam para defender Micheleti e aos militares que assassinaram a democracia.

5. Condenamos energicamente as manobras que objetivam enganar, mais uma vez, o setor magisterial e os trabalhadores. Também condenamos as covardes estratagemas urdidas para dividir a FNRP. A FNRP é a nossa organização, digna representante das lutas populares e verdadeiro guia do povo para a refundação da pátria e tomada do poder em Honduras.

6. Mais uma vez reiteramos nossa denúncia sobre a duplicidade do regime de Porfirio Lobo. Este regime viola, sistematicamente, os mais elementares direitos dos seres humanos e mente, descaradamente, para fazer crer ao mundo que o Estado de direito em Honduras é deixar impune os crimes e atirar ao povo os custos do fracasso do modelo econômico, com crimes contra a humanidade. Neste sentido, chamamos a atenção dos povos e governos do continente para que não sejam vítimas das falácias deste regime vergonhoso, gerado e sustentado com o sangue de tantas pessoas inocentes, cuja única falta é lutar contra a oligarquia, por uma sociedade mais justa e igualitária.

7. Conclamamos todos os membros da Frente Nacional de Resistência Popular a participarem ativamente de todas as ações convocadas pela FNRP, em apoio aos professores, aos trabalhadores camponeses e aos indígenas. É necessário estarmos conscientes de que enquanto não se restabelecer a ordem constituinte e as forças populares tomarem o poder do país, os problemas em Honduras não serão corrigidos. Portanto, permaneçam atentos às comunicações que serão feitas pelos meios já previstos.

O Partido Nacional que hoje governa representa a oligarquia!

Não existe pátria sem trabalhadores!

Resistimos e Venceremos

Tegucigalpa, 28 de outubro de 2010

José Manuel Zelaya

Coordinador

Juan Barahona

Sub Coordinador

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nota Unidade Classista: Solidariedade com os Servidores da Justiça do RJ

Nota de Solidariedade aos Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em greve desde o dia 19 de outubro

A Unidade Classista/PCB, que participa da organização da Intersindical, vem de público se solidarizar com os Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro e com os Coordenadores do Sind-Justiça, diante da truculência do Presidente do Tribunal de Justiça, que age contra o legítimo direito de greve e da livre organização e reivindicação dos servidores do Poder Judiciário.

Da mesma forma, o Governo Estadual de Sérgio Cabral (PMDB, PT e PCdoB), que tem tratado os serviços públicos e os Servidores do Estado com pancada, sacando armas, terceirizando e privatizando suas atividades, deixa clara sua política de criminalização dos movimentos sociais e de desrespeito, inclusive, do processo judicial transitado em julgado que dá, aos Servidores da Justiça, o direito ao reajuste de 24%.

Em represália à mobilização dos Trabalhadores do Tribunal de Justiça, a “Casa da Justiça”, que deveria ser a primeira defensora dos direitos assegurados na Constituição Federal, mostra sua real face: desrespeita o direito constitucional de greve, corta o ponto de servidores legitimamente em greve e cassa licenças sindicais, chegando a promover remoções arbitrárias, revogadas com a unidade e a determinação do conjunto da categoria em greve.

Diante da ofensiva de um Estado que se coloca nitidamente ao lado da burguesia, que criminaliza os movimentos sociais, sindicais e populares, só resta aos trabalhadores a luta, a organização e a mobilização. Mais do que nunca, são necessárias unidade e combatividade dos trabalhadores numa conjuntura internacional de acirramento da luta de classes, a exemplo dos trabalhadores da Europa que, em mobilização permanente, colocam-se em combate em defesa de seus direitos.

Lutar Não é Crime!

– Decisão judicial é para ser cumprida!

– Pelo imediato pagamento dos 24%, para todos os Servidores da Justiça!

– Pelo legítimo direito de greve dos trabalhadores!

– Toda Solidariedade aos Servidores da Justiça e ao conjunto da classe trabalhadora!

– Nenhum direito a menos!

– Avançar nas conquistas!

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2010

Unidade Classista/PCB, fortalecendo a Intersindical

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(21) 2509-2056

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sobre a Barbárie Imperialista, A Crise do Capital e a Luta dos Povos


III Encontro Civilização ou Barbárie

Comunicação de Miguel Urbano Rodrigues

Sobre a Barbárie Imperialista,

A Crise do Capital e a Luta dos Povos

Miguel Urbano Rodrigues

Camaradas e amigos

Nós, participantes neste Encontro, reunidos em Serpa, temos consciência de que o planeta Terra enfrenta uma crise global de civilização que pode ter como desfecho a extinção da Humanidade.

Contribuir para que se difunda a consciência dessa ameaça, inseparável do funcionamento de uma engrenagem monstruosa, é hoje uma tarefa revolucionária.

Difícil de assumir porque na vastidão do mundo as grandes maiorias ainda não se aperceberam de que a superação da actual crise passa pelo desaparecimento do capitalismo.

Na era da informação instantânea, a desinformação alastra. Como o capital controla o sistema mediático a nível quase planetário, a mentira é imposta como verdade aos povos. Nunca a alienação das massas foi tão cientificamente trabalhada por aqueles que as exploram. Uma contra-cultura alienante, exportada pelos EUA, contribui para a passividade das massas e um consumismo irracional, robotizante.

Uma mentira perigosa que diariamente percorre o mundo é a que projecta a imagem dos EUA como vencedores da mal chamada crise financeira.

Embora tecnicamente os EUA não estejam em recessão, é falso que se encaminhem para uma recuperação. Isso porque a crise neles iniciada é uma crise estrutural do capitalismo, simultaneamente económica, ambiental, militar, social, energética, cultural.

Aproximadamente 30 milhões de trabalhadores estão desempregados ou subempregados, mas os lucros das empresas aumentam ali prodigiosamente. O Washington Post, porta-voz do establishment, reconhecia em 30 de Julho, num artigo de Steve Pearlstein, que no mundo real as empresas existem para criar lucros para os accionistas e não empregos. Na mesma semana, o The New YorK Times sublinhava que a queda das vendas é acompanhada por um aumento dos lucros. Um exemplo: a Ford reduziu a metade a sua força de trabalho nos últimos cinco anos. Inicialmente perdeu 20 mil milhões de dólares. Mas este ano anuncia um lucro provável de 5 mil milhões de dólares. Fred Goldstein, do International Action Center, lembra-nos que os capitalistas instalam tecnologias concebidas para destruir empregos, porque a lógica do sistema exige que a produção seja reduzida para as empresas serem rentáveis.

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domingo, 24 de outubro de 2010

A Confederação Sindical Internacional (CSI) oculta seu rosto e seu objetivo

"Os funcionários do FMI"

Do dia 21 a 25 de junho de 2010 celebrou-se em Vancouver, no Canadá, o segundo Congresso da Confederação Sindical Internacional - CSI, com a participação de 692 delegados. Muitos se perguntarão:

Por que os dirigentes da CSI elegeram a cidade de Vancouver, que é provavelmente a cidade mais cara do mundo? Porque escolheram o Canadá, um país sem lutas sindicais e sem movimento sindical classista? Realmente queriam um congresso de burocratas, afastado dos trabalhadores? Estavam à procura de um congresso de trabalhadores ou de turismo sindical? Por que no mesmo dia, na mesma cidade, ao mesmo tempo, se reunia o G-20, a ferramenta capitalista dominante?

Que significa o tema central do congresso "Agora os povos?" Ou seja, agora é o povo para que se faça rico ou permaneça pobre? Agora os povos que pagam a crise ou agora os povos se beneficiaram com a crise? Os dirigentes da CSI escondem atrás de palavras vagas, generalidades. Qualquer um pode interpretar como quiser, como lhe convier, porque os dirigentes da CSI acreditam que já se pôs fim à ideologia. O que significa "justiça global"? NADA.

A partir de uma perspectiva social e classista, o que se entende por povo? Quando, por exemplo, falamos do povo alemão, a que nos referimos? A todos os alemães? Pobres, ricos, profissionais liberais, da classe média, sem-teto, trabalhadores, desempregados, etc. Ou seja, todos. Portanto, a generalização "agora os povos" não se refere a nada específico. Todos juntos, trabalhadores e capitalistas. É diferente quando se diz "Viva a luta do povo espanhol contra o FMI." Então, se deixa claro que se quer dizer. Em suma, a CSI novamente esconde seu rosto. Por quê?

A abertura oficial do Congresso foi feita pelo diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Strauss-Kahn, um algoz dos direitos trabalhistas na Argentina, Irlanda, Hungria, Romênia, Grécia e outros países. Com o diretor do FMI estava o primeiro-ministro social-democrata grego, nascido, criado e educado nos EUA, que tem aniquilado os direitos dos trabalhadores gregos e escravizou o seu país para os próximos 50 anos. Falou ainda o Sr. Pascal Lamy, diretor-geral da OMC e o conhecido ex-ministro da Dinamarca, o precursor da flexi-seguridade e agora presidente do “Fórum Mundial Reformista”. Todos eles fizeram seus monólogos, sem possibilidade de qualquer participante dar-lhes uma resposta. Isso é sua democracia ... o monólogo.

Por que não foram realizadas eleições para eleger os seus dirigentes? Quem decidiu de antemão? Onde as decisões foram tomadas? Que Ministérios de Negócios Estrangeiros resolveram todos esses assuntos? A indignação entre os participantes do congresso foi muito grande. Mais uma vez, ficou claro que a estratégia e a táctica da CSI são decididas pelos Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha e Israel. O resto estão para as fotos, para receber um salário ou para pedir um título, conforme solicitado pelo palestino para ser nomeado vice-presidente, como se prometeu após o Congresso a nomeação de um secretário-geral adjunto da COSATU, como mendiga um sindicalista do Nepal um posto, etc. Todos sabem, por certo, que posto se concederá agora ao ex-secretário geral da CSI-CIOSL? Seguirá os passos do ex-presidente da CISL, o Sr. Trotman, que agora é co-dirige a OIT? Que salários estão recebendo todos na OIT?

Qual foi o motivo para rejeitar o pedido da África do Sul de aprovar uma resolução em favor dos palestinos? Foi apenas uma repreensão para a África do Sul? NÃO. Quando a CSI apela à "convivência de palestinos e israelenses” estão sendo sofistas. É como pedir a Obama e a UE que vivam juntos em um estado ocupado pelo exército israelense, com fronteiras exclusivamente com Israel, economia hegemonicamente israelense e apenas 2 ou 3 cantões palestinos cercados por tropas israelenses. Estas são as posições da CSI e estes são os encargos de vice-presidente da CSI, o Sr. Ofer Eini, um importante dirigente em Israel. No entanto, a luta do povo palestino por seu próprio estado independente, com suas próprias fronteiras, sua própria economia e seu próprio governo. Por que rejeitaram uma resolução sobre o Sahara Ocidental?

As posições da CSI sobre as privatizações, a economia de mercado, as relações trabalhistas, a saúde, a educação e o papel das organizações internacionais são as mesmas posições do G20, da Comissão Européia e do FMI . Todos querem um capitalismo com rosto humano, mas o capitalismo é cruel e brutal pela sua natureza com a classe trabalhadora. A CSI considera as multinacionais e o capital seus parceiros para as mudanças sociais, refletindo o seu carácter e objetivos. As discussões sobre as decisões finais foram profundamente antidemocráticas. A democracia e as discussões substantivas primaram por sua ausência.

Tudo isso mostra que as teorias que durante anos venderam os dirigentes da CCOO na Espanha, da CGT francesa, da CUT no Brasil, da CGIL na Itália, e em todos os países escandinavos que promoveriam as "mudanças de dentro da CIOSL (CSI)" se mostrou uma retórica da hipocrisia. Não só não mudaram a CSI, mas eles mudaram e, agora, esses dirigentes são parceiros no sistema capitalista e os inimigos da classe trabalhadora nos seus próprios países. Essa é a verdade.

Alguns deles, para esconder as suas próprias responsabilidades, sugerem agora uma fusão da Federação Sindical Mundial (FSM) com a CSI. Essas pessoas não são sérias, e nem podem fazer uma análise teórica para ver que a FSM e a CSI são duas visões completamente opostas no movimento operário. A FSM luta contra o capitalismo e a CSI luta a favor. Então, por que unir-se? Aqueles que apóiam estas ideias ou não têm capacidade ideologicamente ou bem tentam esconder as suas próprias responsabilidades. Carecem de falta de análise marxista das classes sociais.

Conclusão: A CSI não é um organização sindical obreira. Se trata de um poderoso mecanismo do sistema capitalista internacional. Isto é o que demonstram as suas posições pró-capitalistas, a sua atuação, o seu anti-comunismo e o ódio que sente sua direção em relação a Cuba, Venezuela e o socialismo. Isso é demonstrado pelo papel anti-democrático desempenhado pela OIT.


Portanto, não há como ocultar. Exigimos que cada qual assuma seus atos e responsabilidades.

Quim Boix

Veterano sindicalista espanhol

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Em luta contra ataques à previdência, França à beira do colapso


França responde à sua tradição reivindicativa e são já nove as convocações de greve que enfrentou o Governo do presidente Sarkozy neste ano, como resposta a seus planos de ajuste e seu endurecimento do regulamento trabalhista.

A última, em andamento desde o passado 12 de outubro, contou com a adesão de multidão de setores e renova-se desde então a cada 24 horas sem data de caducidade estabelecida. Os estudantes também ocupam as ruas, e a cada vez se ouvem mais comentários que aventuram um novo Maio do 68. A falta de combustível em bombas de gasolina está contribuindo para a parálise do país. Estas são as chaves para entender uma greve complexa e maciça.

Desde quando está em marcha esta greve?

Desde o passado dia 12 de outubro, em que os sindicatos realizaram a sétima greve contra o Governo de Sarkozy neste ano. Nesse dia decorreu a manifestação mais multitudinária deste ano em França: 1.230.000 assistentes, segundo a polícia, mais de três milhões segundo os organizadores.

Até quando vai durar?

Dada seu peculiaridade de ser renovável a cada 24 horas, é difícil determinar isso. Por enquanto, é previsível que, no mínimo, as paralisações continuem até 19, data em que os sindicatos convocaram mobilizações que suporão a nona jornada de desempregos neste ano (e a quinta do outono).

Que reivindica a greve?

A retirada de um projeto de lei do Governo de Nicolas Sarkozy, que se debate atualmente no Senado e que pretende atrasar a idade legal de aposentação de 60 a 62 anos e a idade à qual deve se aposentar um trabalhador que não tenha pago o tempo necessário para cobrar a pensão inteira, de 65 a 67 anos.

A que setores afeta?

Por enquanto ao de transportes, às refinarias (setor de maior pressão), educação (os estudantes de secundário aderiram na semana passada) e caminhoneiros. A diferença das greves anteriores, esta é por setores e regiões, e renovável indefinidamente.

Que margem tem França até chegar a uma situação de desabasteciminto pelo desemprego das refinarias?

Segundo os sindicatos, as 12 refinarias do país estão em greve e têm problemas de fornecimento de crude. Dez delas planejam parar totalmente a produção. Há mais de mil bombas, das 13.000 com que conta em país, sem combustível, segundo anunciaram esta manhã as grandes distribuidoras de petróleo. O Governo deu luz verde às petroleiras para que usem as reservas que têm obrigação de manter por lei, que supõem entre 10 e 12 dias mais de abastecimento. Este período pode variar em função do consumo, que aumentou 50% na semana passada: muitos franceses, previsores, açambarcaram combustível. As reservas governamentais de petróleo, capazes de abastecer a França durante 90 dias, ainda não se esgotaram.

O premiê francês, François Fillon, advertiu de em nenhum caso vai se produzir desabastecimento de combustível.

Qual foi a incidência da mobilização estudiantil?

Segundo o Ministério de Educação de França, na quinta-feira tinha 340 institutos afetados pelo desemprego e as mobilizações; os sindicatos de estudantes afirmaram que a incidência foi de 500. Ao todo, há em torno de 3.400 centros de ensino em França.

Por que preocupa ao Governo de Nicolas Sarkozy a adesão dos estudantes à greve?

O Governo teme que as mobilizações se radicalizem pela participação estudiantil. As mobilizações de adolescentes causaram na quinta-feira vários incidentes e feridos em numerosas cidades de França. Sarkozy não esquece, além disso, os protestos estudiantis de 2006, que obrigaram o Governo de Dominique Villepin a retirar uma polêmica lei de contratação trabalhista. Precisamente, Villepin declarava na terça-feira passada na televisão francesa: "Há que sacar lições da experiência". As revoltas de Maio do 68 também permanecem na mente de todos.

Houve alguma reação clara de Sarkozy à greve?
Por enquanto, nenhuma. O Presidente francês declarou que seguirá "até o final" com a polêmica lei de pensões, que considera "de justiça social", e acrescentou: "Que passaria se não tivesse dinheiro para pagar as pensões dos aposentados mais humildes?". Sarkozy deixou claro que não fará "nenhuma concessão mais". Refere-se às modificações que introduziu no projeto de lei no passado dia 8 de outubro, que suavizavam alguns preceitos mas não tocavam o núcleo duro da redação: o alargamento da vida trabalhista para optar à pensão de aposentação.

Kaos en la Red - [Tradução do Diário Liberdade]

Fonte: http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=7785


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O heroísmo dos mineiros – O espetáculo do Presidente do Chile

Nota da FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL

A Federação Sindical Mundial, desde o primeiro momento em que ocorreu o trágico acidente na mina de San José, publicou um comunicado em que culpa o governo do Chile e os patrões da mineradoras pelo delito cometido contra os mineiros.

Os dirigentes da FSM no Chile, durante todo o tempo, acompanharam de perto os acontecimentos, pressionando, atuando e exigindo o resgate dos nossos 33 irmãos. A Confederação Mineira do Chile se manteve dignamente na linha de frente na batalha como organização classista, que luta pelo setor e pela classe trabalhadora. A UIS Metal da FSM também esteve presente durante os acontecimentos.

Agora, findo o resgate dos 33 trabalhadores, gritemos todos juntos:

- Viva o heroísmo dos mineiros do Chile.

- Pelo fim do espetáculo do presidente do Chile.

Este memoráveis 69 dias mostraram ao mundo as grandes qualidades com as que unicamente os trabalhadores contam. Disciplina, coletividade, luta, resistência, paciência, força, modéstia. Estas são as qualidades mostradas pelos 33 porque todos eles são filhos da classe trabalhadora.

Por outro lado, está o espetáculo, a hipocrisia, as mentiras, o estilo de vida representado pelo Presidente do Chile, porém também a cobiça dos meios de comunicação.

São duas classes sociais diferentes, dois mundos diferentes com princípios distintos, valores, culturas e comportamentos.

Irmãos de classe, mineiros do Chile, agradecemos. Estamos muito orgulhosos de vocês. Estamos muito orgulhosos da classe trabalhadora e de seus valores. Agora, continuaremos a luta! A FSM, em junho de 2009, interveio na OIT, junto aos mineiros do Chile para lutar pelos convênios de saúde e segurança. Lamentavelmente, a OIT, na realidade, até a data de hoje, nada fez para que se apliquem os convênios aprovados.

Exigimos mais uma vez:

- Que se apliquem os convênios internacionais sobre saúde e segurança nas minas. Que o governo chileno ratifique de imediato os convênios da OIT.

- Que se tomem todas as medidas exigidas pelo movimento sindical classista neste setor.

- Que se castiguem os capitalistas e proprietários de minas, como a empresa San Esteban, que se negam a tomar medidas de segurança nos lugares de trabalho.

- Que se solucionem e se atendam as reivindicações dos mineiros chilenos, que se paguem seus salários e que não caiam no esquecimento quando as luzes da popularidade se apagarem.

- Que todas as minas sejam do Estado e que os monopólios e transnacionais cessem as especulações e explorações das fontes de recursos naturais. Estas fontes pertencem ao povo e não aos capitalistas.


O SECRETARIADO DA FSM

40, Zan Moreas street, Athens 11745 GREECE

Tel. +302109214417, +302109236700, Fax +30210 9214517

www.wftucentral.org E-mails : info@wftucentral.org, international@wftucentral.org

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A PAME protesta “baixos preços no fornecimento de eletricidade para o povo”

Grécia

 
Nas primeiras horas de terça-feira, 11 de outubro, as forças da PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores) e sindicatos de orientação classista colocaram um grande “banner” na sede da Empresa de Energia Pública (DEI) em Atenas. O “slogan” no “banner” expressava a necessidade de medidas imediatas de alívio para o povo: “ 30% de redução nas taxas de eletricidade, suprimento de água e serviços de telecomunicação”.

As forças da PAME convocaram o povo de Atenas para resistir à venda (privatização) da Empresa de Energia Pública (DEI), como também aos novos e ultrajantes aumentos nas taxas de eletricidade, as constantes taxas de exceção e as concessões para as grandes empresas privadas. “Baixo preço para o povo e não para o capital”.

A PAME organizou protestos similares em dez cidades do nosso país.

As forças da “União do Povo”, a lista eleitoral do KKE na eleições locais previstas para 7 de novembro participaram dos protestos, convocando o povo para demonstrar sua intolerância com essa política que leva ao emprobecimento e a condenar o governo, como também aos partidos que dão suporte à União Européia e a fortalecer as listas da “União Popular”.

12/10/10

Fonte: http://inter.kke.gr

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Para os pobres, o mercado

por Atilio A. Boron [*]



São muitas as provas que, actualmente, demonstram a inviabilidade do capitalismo como modo de organização da vida económica. Um dos seus máximos apologistas, o economista austríaco-americano Joseph Schumpeter, gostava de argumentar que o que o caracterizava era um processo contínuo de "destruição criadora": velhas formas de produção ou de organização da vida económica eram substituídas por outras num processo virtuoso e de ascensão ininterrupta para níveis de prosperidade e bem-estar crescentes. Contudo, as duras réplicas da história demonstram que se produziu um desequilíbrio cada vez mais acentuado na equação schumpeteriana, em resultado do qual os aspectos destrutivos tendem a prevalecer, cada vez com mais força, sobre os criativos: destruição cada vez mais acelerada do meio ambiente e do tecido social; dos Estado e instituições democráticas e, também, dos produtos da actividade económica mediante guerra, a obsolescência planificada de quase todas as mercadorias e o desperdício sistemático dos recursos produtivos.

Uma prova desta inviabilidade do capitalismo, não a longo mas sim a médio prazo, é a sua escandalosa incapacidade para resolver o problema da pobreza, temas agora se discute no âmbito da Assembleia-Geral da ONU. Apesar dos modestos objectivos colocados pelas chamadas "Metas do Milénio" para o ano 2015 – dentro os quais destaca-se a redução da população mundial a viver com menos de 1,25 dólar por dia –, o certo é que nem sequer êxitos tão austeros (para não dizer insignificantes) poderão ser garantidos. De facto, se a nível mundial se verificou uma relativa melhoria isto deve ser atribuído às políticas seguidas pela China e Índia, que se afastaram consideravelmente das recomendações emanadas do Consenso de Washington. Além disto, seria interessante que os tecnocratas do Banco Mundial e do FMI explicassem como poderia qualificar-se uma pessoa que tendo superado o fatídico limiar de 1,25 dólar por dia ganha, por exemplo, 1,50. Deixou de ser pobre? É por isso um "não pobre"? E que dizer da estabilidade dos seus misérrimos rendimentos num mundo onde aquelas instituições apregoam as virtudes da flexibilização do mercado laboral?

Esta incapacidade para enfrentar um problema que afecta mais de mil milhões de habitantes – número que cresceria extraordinariamente si, ainda a partir de uma visão economicista, situássemos a linha da pobreza nos 2 dólares diários – torna-se motivo de escândalo e abominação quando se recorda a celeridade y generosidade com que os governos do capitalismo avançado avançaram com centenas de milhares de milhões de dólares para o resgate dos grandes oligopólios, lançado pela borda fora todo o palavrório vazio do neoliberalismo. O resgate dos grandes oligopólios financeiros e industriais, segundo informa a Agência Bloomberg, de clara identificação com a "comunidade de negócios" norte-americana, até finais do ano passado custava "um total de 12,8 milhões de milhões de dólares, uma quantia que se aproxima muito do Produto Interno Bruto (PIB) do país". Em contrapartida, a "Ajuda Oficial ao Desenvolvimento" (AOD), que havia sido fixada pela ONU nuns irrisórios 0,7 por cento do PIB dos países desenvolvidos, é respeitada apenas pelos países escandinavos e a Holanda. Dados dos últimos anos revelam que, por exemplo, os Estados Unidos destinaram à AOD só uma fracção do acordado: 0,17 por cento do seu PIB, ao passo que a Espanha contribuía com 0,24 e a Itália com 0,15 por cento.

Os principais países da economia mundial, agrupados no G-7, dedicaram à cooperação internacional apenas 0,22 por cento do PIB. Ao contrário do que ocorreu com as grandes empresas oligopolistas, o "resgate" dos pobres fica nas mãos do mercado. Para os ricos há Estado, os pobres terão que desembrulhar-se com o mercado. E se aparece o Estado é para reprimir ou desorganizar o protesto social. Alguém disse uma vez que as crises ensinam. Tinha razão.

[*] Politólogo.

O original encontra-se em www.pagina12.com.ar

Este artigo encontra-se em http://resistir.info

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A EUROPA DOS TRABALHADORES SE LEVANTA NESTE 29 DE SETEMBRO

Mais uma vez na história, um fantasma ronda o continente europeu, onde a luta de classes parecia estar amortecida. Contra a Europa do Capital vem se afirmando com mais força e de modo mais espalhado uma Europa dos Trabalhadores, sobretudo a partir dos gregos, que no final de 2009 mostraram ao mundo o seu imenso poder de mobilização popular contra as medidas liberais para a crise capitalista internacional. Essa mobilização segue firme e vem dando demonstrações constantes de luta unitária contra o capital, como as greves realizadas em junho e em julho deste ano. Mais recentemente, no início de setembro, foi a vez dos trabalhadores franceses mostrarem também a sua força, com a manifestação de 2,5 milhões de pessoas nas ruas contra o aumento da idade mínima para a aposentadoria. Além disso, estão sendo construídas pautas unitárias para grandes mobilizações sindicais na Itália e na Inglaterra, países dos quais há tempos não chegavam notícias como estas.

Nesta quarta-feira, dia 29 de setembro, teremos uma grande demonstração dessa Europa dos Trabalhadores que está sendo constituída. Haverá grandes manifestações simultâneas em pelo menos quatro países: Espanha, Portugal, Grécia e Bélgica. Na Espanha, faz-se uma Greve Geral contra as duras medidas encaminhadas pelo governo Zapatero, medidas que visam atingir a previdência social, enfraquecer o poder de resistência dos sindicatos e facilitar a demissão de trabalhadores. Em Portugal, há uma Jornada Nacional de Luta pelo aumento real dos salários e pela defesa dos direitos trabalhistas.

Como afirma a secretária-geral do Partido Comunista Grego, em sintonia com o que o nosso partido vem afirmando, não pode haver nenhuma convergência de interesses entre o capital e o trabalho. Aqueles que insistem na conciliação e nas medidas supostamente intermediárias, como os social-democratas, são justamente os que vêm conduzindo as reformas antisindicais, antitrabalhistas e antissociais, como o governo do PASOK na Grécia, o governo do PSOE na Espanha, do PS em Portugal e do PT no Brasil.

É evidente que as crises capitalistas atingem mais e com mais força os trabalhadores, em especial aqueles mais precarizados. Estes não são os responsáveis, mas são os que acabam arcando com as chamadas medidas de “austeridade”, que implicam em redução dos já irrisórios gastos sociais e um comprometimento ainda maior dos orçamentos públicos com o pagamento de dívidas com o sistema financeiro.

Mas a resposta à crise capitalista deve passar pela garantia de mais e melhores direitos, não o oposto!

Em nosso país, algumas categorias como a dos petroleiros, metalúrgicos, bancários e trabalhadores dos Correios vêm enfrentando duras lutas contra os patrões e o governo. Fazemos um chamado de unidade e luta para resistirmos a todos os ataques aos direitos trabalhistas e avançarmos em novas conquistas.

Toda a solidariedade aos trabalhadores europeus! A luta de lá é a mesma daqui!

Preparar a luta da classe trabalhadora para resistir aos ataques que se anunciam!

Reforçar a UNIDADE CLASSISTA!

Construir a INTERSINDICAL!

Nenhum direito a menos, avançar em novas conquistas!

Construir a Frente Anticapitalista e Antiimperialista!



Partido Comunista Brasileiro

(Comitê Central)



Unidade Classista








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Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922

terça-feira, 7 de setembro de 2010

VINTE ANOS SEM O CAVALEIRO DA ESPERANÇA

 

imagemCrédito: PCB

Anita L. Prestes

Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, faleceu em 7 de março de 1990, aos 92 anos de idade. Desde muito jovem, Prestes revelou indignação com as injustiças sociais e a miséria de nosso povo, mostrando-se preocupado com a busca de soluções efetivas para a situação deplorável em que se encontrava a população brasileira, principalmente os trabalhadores do campo, com os quais tivera contato durante a Marcha da Coluna (1924-27), que ficaria conhecida como a Coluna Prestes. Muito antes de tornar-se comunista, Prestes já era um revolucionário. Sua adesão aos ideais comunistas e ao movimento comunista apenas veio comprovar e confirmar sua vocação revolucionária, seu compromisso definitivo com a luta pela emancipação econômica, social e política do povo brasileiro. Como revolucionário Prestes foi um patriota - um homem que dedicou toda sua vida à luta por um Brasil melhor, por um Brasil onde não mais existissem a fome, a miséria, o analfabetismo, as doenças, a terrível mortalidade infantil e as demais chagas que sabidamente continuam ainda hoje a infelicitar nosso país.

A descoberta da teoria marxista e a consequente adesão ao comunismo representaram, para Prestes, o encontro com uma perspectiva, que lhe pareceu factível, de realização dos anseios revolucionários por ele até então alimentados, principalmente durante a Marcha da Coluna. A luta à qual resolvera dedicar sua vida encontrava, dessa forma, um embasamento teórico e um instrumento para ser levada adiante - o Partido Comunista. O Cavaleiro da Esperança, uma vez convencido da justeza dos novos ideais que abraçara, tornava-se também um comunista convicto e disposto a enfrentar toda sorte de sacrifícios na luta pelos objetivos traçados.

No processo de aproximação ao PCB, Prestes rompeu de público com seus antigos companheiros - os jovens militares rebeldes conhecidos como os "tenentes" -, posicionando-se abertamente a favor do programa da "revolução agrária e antiimperialista" defendido pelos comunistas brasileiros. Seu Manifesto de Maio de 1930 consagra o início de uma nova fase na vida do Cavaleiro da Esperança. A partir daquele momento, Prestes deixava definitivamente para trás os antigos compromissos com o liberalismo dos "tenentes" e enveredava pela via da luta pelos ideais comunistas que passariam a nortear toda sua vida.

Pela primeira vez na história do Brasil, uma liderança de grande projeção nacional, a personalidade de maior destaque no movimento tenentista, - na qual apostavam suas cartas as elites oligárquicas oposicionistas, na expectativa de que o Cavaleiro da Esperança pusesse seu cabedal político a serviço dos seus objetivos, aceitando participar do poder para melhor servi-las -, recusa tal poder, rompendo com os políticos das es dominantes para juntar-se aos explorados e oprimidos, para colocar-se do lado oposto da grande trincheira aberta pelo conflito entre as es dominantes e as dominadas, entre exploradores e explorados. Prestes tomava o partido dos oprimidos, abandonando as hostes das elites comprometidas com os donos do poder, não vacilando jamais diante dos grandes sacrifícios que tal opção lhe acarretaria.

Tratava-se de um fato inédito, jamais visto no Brasil. Luiz Carlos Prestes, capitão do Exército, que se tornara general da Coluna Invicta, que fora reconhecido como liderança máxima das forças oposicionistas ao esquema de poder vigente no Brasil até 1930, talhado, portanto, para transformar-se no líder da "revolução" das elites oligárquicas, numa liderança política confiável dessas elites, usava seu prestígio para indicar ao povo brasileiro um outro caminho – o caminho da luta pela reforma agrária radical e pela emancipação nacional do domínio imperialista, o caminho da revolução social e da luta pelo socialismo.

Como foi sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçariam por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea.

Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os donos do poder, o que se verifica pelo fato de sua vida e suas atitudes não deixarem de serem atacadas e/ou deturpadas, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Num país em que praticamente inexiste uma memória histórica, em que os donos do poder sempre tiveram força suficiente para impedir que essa memória histórica fosse cultivada, presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo passado pode servir de exemplo para os jovens de hoje.

Luiz Carlos Prestes dedicou 70 anos de sua vida à luta por um futuro de justiça social e liberdade para o povo brasileiro. O legado revolucionário de Luiz Carlos Prestes deve ser preservado e desenvolvido pelas novas gerações de brasileiros e de latino-americanos. Esta a razão por que hoje, no âmbito das comemorações do 90° aniversário da UFRJ, assinalamos a passagem de vinte anos do desaparecimento do Cavaleiro da Esperança homenageando sua memória.