quarta-feira, 31 de março de 2010

O valor da mercadoria força de trabalho

Autor: Paiva Neves (*)

O modo de produção capitalista, historicamente, é produtor de mercadorias. Isto porque, tudo que é produzido tem como objetivo central o lucro. O lucro é obtido através da extração da mais valia no ato da produção. No entanto, ele se concretiza plenamente quando a mercadoria é levada ao mercado para ser trocada por dinheiro que por sua vez é trocado por outras mercadorias para fazer mais dinheiro. Este processo continuado de troca é o que caracteriza o capital.

O que define o valor de uma mercadoria é a quantidade de força de trabalho depreendida para a sua produção. Toda mercadoria, ou seja, tudo que é feito pela mão humana e que se destina à troca no mercado é, na prática, trabalho materializado em forma de capital. Pela quantidade de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria é estabelecido o seu valor.

Força de trabalho é energia física e mental depreendida pelo trabalhador no processo de produção. Quando o trabalhador entra na fábrica descansado e no final do turno sai cansado, nada mais foi que o uso da sua força de trabalho nas horas que labutou. Toda a sua energia física e intelectual foi transferida para a mercadoria produzida.

A força de trabalho termina também sendo uma mercadoria. É uma mercadoria especial porque tem o poder de criar outro valor. O valor da força de trabalho, como as demais mercadorias, também é definido pelo valor do custo da sua produção. O trabalhador para continuar trabalhador precisa de comida, bebida, moradia, enfim, precisa manter a si e a sua família. Esses gastos que ele faz para manter a si e sua família é o custo da sua manutenção e da sua reprodução enquanto trabalhador. A soma de tudo que ele gasta mensalmente para manter a si e a sua família é o valor da mercadoria força de trabalho.

No Brasil, segundo dados do DIEESE, o salário compatível com a manutenção do trabalhador e sua família é algo em torno de R$ 2.0000,00, no entanto temos um salário mínimo de R$ 510,00. Os pisos salariais das categorias chegam a pouco mais do que isso. É muito pouco. É a prova cabal de que a mercadoria força de trabalho está muito aquém do seu valor real. O trabalhador está recebendo mais ou menos a quarta parte do que deveria receber mensalmente pelo trabalho que realiza. Por isso é necessária a consciência da classe que não é política governamental que vai recuperar o poder de compra dos salários. Somente a luta da classe, com independência dos patrões e dos governos, poderá mudar este quadro.

* Paiva Neves é dirigente do Sindicato dos Sapateiros do Ceará e membro do Comitê Central do PCB e de seu Comitê Regional no Ceará

quinta-feira, 25 de março de 2010

Todo apoio à greve dos professores de SP

Unidade Classista – Trabalhadores da educação

Construindo a Intersindical e a Oposição Alternativa

A Unidade Classista é uma corrente sindical composta por militantes do PCB e por trabalhadores e sindicalistas que querem resgatar um sindicalismo de luta, de defesa dos interesses dos trabalhadores, unitário e classista. A Unidade Classista participa da construção da Intersindical, instrumento de organização e luta dos trabalhadores.

Nós, professores da rede estadual de São Paulo, estamos em greve desde 5 de março. A situação dos profissionais da educação em São Paulo se tornou insuportável. Os salários, congelados há mais de dez anos, não permitem uma vida digna, muito menos possibilitam aos professores investirem na sua formação. O governo Serra procura culpar os professores por todos os males da educação, isentando os sucessivos governos pelo abandono das escolas e dos alunos. O governo destrói os planos de carreira, dividindo a categoria em regimes de trabalho diferenciados e cada vez mais precários, numa insuportável sopa de letrinhas.

A greve dos professores é necessária e todos os trabalhadores devem manifestar ativamente sua solidariedade com os profissionais da educação em luta. A luta dos professores é a luta de todos os trabalhadores, dos pais e dos estudantes.

Os governos não cumprem com as suas obrigações constitucionais de garantir uma educação pública e de qualidade. Terceiriza a elaboração e a aplicação das políticas públicas para organizações não governamentais, tipo Todos pela educação, ligada ao grande empresariado de São Paulo. A política do “mérito” e a submissão da educação aos interesses empresariais é uma política tanto do governo Serra quanto do governo Lula. A remuneração por mérito é originada em um decreto do Ministério da Educação. Essa mesma política é reproduzida na rede municipal pelo prefeito Kassab.

Glauco e a imprensa sindical

O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, assassinado na madrugada do dia 12 de março, em Osasco (SP), junto com seu filho, Raoni Villas Boas, de 25 anos, foi um dos artistas que mais colaboraram na luta contra a ditadura. Glauco apoiou o movimento sindical por meio de personagens e histórias criadas para apoiar a luta dos trabalhadores.

Com o crescimento do movimento popular contra a ditadura, no final da década de 1970, uma nova geração de artistas percebeu que podia usar o humor também como forma de denúncia política e, com isso, atingir amplas parcelas da população. Ao lado de Angeli, Laerte, Henfil e outros artistas, Glauco passou a criar materiais destinados ao movimento sindical.

Na mesma época, em 1978, surgiu a Oboré — uma espécie de cooperativa de jornalistas e artistas criada para colaborar com os movimentos sociais e de trabalhadores —, que se tornou um espaço onde eles se reuniam pra produzir campanhas para os sindicatos. Sergio Gomes, o Serjão, fundador e coordenador da Oboré, lembra que Glauco “tinha e teve, durante todo esse tempo, muita sensibilidade para se identificar facilmente com as causas dos oprimidos”.

Os sindicatos de resultados e a flexibilização disfarçada

A chamada reforma sindical apresentada pelo governo Lula tem a mesma lógica e os mesmos objetivos da proposta defendida por FHC, em sua inconclusa agenda neoliberal: a flexibilização dos direitos trabalhistas.

Como se verá, a reforma não se limita a regulamentar a estrutura sindical. É uma tentativa de promover importantes modificações na legislação trabalhista, sobretudo no que se refere à solução dos conflitos entre o capital e o trabalho. Trata-se de um conjunto de medidas que, uma vez transformadas em lei, tornarão desnecessária a chamada reforma trabalhista, pois estará consagrada entre nós a flexibilização para baixo dos direitos dos trabalhadores, que foram conquistados às custas de muita luta e sacrifício.

Em verdade, essa reforma é um dos 17 pontos da Carta de Intenções, firmada pelo governo Lula com o FMI, em 21 de novembro de 2003.

"MINHA CASA" É A RECONCILIAÇÃO ENTRE CAPITAL E TRABALHO, AFIRMA LULA

por Pedro Fiori Arantes

O pacote habitacional, as medidas anunciadas e os discursos que o legitimam têm deixado cada vez mais claro o projeto do governo Lula de um "capitalismo popular" para o Brasil, sem que dele façam parte as reformas condizentes com o seu antigo "programa democrático-popular" , incluindo aí a Reforma Urbana. A promoção da "casa popular" é apresentada como grande saída, não apenas para a crise econômica como também para os problemas do país, justamente por ser uma solução de unidade de interesses, dissociada da transformação social efetiva.

Em um programa de Reforma Urbana, ao contrário, apresentam-se interesses divergentes, evidenciando- se a oposição entre o direito dos trabalhadores à cidade e o ganho rentista do capital, entre o interesse público de planejar cidades habitáveis e a irracionalidade do laissez-faireimobiliário. Em um programa de Reforma Urbana haveria combate à especulação, taxação progressiva e urbanização compulsória de imóveis que não cumprem a função social, requisição pública de imóveis que sonegam impostos, política de estoque de terras, combate aos despejos, investimentos em transportes coletivos em detrimento do individual etc. Mas em um programa focado exclusivamente na construção de casas não há conflitos, pois os interesses do capital e do trabalho parecem milagrosamente convergir.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Apresentação


A Unidade Classista é uma corrente sindical da esquerda revolucionária que atua com a perspectiva de ajudar no processo de organização dos trabalhadores para o enfrentamento aos ataques que o sistema capitalista e seus gestores nos impõem. Participamos da INTERSINDICAL, movimento nacional de organização da classe trabalhadora frente aos ataques do neoliberalismo e a capitulação da CUT à política de conciliação de classes que só tem trazido prejuízos à consciência e à disposição de luta do proletariado brasileiro.