quarta-feira, 23 de junho de 2010

Notícia Histórica – Barco israelense é impedido de atracar nos EUA

Vitória no porto de Oakland: barco israelense tem a sua descarga bloqueada

 
Domingo, 20 de junho de 2010

Por Gloria La Riva

Pela primeira vez, um boicote portuário nos EUA em solidariedade à Palestina

Em nossa época esta é uma ação histórica e sem precedentes. Mais de 800 ativistas sindicais e comunitários bloquearam o cais de Oakland durante a madrugada, o que permitiu que os estivadores se negassem a cruzar as linhas do piquete e impediu a descarga de um barco israelense.

De 5:30am a 9:30am, um protesto militante e espirituoso ocorreu em frente às quatro portas do Serviço de Estiva da América, com as pessoas cantando sem parar "Livre, Palestina livre, não cruze a linha do piquete” e "Um ataque contra um é um ataque contra todos, o muro do apartheid vai cair".

Argumentando acerca de sua saúde e segurança – disposições contidas em seus contratos de trabalho – os trabalhadores, ligados à ILWU [organização sindical internacional dos trabalhadores portuários], se negaram a cruzar o piquete.

Entre as 8:30am e as 9:00am, uma arbitragem de emergência foi realizada no estacionamento da empresa Maersk, próximo ao cais. De forma "instantânea", um juiz apareceu no local para decidir se os trabalhadores podiam negar-se a cruzar o piquete sem medidas disciplinares.

Às 9:15am, após confirmar a continuidade do protesto de centenas de pessoas em cada portão de acesso caís, o juiz sentenciou a favor do sindicato, dizendo que a situação era realmente insegura para que os trabalhadores tentassem entrar no cais.

Jess Ghannam, da Aliança Palestina Livre, e Richard Becker, da Coalizão ANSWER (Atue Agora para Parar a Guerra e Acabar com o Racismo, na sigla em inglês), receberam aplausos e gritos de "Viva a Palestina!", ao anunciarem a vitória do movimento. Ghannam disse: "Isto é realmente histórico, nunca antes um barco israelense havia sido bloqueado nos Estados Unidos!"

A notícia de que um navio com contêineres da companhia de navegação Zim Israel estava programado para chegar à área da baía neste domingo provocou uma enorme onda de solidariedade com a Palestina, sobretudo em função do violento atentado israelense, no dia 30 de maio, contra os voluntários que levavam ajuda humanitária para Gaza.

Com 10 dias de antecipação à chegada do navio, um clima de emergência se criou no “Comitê Sindical e Comunitário de Solidariedade com o Povo Palestino". Na quarta-feira, 110 pessoas dos sindicatos e da comunidade vieram ajudar a organizar a logística, a difusão e o apoio da comunidade local. Dentre as organizações que tornaram o ato possível estão a Coalizão Palestina Al-Awda Direito ao Retorno, a Coalizão ANSWER, a Seção local da USLAW (Trabalhadores Estadunidenses Contra a Guerra), e a Seção Sindical do Comitê pela Paz e pela Justiça.

Esta semana, dois conselhos sindicais locais aprovaram resoluções quanto à denúncia do bloqueio israelense a Gaza. Ambos emitiram notas públicas sobre a ação no cais do porto.

O ILWU tem una história de orgulho por estender a sua solidariedade aos povos que lutam em todo o mundo. Em 1984, as massas negras sul africanas participavam de uma intensa luta contra o apartheid, e o ILWU negou-se por 10 dias (um recorde) a descarregar mercadorias do navio "Ned Lloyd", da África do Sul. Apesar de multas milionárias impostas aos sindicatos, os trabalhadores portuários se mantiveram fortes, proporcionando um grande impulso ao movimento contra o apartheid.

Entre as muitas declarações de solidariedade ao protesto estão a dos trabalhadores palestinos e cubanos. A Federação Geral Palestina de Sindicatos, disse que "sua ação de hoje é um marco na solidariedade internacional dos trabalhadores dos EUA, de honestos e valentes sindicalistas. Saudações dos sindicalistas e trabalhadores da Palestina... dos sindicalistas e trabalhadores enjaulados em Gaza."

A Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) escreveu: "Nosso povo vive há 50 anos um bloqueio injusto e abominável do governo dos EUA, de modo que entendemos muito bem como o povo palestino se sente, e vamos estar sempre em solidariedade com a sua justa causa. Hoje lhes enviamos o nosso apoio mais sincero. Viva a solidariedade da classe trabalhadora! Fim ao bloqueio de Gaza! Respeito e justiça para o povo da Palestina!"

A ação de hoje em Oakland, no sexto maior porto dos Estados Unidos, é o primeiro de vários protestos e paralisações previstos em todo o mundo, incluindo Noruega, Suécia e África do Sul. Seguramente inspiraremos outros a fazerem o mesmo.

(tradução a partir do espanhol: Rodrigo Fonseca)

Original encontr-se em: www.pslweb.org

terça-feira, 22 de junho de 2010

FSM chama paralisação dos portuários de todo o mundo contra à barbárie israelense (em francês)

APPEL À UNE GRÈVE DE 3 JOURS DANS TOUS LES PORTS SUR LES 5 CONTINENTS DU SOLIDARITÉ AVEC LE PEUPLE PALESTINIEN
9 June 2010
Camarades, syndicalistes, travailleurs et travailleuses:

Le Secrétariat de la Fédération Syndicale Mondiale a décidé aujourd’hui d’appeler à une grève de trois jours dans tous les ports du monde contre les navires commerciaux d’Israël ayant pour origine ou destination Israël.

Nous appelons tous les travailleurs navals, les dockers et tous les travailleurs et tous les syndicats dans les ports à refuser de charger ou décharger des bateaux à destination ou en provenance d’Israël.

Le Syndicat International des Transports de la FSM est en première ligne de cette grève.

Cette action est une démonstration pratique de la solidarité militante avec le Peuple Palestinien. C’est une preuve de solidarité militante contre le blocus de la Bande de Gaza.

De cette façon nous exprimons notre exigence d’un état palestinien indépendant et démocratique avec Jérusalem Est comme sa capitale. En outre, nous exigeons la levée immédiate du blocus sur la Bande de Gaza.

Nous condamnons les meurtres de neuf activistes turcs et nous exprimons une fois encore nos sincères condoléances à leurs familles.

La classe ouvrière mondiale observe avec inquiétude la tactique des Nations Unies et l’hypocrisie de l’Union Européenne. En même temps, nous sommes conscients de la compétition inter-capitaliste et des dangers qu’elle crée pour la paix dans la région du Sud-est de la Méditerranée.

D’autre part, il est clair que le gouvernement israélien n’a pas pu perpétrer impunément ces crimes sans l’appui et encouragement des Etats-Unis et leurs alliés.

Camarades, dirigeants syndicaux des ports du monde,
Personne ne doit rester silencieux! Personne ne doit rester neutre!
Nous devons agir maintenant parce que nous sommes tous Palestiniens!
Décidez les dates du mois de juin pour les trois jours de grève- boycott contre la politique d’Israël. Choisissez la meilleure forme de réaction , la meilleure forme de se solidariser avec la lutte héroïque des Palestiniens.

Agissons tous maintenant.

Fuente: Página del Partido Comunista de Québec (Independentista)/PrensaPopularSolidaria
http://prensapopular-comunistasmiranda.blogspot.com/
Correo: pcvmirandasrp@gmail.com

sábado, 19 de junho de 2010

UNIDADE CLASSISTA EM GOIÁS

A Unidade Classista (UC) é uma corrente sindical da esquerda revolucionária que atua com a perspectiva de ajudar no processo de organização dos trabalhadores para o enfrentamento aos ataques que o sistema capitalista e seus gestores nos impõem. Participamos da INTERSINDICAL, movimento nacional de organização da classe trabalhadora frente aos ataques do neoliberalismo e a capitulação da CUT à política de conciliação de classes que só tem trazido prejuízos à consciência e à disposição de luta do proletariado brasileiro.

Neste sentido, a UC se organiza em todo pais, sendo que hoje em Goiás, atuamos na base de oposição ao SINTEGO (Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás) e na base de oposição do SINT-IFESgo (Sindicato dos Trabalhadores Tecnicos Administrativos das Instituições Federais de Ensino em Goiás), além de estarmos na AGB (Associação dos Geógrafos Basrileiros - Seção Goiás).


ENTRE EM CONTATO CONOSCO

*FERNANDO VIANA: (62) 85091220
*MARTA JANE: (62) 85874821
*ANTÔNIO: (62) 84571627

*E-MAIL: ucgoyaz@gmail.com

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Estado do mal-estar e a luta de classes

* Pedro Brenes

Está decidido. Acabou a paz social. Terminou para sempre a época dourada da social-democracia reformista e o sindicalismo pactuante. Seu namoro colaboracionista com o Estado burguês chegou ao inevitável divórcio histórico.

A oligarquia financeira europeia, os banqueiros, os monopolistas e os “mercados” estão de acordo para liquidar os tempos de utilização dos falsos socialistas e dos sindicalistas “responsáveis”, como mercenários para conter a rebeldia dos trabalhadores.

E vão planejando, nas conspirações obscuras do Fundo Monetário Internacional e nos conciliábulos secretos dos reis, políticos lacaios e multi-milionários, o desmantelamento do que, alegremente, se veio chamar de “Estado de bem-estar”. Definitivamente, não era outra coisa senão a tática de comprar os altos comandos da classe trabalhadora nos Estados imperialistas, com as migalhas dos super-benefícios obtidos através da exploração dos povos da África, Ásia e América Latina.

A dominação imperialista é exercida por meio da presença militar colonialista, a imposição de ditaduras criminosas e corruptas, o saque das riquezas naturais dos países oprimidos, o controle e a manipulação dos preços mundiais das matérias-primas e o intercâmbio comercial desigual.

Porém, está esgotado o potencial de desenvolvimento e aperfeiçoamento do capitalismo e, alcançada sua fase final como capitalismo monopolista de Estado, que Lenin definiu como sua fase superior e última, e com o capitalismo em decomposição, começa a inevitável e sucessiva crise da cadeia imobiliária, financeira, do déficit público e monetária, a nova época da crise social e política.

Porque a crise mudou tudo. Entramos agora, frente à política das concessões e do consenso nos altares da paz social, na nova etapa histórica dos recortes, ajustes e reformas.

Sempre se diz que o capitalismo é capaz de superar qualquer crise. Porém, não é menos certo de que saiu de todas as crises, menos da última. Porque, de crise em crise, o sistema capitalista avança inexoravelmente para a concentração da propriedade num número cada vez menor de indivíduos e, no outro extremo, faz a proletarização massiva dos pequenos e médios proprietários.

E este processo que leva séculos desenvolvendo-se, passo a passo, e agudizando-se e acelerando-se, sobretudo nos períodos de crise econômica, está praticamente chegando ao seu limite. No Estado espanhol, por exemplo, mais de 80% da riqueza está concentrada num grupo de menos de duas mil pessoas. Enquanto isso, o número de trabalhadores assalariados alcança 80% da população ativa.

E a concentração do capital é cada vez maior, junto com a proletarização da imensa maioria, e segue avançando sem trégua. A oligarquia monopolista, em condições de crise econômica, aproveita para seguir acumulando capitais, arruinando milhares de pequenas e médias empresas, preparando a privatização das Cajas de Ahorros, a saúde, a educação e as rendas.

Todas as crises capitalistas são, em essência, crises de superprodução. Ou seja, se produz mais mercadorias do que se pode vender ou, o que é o mesmo, visto do lado contrário, a insuficiência da demanda para absorver as mercadorias que o sistema é capaz de produzir.

Por isso, tendo em conta que a necessária demanda massiva de mercadorias, diferente de épocas passadas quando se contava com amplas quantidade de pequenos e médios proprietários para sustentá-la, depende hoje, fundamentalmente, da capacidade de compra dos assalariados. Assim, demitir milhões deles, diminuir o emprego, diminuir os salários e as rendas é uma política suicida e anti-econômica que empurra o capitalismo ao desastre, por meio da destruição de sua principal fonte de demanda, com sua bárbara e cega intenção de reduzir drasticamente a capacidade de compra da imensa maioria de seus próprios clientes.

Porém, o capitalista monopolista de Estado se encontra numa fase avançada de sua agonia, de desintegração econômica, de decomposição política e de degradação moral. Isso não significa, nem muito menos, que o capitalismo vá desaparecer sem a pressão revolucionária das massas populares, nem que vá abandonar voluntária e pacificamente o Poder do qual desfruta, para abrir caminho para a nova, justa e avançada sociedade socialista.

Os banqueiros não vão estatizar a si mesmos. O capitalismo está disposto a morrer matando. Os oligarcas provocarão a catástrofe econômica e a ruína social antes de renunciar aos seus privilégios. Preferirão, como sempre foi feito, a destruição das forças produtivas, a liquidação da democracia parlamentar, a repressão violenta das mobilizações populares, a declaração do estado de exceção, a ditadura e a guerra, antes de perder sua condição de classe social dominante e entregar o Poder e a direção da economia à classe trabalhadora assalariada, que representa a imensa maioria da sociedade.

A crise geral do capitalismo monopolista faz com que a luta de classes se destaque em primeiro plano. A missão da classe trabalhadora, como sepultadora do capitalismo, já aparece no horizonte. Temos que derrubar esse edifício podre, sem utilidade e perigoso, e mandar seus restos à lixeira da história.

E para orientar este trabalho, necessitamos de Unidade, sob a hegemonia ideológica e a orientação política dos partidos comunistas, de todas as forças populares e anti-capitalistas, para organizar, primeiro, a resistência e, depois, a contra-ofensiva, frente às tentativas da oligarquia financeira de fazer a nós, trabalhadores, pagarmos com miséria e sofrimento os últimos estertores de sua lenta e fétida agonia.

(*) Pedro Brenes é Secretário Geral do Partido Revolucionário dos Comunistas de Canárias (PRCC)

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

quinta-feira, 10 de junho de 2010

VITÓRIA DO OPERARIADO FRIBURGUENSE!

Depois de quase quinze dias parados, operárias e operários da Fábrica Filó, filial da multinacional Triumph International em Nova Friburgo (Rio de Janeiro), terminaram a greve no dia de ontem (09/06), tendo arrancado dos patrões importantes conquistas: reajuste de 16% (dezesseis por cento) nos salários, cesta básica, não desconto dos dias parados e o compromisso assinado de que, caso haja, da parte do Governo do Estado, vontade política para fazer valer o salário mínimo estadual de R$ 603,00, a empresa irá cumpri-lo. O piso salarial da fábrica (que negocia em separado com o Sindicato de Trabalhadores e não participa das negociações em torno do Acordo Coletivo e recusou-se a conceder reajuste no ano passado) ficou em R$ 560,00, um ganho razoável em relação ao piso anterior, de R$ 485,00.

Mais importante do que o ganho material – sem, entretanto, desprezar o significado deste reajuste nas mesas e casas das famílias que dependem dos empregos e salários – é destacar a enorme conquista para a organização e o salto de consciência do grupo de trabalhadores que encarou de forma corajosa as ameaças dos patrões, mantendo a greve até a negociação final satisfatória. A greve representou um marco na história da classe trabalhadora friburguense, que amarga há décadas o refluxo do movimento operário e sindical. As lutas mais significativas dos tempos mais recentes foram a greve dos operários da Fábrica de Rendas Arp (anos 1980), a ocupação da Fábrica metalúrgica Haga (anos 1990) e a também ocupação da Eletromecânica, no início deste século. As duas últimas mobilizações, no entanto, resultaram, depois de arrefecido o movimento, em ascensão de grupos com mentalidade capitalista à frente das empresas ocupadas.

A luta das trabalhadoras e trabalhadores da Filó tem um grande significado neste momento histórico, em que a classe trabalhadora brasileira encontra-se ainda tão dividida por conta dos imperativos do capitalismo contemporâneo e seu processo violento de expropriações (aumento vertiginoso da extração da mais-valia, ampliação da jornada de trabalho, fragmentação das unidades fabris, cooptação ideológica dos trabalhadores para o projeto individualista e consumista, etc). Para as imensas dificuldades de enfrentamento à lógica do capital e aos reflexos da crise econômica mundial, muito contribui a postura de acomodação de setores majoritários do sindicalismo (à frente a CUT e a CTB, que hoje, nacionalmente, pouco diferem da Força Sindical) diante do fenômeno da “globalização” e das ações emblemáticas do governo Lula, que se apresenta como protagonista de um capitalismo “humano”, colaborando, na verdade, para o avanço vertiginoso das relações capitalistas no Brasil e da presença destacada do país no âmbito internacional, como uma nova potência a disputar seu espaço no interior do imperialismo.

Ao longo destes dias de greve, além da comprovada unidade posta em prática pelas operárias e operários da Filó, com a firme condução do Sindicato de Trabalhadores no Vestuário (por sinal, dirigido por companheiros ligados ao PT e à CUT – o que prova a heterogeneidade do movimento político e sindical brasileiro), vale ressaltar também a mobilização dos demais sindicatos de trabalhadores de Friburgo e sua solidariedade ativa ao movimento: metalúrgicos, têxteis, hoteleiros, professores (das redes pública e particular), trabalhadores da saúde, químicos estiveram na porta de fábrica no dia a dia dos piquetes. Outros sindicalistas colocaram sua estrutura material à disposição da luta. Também os militantes dos partidos de trabalhadores se solidarizaram, como o PT, o PSOL, o PCB e o PSTU, assim como ativistas da Intersindical e da Conlutas.

Avançar na organização da classe trabalhadora friburguense (e de todo o país) continua a ser o grande desafio de todos nós, que desejamos a superação revolucionária do capitalismo. Mas a vitoriosa luta encampada pelo operariado da mais importante fábrica do setor de vestuário de Friburgo (em que pese hoje ocupando posição de menor destaque na economia da cidade, com um número bem reduzido de trabalhadores em relação ao passado) serve de exemplo para os trabalhadores em geral, demonstrando uma vez mais que somente através do enfrentamento ao capital e da organização se obtêm conquistas. Sinaliza também, para setores de vanguarda do movimento sindical brasileiro, que tentam a todo custo a criação açodada e de cima para baixo de uma nova “central sindical”, que a unidade se faz na luta e com a participação efetiva dos trabalhadores e das trabalhadoras.

A luta continua. Avançar na organização da classe trabalhadora para novas conquistas!

Ricardo Costa (Rico) – Secretário de Organização da Base Francisco Bravo (PCB de Nova Friburgo) / Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Crise na Grécia ou crise nos estados da União Européia?

Escrito por Achille Lollo 29-Mai-2010

No dia 6 de dezembro de 2008 as agências de informação anunciavam que uma violenta rebelião popular havia sacudido as principais cidades da Grécia para protestar contra o assassinato do estudante de 15 anos Aléxis Andréas Grigoropulos, abatido a tiros pela polícia anti-motim. Durante três dias as televisões do mundo inteiro visualizaram as cenas de violência da guerrilha urbana que havia paralisado a capital Atenas, Salonicco, Patrasso, Kavale e também as ilhas de Creta, Rodi e Corfu, quando foi evidente que o assassinato do jovem Aléxis no bairro de Exarquia – fortaleza do movimento estudantil e dos grupos anarquistas - foi provocado "ad hoc" pela polícia para criar um clima de terror e esvaziar a greve geral que as centrais sindicais Adedye (funcionalismo público) e GSEE (setor privado) e os partidos de esquerda, KKE (Comunista), Pasok (social democrata), Synaspismos (Movimentos Sociais) e Verdes, haviam proclamado para dia 10, a fim de protestar contra a crise econômica, as privatizações e o aumento do desemprego.

Este motim fez cair a máscara do governo conservador de Kostas Karamalis (Nova Democracia), mostrando os elementos de grave crise econômica e financeira existente que, na realidade, era a ponta de um iceberg submerso pronto a emergir na "área do Euro".

Entrevistado por telefone, Yannis Bournous, responsável pelas políticas européias do Synaspismos (o partido dos movimentos sociais com 13 deputados no Parlamento), declarava: "O assassinato do jovem Aléxis, em 2008, foi apenas o estopim da revolta dos gregos contra a crise econômica. Por sua parte, a União Européia sabia perfeitamente que o governo Karamalis estava levando a Grécia para a falência.

Depois, em 2009, quando o Pasok de Georgios Papandreu ganhou as eleições e nós do Synaspismos e os comunistas do KKE aumentamos a presença no Parlamento, a União Européia ignorou todos os alertas vindos da Grécia e, sobretudo, os estudos apresentados no Parlamento Europeu pelos representantes da esquerda européia.

Estudos e análises advertindo que a crise econômica e financeira na União Européia não ficaria limitada somente a um país e tampouco seria provocada por um acidente nas bolsas de valores. Outra advertência indicava que a crise era, também, o resultado de dois fatores: a) as políticas especulativas praticadas em certos países da União por parte de bancos e instituições financeiras dos países ricos da mesma União, com a condescendência dos respectivos governos e do próprio Banco Central Europeu; b) o mau funcionamento da estrutura financeira da União e seu processo centralizador gerenciado pela Alemanha".

Grécia: déficit de 14% do PIB

De fato, o jornal holandês NRC Handelsblad – no início da crise grega – publicou o memorando que o então comissário europeu, Joaquim Almunia, no dia 2 de julho de 2009, levou à direção da Ecofin, formada pelos ministros das finanças dos países da "área do Euro", no qual eram confirmados os riscos e os alertas apresentados antes da reunião do Ecofin em Praga, em junho de 2009, quando o ministro das finanças grego, Papathanassiou (governo conservador Karamallis), admitia que "o orçamento grego poderia ter um buraco vermelho de até 6% do PIB". Diante disso o então comissário europeu, Joaquim Almunia, concluía seu memorando com a seguinte denúncia: "... caso as tendências em curso continuem, na realidade o déficit orçamentário do governo grego poderá chegar a até 10% do PIB".

Por absurdo, os ministros da União Européia e o próprio comissário Almunia arquivaram a crise grega. E quando o novo primeiro-ministro grego, o social-democrata Georgios Papandreu, logo após as eleições de outubro, informou que o déficit orçamentário seria de 12,7% para depois especificar que o mesmo já havia atingido 14% do PIB, em Bruxelas, ninguém sabia o que fazer.

Oficialmente, a crise grega explodia nos mercados financeiros no dia 8 de dezembro de 2009, quando a agência de riscos "Fitch´s" rejeitava o grau de confiabilidade do governo e de cinco bancos da Grécia em pagar suas dívidas. Mesmo assim os ministros da União Européia não se manifestavam, enquanto a imprensa alemã enaltecia a opção drástica do presidente do Bundesbank (Banco Central Alemão), Alex Weber, segundo o qual "uma intervenção européia coordenada em favor da Grécia era inconstitucional e a ajuda do FMI não daria resultados sem a aplicação de regras rígidas e duradouras na economia da Grécia".

Faltou somente dizer que a Grécia devia sair da "área do Euro" para promover a "operação default", a partir da qual optaria por uma maxi-desvalorização da dracma e transformaria o país em um estande de produtos para a exportação, tal como fizeram a Polônia, a Itália e a Espanha em 1992, antes da entrada em vigor do Euro.

Porque a União Européia não interveio?

É importante lembrar que para a Grécia poder ingressar, em 2001, no sistema de moeda européia teve que falsear seu déficit orçamentário, que de 4,1% do PIB foi, milagrosamente, corrigido para 2%, tal como o primeiro-ministro social-democrata, Georgios Papandreu, acertou com as autoridades da União. Uma mentira que se perpetuava em 2004 com a vitória eleitoral do conservador Karamallis, tanto que a porta-voz da União Européia, Amélia Torres, em Bruxelas, em 20 de março de 2005, oficializava a mentira ao dizer: "as autoridades gregas cobriram amplamente os buracos orçamentários e solucionaram as falhas do seu sistema estatístico. Por isso, hoje, a situação da Grécia é notavelmente melhor".

Quando isso aconteceu, os técnicos de Eurostat (o organismo de análise e estatísticas econômico-financeiras da União Européia) rejeitaram as falsas informações do governo grego, mas tiveram de aceitá-las em função da "solidariedade neoliberal" que havia tomado conta dos 16 governos da "área do Euro".

A partir dessa encenação iniciou-se um complexo processo especulativo cujos principais beneficiários foram os bancos alemães, seguidos pelos franceses e as seguradoras italianas. Por sua parte, todos os governos gregos que se sucederam na Praça Syntagma (sede do Parlamento) direcionaram a maior parte dos empréstimos europeus para sustentar o clientelismo eleitoreiro e refinanciar a dívida pública com uma desordenada emissão de títulos do Estado, de forma que nos últimos quatro anos o valor da dívida pública passou de 180 bilhões de euros para 320 bilhões.

Mais anacrônico era o tecido social dos "poupadores que compravam os títulos da dívida grega". Na sua maioria, eram representados por indivíduos ou entidades ligadas à economia paralela, à corrupção ou que, através do clientelismo político, conseguiam fraudar a receita grega, cujo rombo hoje é calculado em 30%. Por sua parte, os governos gregos – tanto o conservador da Nova Democracia quanto o social-democrata do PASOK - fecharam os olhos. Isso no momento em que, em uma sociedade empobrecida com os programas neoliberais, os únicos poupadores que podiam comprar os títulos da dívida pública eram quem lucrava com a corrupção, a fraude fiscal e a economia paralela, onde os "corretores" das máfias internacionais (italiana, russa, israelense) investiam nos "bonds gregos" paras reciclar seus lucros ilegais.

De fato, o Secretário Geral do Partido Comunista (KKE), Alex Papariga, ao questionar o aleatório programa de saneamento fiscal do governo Papandreu, dizia: "Como é possível que em um país como a Grécia haja somente 5.000 famílias que declaram uma renda anual de 100.000 euros, quando é suficiente ir ao porto do Pireo para encontrar milhares de barcos luxuosos que são a prova de que a evasão fiscal dos ricos é generalizada, enquanto os únicos a pagar os impostos são os trabalhadores do funcionalismo público e os do setor privado?".

Este perverso esquema de "poupança" entrou em crise quando, com a derrota do conservador Karamallis, os "poupadores" ficaram amedrontados com o crescimento do partido comunista "KKE", a afirmação da coalizão da esquerda social "Synaspismos" e, sobretudo, com a pressão popular sobre o governo social-democrata de Georgios Papandreu por parte da central sindical comunista "PAME". O medo por uma iminente ruptura do status quo fez com que os "poupadores" retirassem dos bancos gregos seus títulos para negociá-los em dólares nas filiais dos bancos alemães e franceses, agenciando com eles a transferência "em off" para os bancos de Jersey, Ilhas Channels, Luxemburgo e Malta, isto é, os paraísos fiscais europeus.

Quando o Banco Central grego se deu conta de que ninguém estava comprando seus "bonds" era demasiado tarde, inclusive porque os bancos alemães e franceses que haviam especulado sobre a compra em dólares da quase totalidade dos títulos agora exigiam o pagamento de uma dívida equivalente a 100 milhões de euros, e cuja perspectiva era a insolvência absoluta.

Somente quando a insolvência dos títulos gregos começou a atingir a confiabilidade dos bancos alemães que a primeira-ministra alemã, Ângela Merkel, interveio, pedindo ao parlamento alemão que votasse com urgência um pacote de ajuda financeira de 8,5 bilhões de euros para a Grécia não declarar default e abandonar o sistema monetário europeu. Em segundo lugar, Merkel, para garantir o pagamento aos bancos alemães, informava os presidentes do Banco Central Europeu, Jean-Cleaude Trichet, e do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que o governo alemão aceitava a proposta de um maxi-refinanciamento da dívida grega no valor de 110 bilhões de euros.

Uma ajuda financeira que, na realidade, servia apenas para evitar a bancarrota dos bancos alemães, franceses e seguradoras italianas que haviam especulado com os "bonds" gregos e para enquadrar o Estado grego, podendo finalmente intervir em sua economia aplicando as receitas recessivas do FMI, cujo custo seria pago unicamente pelos trabalhadores gregos até 2020.

Crise do modelo de Estado europeu

O Tratado de Maastricht, mais que criar um novo modelo político para os países da União Européia, enquadrou toda a política européia em um complexo xadrez regulamentado por normas jurídicas definidas por cada área específica de jurisdição. De fato, a crise do chamado "Estado Moderno Europeu" - para além da contingência grega – se tornou evidente no momento em que esse Estado, embutido de neoliberalismo, foi incapaz de prevenir as desastrosas situações financeiras que seu mercado produziu e, conseqüentemente, não teve capacidade de solucionar tais crises, a não ser com a confirmação dos limites de sua própria natureza política. Isto é a prática neoliberal de repassar para o cidadão o ônus da crise econômica provocada pelos bancos com a especulação financeira.

No caso da Grécia a solução é dramática, chegando a impor a redução em 30 % dos salários do funcionalismo público e 20%, no setor privado. Há ainda o corte do 13º e do 14º salários, o aumento da idade para ter direito a aposentadoria, sem contar os cortes orçamentários nos serviços públicos mais populares, tais como a educação e a saúde, onde o que não será privatizado será desativado.

Por outro lado, ficou evidente que, quando se trata de pagar os custos de uma crise financeira na União Européia dos 27 ou, sobretudo, nos 16 países da "área do euro", prevalecem as antigas divisões entre os países que financiam as dívidas e aqueles que não conseguem zerar seu déficit.

Assim, após a crise grega, na União Européia, configura-se a presença de uma "área de risco permanente" representada por Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, cujos déficits orçamentários devem ser pagos apenas pelos seus cidadãos, com uma maior taxação dos bens de consumo e o corte dos investimentos nos serviços públicos. Enquanto isso, nada acontece com a burocracia e a classe política, que, com sua complacência e incompetência, contribuíram para a ampliação dos vícios institucionais, isto é, a especulação financeira, a corrupção, o clientelismo político e a fraude fiscal.

Vícios que, por absurdo, ao transitarem pelos mercados sob forma de lucro, perpetuam a manutenção de um equivocado Estado moderno e uma confusa política européia comunitária. Nela, os interesses da União Européia gravitam e dependem das cumplicidades político-financeiras de uma classe política aparelhada pelos mercados nas instituições dos Estados e acostumada a privilegiar, antes de tudo, os interesses do mercado, mesmo que desta forma a própria democracia burguesa e o Estado de Direito se transformem em mera retórica eleitoreira.

União Européia: 23 milhões de desempregados

Nos 27 países que hoje formam a União Européia, o desemprego atingiu formas alarmantes, tendo alcançado o número de 23 milhões de desempregados, equivalentes a 9,67% da população ativa. Segundo o instituto de pesquisa e estatística da União Européia, Eurostat, nos 16 países da "área do euro", o desemprego já é da ordem de 10,7%, o que significa que nestes países há 15.808.000 desempregados. Um exército de reserva que a cada mês agrega 101.000 novos desempregados, na sua maioria homens com 50 anos e jovens até 25 anos à procura do primeiro emprego.

Todos os economistas admitem que, nos países da União Européia, o desemprego vai subir porque as empresas, na sua totalidade, visam o aumento da produtividade intensificando a exploração nos locais de trabalho com o aumento dos ritmos de produção, além de reduzir os custos de segurança. Desta forma, entre março de 2009 e de 20010, nos 27 países da União Européia, foram suprimidos 2.500.000 empregos, sendo 1.389.000 correspondentes à situação fabril nos 16 países da "área do euro". De fato, também nos países "ricos" da União Européia começa a agitar-se o fantasma do desemprego. Por exemplo, na opulenta Holanda, em 2009, o desemprego já atingia 4,1% da população ativa e, na Áustria, 4,9%.

Isto explica por que, em março, o Eurostat alertava que na Espanha os desempregados atingiam 19,1% da população ativa, enquanto na Grécia chegavam a 16% e na Itália alcançavam o limite histórico de 12%, sendo que o desemprego juvenil italiano atingia o recorde europeu, com 27%.

Um cenário que desmonta a ineficiência do modelo de "governança européia", representado pela União Européia e implementado sobretudo nos 16 países da "área do euro", onde as políticas dos governo conservadores, juntamente aos programas do neoliberalismo – sejam eles alemães ou britânicos –, não funcionam mais, a partir do momento em que este Estado moderno, para salvar sua essência representada pela sociedade de mercado, não pensa duas vezes em sacrificar a única riqueza do cidadão: sua força de trabalho e o salário.

Achille Lollo é jornalista italiano, diretor da ADIA TV e autor do vídeo "Palestina, Nossa Terra, Nossa Luta".

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sábado, 5 de junho de 2010

A CRISE É DO CAPITAL, MAS QUEM PAGA A CONTA SÃO OS TRABALHADORES

Uma grave crise se abate sobre a União Européia. A incapacidade de alguns dos países que a integram em honrar seu compromisso com o pagamento dos títulos públicos, sendo a Grécia sua primeira e mais notória vítima, levou as nações mais poderosas da UE (Alemanha à frente), a lançar um pacote de ajuda financeira aos países em dificuldade. O pacote não tem outro objetivo senão o de emprestar dinheiro aos países em dificuldades, para garantir que os ativos em risco de inadimplência, sejam resgatados. A soma de recursos mobilizados pode chegar à impressionante cifra de 1 trilhão de euros. Tudo para garantir que os detentores de títulos da dívida pública, em sua maioria banqueiros alemães e especuladores financeiros de todo o mundo, não vejam seu precioso dinheirinho se esfumar.

A conta dessa farra será paga pelos trabalhadores europeus. É que para ter acesso ao pacote de ajuda internacional, os países em dificuldade terão de aplicar medidas fiscais e econômicas duríssimas, com o fito de gerar um superávit capaz de pagar pelos empréstimos recebidos. O famigerado FMI, cujas receitas de ajuste econômico causam recessão econômica e atacam os interesses dos trabalhadores, cobrou dos países europeus “reformas urgentes”. Estas não passam de uma precarização do mercado de trabalho e o “saneamento” das contas públicas pelo corte de direitos e desmonte dos serviços públicos.A intenção é uma só: retirar direitos, cortar salários e reduzir o investimento público, visando garantir os lucros dos credores da dívida pública dos países europeus.

Na Grécia, o Congresso, dominado pelos social-democratas do PASOK, aprovou um corte de 20% nas aposentadorias e pensões, redução de 25% no salário dos funcionários públicos, aumento na idade da aposentadoria, diminuição do investimento nos serviços públicos, ataques às leis de proteção ao trabalho e privatização. Na Espanha, o governo socialista de José Rodríguez Zapatero anunciou um corte de 5% no salário dos funcionários públicos, congelamento no valor das aposentadorias e eliminação de uma ajuda de 2,5 mil euros que as mães recebem ao ter um filho. Outro socialista, o português José Sócrates, primeiro-ministro do governo lusitano, decidiu por cortar 5% dos salários dos funcionários públicos, além de elevar a alíquota de alguns impostos. Na Inglaterra, o novo governo anunciou corte de 7,2 bilhões de euros do orçamento, além de suspender por um ano a contratação de novos funcionários públicos. Na Alemanha o seguro desemprego será cortado em 50% e as idades para aposentadoria aumentarão de 60 para 65 anos no caso das mulheres e de 65 para 70 no caso dos homens. Na Itália, o governo neofascista de Berlusconi propõe o corte nos salários e na contratação de novos funcionários públicos, além de bloquear novos pedidos de aposentadorias. Na França, Nicolas Sarkozy quer elevar a idade para a aposentadoria mínima e o corte de benefícios extras para famílias com mais de três filhos.

Como vemos, serão os trabalhadores europeus que pagarão, com ataques aos seus direitos e até mesmo com redução salarial, a conta da crise do capital. Porém, não será nada fácil para a burguesia européia e mundial, artífices desses ataques, cobrar essa fatura. Os trabalhadores têm demonstrado disposição para resistir às investidas perpetradas pelas grandes potências capitalistas e seus governos. Na Grécia, em poucos meses, os trabalhadores já protagonizaram nove greves gerais com ampla adesão de massa. Em 29 de maio, em Lisboa, uma grande manifestação reuniu cerca de 300 mil pessoas e em outros países europeus o proletariado já principia algumas mobilizações para lutar contra as medidas de ajuste.

A reação dos trabalhadores europeus sinaliza um giro à esquerda por parte de uma classe operária com forte tradição de luta. Porém, a imposição de uma derrota à burguesia e ao seu plano de ajuste dependerá da capacidade da classe operária do Velho Continente em superar a influência ainda exercida pela ideologia e pela política social-democrata. Esta se constitui em um aparelho ideológico de Estado cuja função, na opinião de Poulantzas, é a de “inculcar a ideologia burguesa no interior da classe operária”. Um dos aspectos dessa ideologia é o de institucionalizar as lutas, encaminhando-as sempre para uma saída negociada e conciliatória entre capital e trabalho. Quiçá os termos draconianos do ajuste imposto pela burguesia européia, com apoio de governos social-democratas (casos de Portugal, Grécia e Espanha) e contando com a conivência de alguns partidos socialistas e suas centrais sindicais, levem a uma diminuição em sua base de massa. Mas para tanto, cabe aos comunistas e partidos operários uma tarefa de importância capital: ser, a exemplo dos comunistas gregos, o elemento mais ativo e decidido na organização das lutas que se anunciam e, ao mesmo tempo, através delas, ser capaz de apresentar uma saída anticapitalista e antiimperialista que pavimente o caminho para uma outra sociedade.

Campinas, junho de 2010.

Ricardo Nucci Jr
CC PCB