segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Greve Geral de 24 de Novembro Histórica jornada dos Trabalhadores Portugueses

Os Editores de ODiário.info

A Greve Geral de 24 de Novembro de 2010 paralisou o país.

 
Mais de três milhões de trabalhadores participaram directamente nesta jornada. Pararam grandes empresas industriais. Pararam importantes empresas de serviços, com particular destaque para os 400 balcões encerrados da CGD. Pararam os transportes rodoviários, ferroviários, marítimos, aéreos. De mais de 500 voos previstos, não se realizou um único. Encerraram os portos marítimos e grande parte dos portos de pesca. Pararam tribunais, hospitais, escolas e faculdades, serviços municipais, centros de saúde, postos de correio. Em todo o lado onde há trabalhadores houve adesão a este extraordinário dia de luta.

O impacto desta Greve Geral vai muito para além daqueles que nela participaram directamente. A Greve Geral teve a solidariedade activa da população. Teve a solidariedade de muitos pequenos e médios comerciantes e industriais, manifestada expressamente, por exemplo, no encerramento de pequenas empresas por iniciativa dos seus proprietários.

Todo o mundo do trabalho, e em todo o país, participou: operários, empregados, trabalhadores intelectuais, artistas e outros trabalhadores da cultura, homens, mulheres, jovens. Os trabalhadores precários, alvo da mais violenta pressão e chantagem não cederam, como o mostra, por exemplo, a significativa adesão nas grandes superfícies comerciais e hipermercados. Muitos milhares de trabalhadores fizeram pela primeira vez greve nesta impressionante jornada de luta. Não esquecerão, certamente, este dia em que tomaram o seu lugar no longo combate pela emancipação do trabalho.

Em 24 de Novembro de 2010, os trabalhadores portugueses realizaram uma magnífica afirmação de dignidade, de coragem, de consciência dos seus direitos, de recusa de uma política que faz deles o alvo de todos os sacrifícios, de todas as injustiças, da exploração mais desenfreada.

Esta jornada é, em si, uma extraordinária vitória. Pela dimensão que alcançou, pela clareza do que quis afirmar, pela forma como isolou o grande patronato, a política dos PEC’s, os partidos que a apoiam e o presidente da República que os apadrinha.

O Governo Sócrates, como é habitual, reagiu mentindo, falsificando dados de adesão, repetindo que não há alternativa à política que leva a cabo. Nunca como neste dia ficou tão desmascarado perante a realidade.

A realidade esmagadora de um país parado por vontade dos seus trabalhadores. Os mesmos que, com uma outra política, farão o país sair do atoleiro em que a política de direita o vem colocando.

Os Editores de o diário.info saúdam fraternalmente os trabalhadores portugueses pela histórica Greve Geral de 24 de Novembro. Trata-se de um muito poderoso passo em frente, num percurso que só as forças do trabalho serão capazes de construir.

A luta continua.

Fonte: http://www.odiario.info/?p=1877

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

INTERSINDICAL REALIZA EXISTOSO ENCONTRO NACIONAL


A Intersindical – instrumento de organização e luta dos trabalhadores – realizou seu III Encontro Nacional nos dias 13, 14 e 15 de novembro, em Campinas. Participaram cerca de 500 delegados, de 20 estados, representando mais de 60 ramos de atividade. Durante três dias, os delegados ao III Encontro debateram a conjuntura nacional, a reorganização do movimento dos trabalhadores, o plano de ação para o próximo período e organização e fortalecimento da Intersindical.

As discussões do Encontro se dividiram em duas mesas gerais – conjuntura e reorganização -, a organização por ramos de atividade- que realizaram grupos de discussão específicos - e exposições sobre as questões de etnia, gênero, GLBTT e juventude trabalhadora. A Unidade Classista expôs sua posição política em todas as mesas. Fizeram pronunciamentos, também, a Alternativa Sindical Socialista, a Consulta Popular e a Resistência Popular. Os grupos de discussão dos ramos de atividade se dividiram em metalúrgicos, servidores públicos, químicos, urbanitários, construção civil, vestuário e calçados, vigilantes e trabalhadores em comunicação. Houve, ainda, reunião de professores com vistas ao congresso da CNTE.

O III Encontro aprovou uma resolução final, ressaltando a necessidade da unidade de ação entre todas as organizações do campo de oposição ao capital e ao governo. Tal unidade de ação é pressuposto para a futura unificação orgânica da classe trabalhadora. A Intersindical, como resolução do Encontro, propõe um dia nacional de luta, ainda no primeiro trimestre, para enfrentar os ataques contra os direitos dos trabalhadores e avançar em novas conquistas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MOÇÃO DE APOIO À GREVE DOS SERVENTUÁRIOS DA JUSTIÇA

A Intersindical – Instrumento de Luta e Organização do Proletariado - vem a público manifestar a sua mais irrestrita solidariedade e apoio à greve dos trabalhadores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

A Intersindical repudia de maneira firme a repressão organizada pela Presidência do Tribunal de Justiça, que vem negando o direito de greve e descumprindo uma decisão judicial transitada em julgado.

Os companheiros do Sind-Justiça estão em greve desde 19 de outubro, reivindicando a imediata implantação de reajuste salarial, desde 1987, além da liberdade e autonomia sindical.

O desrespeito ao direito se manifesta no corte das licenças sindicais, transferência de grevistas para cidades distantes dos seus locais de moradia e corte de ponto, com desconto de salário.

Os companheiros da Intersindical reunidos em seu III Encontro Nacional reforçam a importância dos companheiros do judiciário carioca se manterem firmes na luta até a vitória, sempre.

Reunidos em Campinas - SP, dias 13, 14 e 15 de novembro, 500 sindicalistas, representando 20 Estados.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SEGUIR AMPLIANDO A INTERSINDICAL

SEGUIR AMPLIANDO A INTERSINDICAL – UM INSTRUMENTO A SERVIÇO DE DESVELAR A LUTA DE CLASSES RUMO AO SOCIALISMO

Resolução do III Encontro Nacional da Intersindical

13, 14 e 15 de novembro de 2010

Campinas/ São Paulo

 
As centenas de trabalhadores e trabalhadoras reunidos no III Encontro Nacional da Intersindical realizado entre os dias 13 e 15 de novembro de 2010 na cidade de Campinas /SP, após intensos debates acerca da realidade que vivemos no Brasil e no mundo e dos desafios que temos a enfrentar como um dos instrumentos que contribuem para reorganização do movimento da classe trabalhadora define como prioridade para o próximo período:

Seguir com unidade e coerência entre nossa elaboração e ação: Isso significa dizer que é preciso ver a realidade de nossa classe para além das fronteiras das nações. O Capital para recuperar-se de mais uma de suas crises intensificou os ataques à classe trabalhadora: demissões, redução de direitos e salários, é a formula fundamental para que o Capital busque a recuperação de seus lucros.

O Estado age como uma das principais contratêndencias para o que o Capital se recupere. Fartos recursos públicos injetados nas indústrias e bancos que logo se transformarão numa conta que o Estado cobrará dos trabalhadores.

O exemplo disso está por toda Europa, os governos preparam pacotes que vão desde a redução drástica dos programas sociais até eliminação de direitos dos trabalhadores. As greves gerais na Grécia no inicio desse ano contra as medidas impostas pelo governo em reduzir direitos e salários, as intensas greves gerais na França contra o pacote do governo que começa por aumentar a idade para aposentadoria dos trabalhadores. É o Estado cumprindo seu compromisso com a classe economicamente dominante: garantir fartos recursos ao Capital e cobrar essa fatura exatamente daqueles que produzem o lucro para esse mesmo Capital: os trabalhadores.

Nossa classe reage em intensas e extensas lutas em mais uma demonstração que a luta de classes pulsa de maneira densa, ora escancarada como se vive na Europa, ora oculta como em outros espaços desse mundo.

No Brasil a aparência do: “nada nos atingirá”: Em 2008 o governo dizia que a crise não chegaria aqui, para logo depois proclamar que ao chegar seria apenas uma marolinha. Para além da retórica do presidente a realidade: demissões em massa, redução de salários e direitos em categorias e regiões do país onde vários sindicatos e suas respectivas centrais pelegas ao invés de organizar a luta, escolheram a parceria com os patrões.

Já no segundo semestre de 2009 e por todo ano de 2010 a impressão que se manifesta no Brasil é que as saídas do Capital para crise tiveram um efeito “ameno” contra os trabalhadores. Pura expressão, nada mais do que uma forma que tenta ocultar o conteúdo.

O Estado se endividou até as tampas para garantir investimentos públicos para salvar empresas e bancos, isentou e diminuiu impostos das grandes indústrias e assistiu “indignado” o mesmo Capital demitir, arrochar salários e reduzir direitos.

A dívida que o Estado na Europa tentar colocar na conta dos trabalhadores logo chegará ao Brasil. Reformas, arrocho, maior intensificação dos ritmos de trabalho são as propostas dos patrões com o apoio dos governos que nos esperam em 2011.



CONTRA ESSES ATAQUES SÓ A ORGANIZAÇÃO E A LUTA QUE ROMPE COM AS CERCAS E NOS COLOCA EM MOVIMENTO COMO CLASSE.

A Intersindical não sucumbiu ao pacto com os patrões e seus respectivos governos, nas saídas impostas pelo Capital. Mais do que dizer não a redução de direitos e salários, organizamos a luta a partir dos locais de trabalho. Em seguida em vários ramos a partir de greves e paralisações da produção conseguimos reajustes salariais superiores a períodos anteriores, como garantimos a manutenção e ampliação de direitos.

Mas é preciso avançar ainda mais. O processo de precarização das condições de trabalho se intensifica através das terceirizações, contratos temporários, intensificação e aumento dos ritmos e da jornada que têm aumentado o número de acidentes, doenças e mortes nos locais de trabalho.

O necessário salto de qualidade é ampliar nossa organização e ação que rompa com as cercas impostas que nos dividem entre categorias, formais e informais, efetivos e terceirizados, desempregados, trabalhadores da cidade e do campo, imigrantes, isso tudo tem como objetivo explorar ainda mais nossa força de trabalho e fragmentar nossa luta.

A Intersindical seguirá organizando a luta a partir dos locais onde o Capital e seu Estado atacam a classe trabalhadora: nos locais de trabalho, moradia e estudo e seguirá tendo a iniciativa de unidade de ação com todas as organizações que não sucumbiram ao pacto com os patrões e seus governos e estão dispostas a ampliar a luta por nenhum direito a menos a para avançar nas conquistas.

A cada passo de nossa organização e luta a tarefa de desvelar o que o Capital e seus instrumentos tentam ocultar: a luta de classes e a necessidade de superar a sociedade capitalista e construir uma sociedade socialista.

Como prioridade já para o primeiro trimestre de 2011 organizarmos mobilizações nos locais de trabalho que reúnam as diversas categorias como passo que rompa com o corporativismo imposto pelos patrões e governos. Além disso, tomaremos a iniciativa de propor juntos a outras organizações do movimento sindical e popular que estejam dispostas a lutar a organização de um DIA NACIONAL DE LUTAS, que dever ser o inicio do processo das intensas mobilizações que devemos organizar contra os ataques que irão se intensificar no próximo período.



COM A CLASSE E NÃO EM SEU NOME

No processo de reorganização do movimento sindical, a Intersindical não sucumbiu ao mais do mesmo, ou seja, conseguimos consolidar e ampliar esse instrumento nascido em 2006 agindo nas contradições reais de nossa classe.

Não nos pautamos pela analise mecânica e superficial que basta decretar uma nova central para que os problemas de fragmentação da classe trabalhadora estejam resolvidos. E ao não abrir mão de seguir construindo a Intersindical- Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, a ampliamos em diversos ramos e estados do país, pois o fizemos com a nossa classe e não apenas em seu nome.

Acreditamos que a criação de novos instrumentos que possam garantir unidade de organização e ação numa central sindical, serão frutos das ações que formos capazes de organizar a partir da base onde os trabalhadores vivem no dia a dia os ataques do capital e não a partir de decretos com data e hora pré-determinada em nome da classe, sem a classe.

A partir de nossa analise, do balanço, das ações organizativas e de luta que nos trouxeram até aqui o III Encontro Nacional decide seguir ampliando a Intersindical como um Instrumento de Organização e Luta que contribui de maneira determinante para o processo de reorganização que vivemos.

Intensificaremos a ampliação de nosso Instrumento de Organização, como ampliaremos nossas lutas nos locais de trabalho, estudo e moradia e seguiremos tendo as iniciativas necessárias de unidade de ação com as todas as demais organizações que estejam dispostas a de fato lutar.

POR NENHUM DIREITO A MENOS E PARA AVANÇAR NAS CONQUISTAS

PARA CONTRUIR A GREVE GERAL

PARA DERROTAR O CAPITAL

AQUI ESTÁ A INTERSINDICAL

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

INTERSINDICAL Instrumento de Luta dos Trabalhadores Brasileiros

O momento em que se realiza esse Encontro da Intersindical representa um ponto de retomada das lutas da classe trabalhadora em todo o mundo. Na Europa, a retomada das lutas surge como resposta aos projetos da burguesia de fazer com que as massas paguem o preço da crise pela imposição de um conjunto de contra-reformas. Para sanar a crise do capital, os governo da União Européia, inclusive aqueles que nominalmente se dizem socialistas ou social-democratas (caso da Espanha e Grécia), apresentam como saída um profundo corte nos gastos públicos, cujos impactos se farão sentir na demissão de funcionários públicos e em uma nova reforma de previdência social que dificultará ainda mais o acesso à aposentadoria. É em reação a tais planos de ajuste que os trabalhadores europeus, especialmente os da França e Grécia, têm protagonizado grandes lutas de massa, realizando em curto período de tempo várias greves gerais.

É importante considerarmos que a magnitude dos ataques contra os trabalhadores pode representar o começo do fim das ilusões com a social-democracia e com a construção de um Estado de bem-estar social. Esse movimento poderá abrir uma nova conjuntura mundial onde os trabalhadores, em reação aos ataques sofridos, adquiram um protagonismo capaz de oferecer saídas alternativas a ordem capitalista. Em outras palavras, dentro da impossibilidade do capital superar a crise sem retirar direitos, podemos estar assistindo o aparecimento de uma retomada das lutas operárias de orientação anticapitalista.

Mas os ataques do capital não se resumem apenas ao âmbito da esfera econômica e na retirada de direitos dos trabalhadores. A crise também aumenta a agressividade do capitalismo, que tendo à frente o imperialismo norte-americano, acena com a possibilidade de novas guerras como forma de manter a produção aquecida e, assim, superar a crise. Tais fatos demonstram que o capitalismo a cada dia se torna uma ameaça à existência da espécie humana, precisando ser urgentemente derrotado para não sucumbirmos num aumento ainda maior da barbárie e de uma crise de dimensões ainda maiores.

No Brasil, a crise econômica não atingiu o mesmo nível das economias centrais. Nem por isso os ataques aos trabalhadores foram menores. As demissões, a rotatividade da força de trabalho como forma de reduzir salários e direitos, as terceirizações e as mudanças na legislação trabalhista continuam se aprofundando, com os argumentos oportunistas de que são medidas “necessárias para fazer frente e defender a economia brasileira da crise internacional”. Isso deixa claro que para o capital, quem sempre deve pagar o preço de sua crise são os trabalhadores. Além das demissões, os efeitos da crise no Brasil foram sentidos pelos trabalhadores de outra forma, pela intensificação, para os que ficaram na produção, do ritmo de trabalho e no grau de exploração.

Enquanto o capital recebeu gordos benefícios por parte do Estado para não verem seus lucros diminuídos, aos trabalhadores restou amargar o desemprego, a intensificação da exploração e medidas paliativas como o aumento de parcelas do seguro desemprego. Isso mostra que tanto no Brasil como no mundo, a ação do Estado capitalista, no sentido de salvar o lucro das empresas, jogou por terra toda a cantilena neoliberal do Estado mínimo. Diante da crise o Estado foi máximo, agindo para salvar os interesses do capital.

A nova presidente eleita já demonstrou que aprofundará as medidas de ajuste fiscal e de medidas macroeconômicas de interesse do capital, podendo também aprofundar a já precária condição do trabalho em nosso país, dando continuidade ao ciclo de contra-reformas que poderão atingir a previdência social, os direitos trabalhistas e aprofundar ainda mais as precárias condições para a venda da força de trabalho.

Esse quadro de ataque aos nossos direitos previsto para o próximo período encontra o movimento sindical dividido e fragmentado. De um lado, o campo abertamente governista, formado por centrais sindicais pelegas e neopelegas (CUT, Força Sindical, UGT, CTB e NCST), cuja lealdade ao governo é garantida pela repartição que este faz com as centrais do dinheiro do imposto sindical. Estas centrais, durante a crise, foram cúmplices e participantes ativos dos ataques promovidos pelo capital contra os trabalhadores, ao assinarem acordos que rebaixavam direitos, como salários, em nome da manutenção dos empregos. De outro, há um campo antigovernista, (formado pela Intersindical, pela Conlutas, e por organizações sindicais ligadas ao Psol) herdeiro de uma concepção classista e combativa, que busca reorganizar o movimento da classe, mas que se encontra dividido e fragmentado.

Os trabalhadores brasileiros, em sua rica história de lutas, vivenciaram diversas experiências organizativas. Todas essas experiências refletiram o momento histórico vivido pela luta dos trabalhadores e o seu grau de organização. Tiveram o seu surgimento, existência e desaparecimento condicionados pela necessidade histórica de os trabalhadores construírem as suas organizações para enfrentar o capital, naquele estágio da luta de classes.

A superação dos limites organizativos impostos pelo Estado, com a circunscrição dos sindicatos à representação das respectivas categorias, sempre foi bandeira do movimento sindical em nosso país. A luta pela liberdade e autonomia sindicais sempre esteve presente na pauta da classe trabalhadora.

Do bojo da CUT surgem duas experiências organizativas dos trabalhadores no país: a Intersindical e a Conlutas. A Intersindical foi fundada pelos setores que romperam com a CUT no processo congressual dessa entidade no ano de 2006. A Intersindical surgiu como um instrumento de organização e luta dos trabalhadores. Participaram de sua fundação a Unidade Classista - PCB, a ASS e as correntes do PSOL que não faziam parte da Conlutas: a APS, o Enlace e o Csol. Mesmo sem organização em todos os estados, a Intersindical teve um papel relevante nas lutas do último período.

Em 2008, no II Encontro Nacional da Intersindical, em São Paulo, após um profundo debate sobre a oportunidade ou não de se criar a Central Sindical naquele momento, precipitou-se uma fissura nesse encontro, tendo como eixo norteador a continuidade da Intersindical ou a unificação com a Conlutas. As correntes do PSOL optaram pela estratégia de unificação com a Conlutas, o que redundou na convocatória para o Congresso de Santos, em 05 e 06 de junho deste ano. Por outro lado, os comunistas, a ASS e independentes optaram por reforçar a Intersindical como instrumento de organização e luta dos trabalhadores.

O Congresso de Santos, que teria como objetivo principal a unificação da Conlutas com as correntes do PSOL que reivindicam a Intersindical, terminou com a retirada dessas correntes, juntamente com Unidos pra Lutar e do Movimento Avançando Sindical. O fracasso da tentativa de unificação tem causas que transcendem o Congresso e evidenciam as contradições de concepção de central, da metodologia de sua construção e de condução do processo em si.

A UC contrapôs à concepção de central sindical e popular defendida pela Conlutas, a necessidade de uma organização que expresse a intervenção dos trabalhadores enquanto classe, tendo como mote a contradição capital-trabalho. Os movimentos contra a opressão – anti-racismo, gênero, diversidade sexual – devem ser entendidos pelo ponto de vista de classe. Essas questões são importantes, mas são dimensões da exploração e da opressão do capital sobre o trabalho. Sem essa compreensão, os movimentos contra a opressão se tornam movimentos de busca por melhores condições de participação na dinâmica do sistema capitalista.

Todas as experiências organizativas dos trabalhadores brasileiros refletiram uma necessidade colocada pelo grau de mobilização do movimento operário. Apesar de lutas significativas de diversos ramos e categorias, a mobilização da classe trabalhadora não possui ainda um caráter nacional. A necessária unidade de ação do conjunto da classe é uma tarefa para este momento. Para tal, a ação da central supera o puro e simples economicismo. Ultrapassa, também, as manifestações espontâneas dos trabalhadores. A ação econômica, sem politização, descamba no peleguismo e na adaptação do movimento operário ao jogo da concorrência capitalista. Ou seja, não bastam conquistas salariais e de melhores condições de trabalho. Também é importante superar o obreirismo, evitando a divisão entre setor público e privado, situação formal ou informal, lutas da cidade e do campo.

O patamar da luta de classes no Brasil coloca para os trabalhadores a necessidade da construção de uma Central Sindical Classista. O maior patrimônio do movimento operário é a sua unidade. Mas essa unidade não pode ser construída burocraticamente. Promover essa unidade de ação é responsabilidade dos setores que se reivindicam de vanguarda. Nós da UC estamos dispostos a participar de todas as discussões necessárias à construção da unidade de ação e do programa capazes de nortear o caminho para a efetiva criação da Central Sindical Classista, uma central autônoma frente ao governo e ao patronato, que tenha centro nas organizações sindicais da classe trabalhadora. A construção dessa central não pode ser fundada por mero ato de vontade. Sua concepção tem que ser debatida a fundo entre as organizações da classe e não pode se submeter apenas às disputas entre partidos e correntes. A Central surgirá como uma construção da luta dos trabalhadores em nosso país, juntamente com a sua vanguarda, organizada na unidade de ação.

Nesse sentido, fortalecimento da Intersindical - instrumento de organização e luta dos trabalhadores – passa pela firme determinação de ampliar a luta dos trabalhadores, contra o capital, desde a base, e com todas aquelas organizações sindicais classistas que, nesse difícil momento, lutam para resistir aos ataques do capital e para avançar nas conquistas. Para o fortalecimento da Intersindical, devemos buscar garantir a participação de todas as organizações que entendem a necessidade de construção de uma Central Sindical Classista surgida da ação e do debate entre as diversas forças representativas da classe trabalhadora, que se dedicam de fato à unidade e à organização da classe no enfrentamento ao capital e na perspectiva da construção da sociedade socialista em nosso país.

UNIDADE CLASSISTA/PCB

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www.pcb.org.br / pcb@pcb.org.br

sábado, 6 de novembro de 2010

Para defender os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras!

COMUNICADO

Através deste comunicado, a Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras comunica ao povo hondurenho em Resistência, às trabalhadoras e trabalhadores empregados, desempregados ou que se encontre em qualquer outra condição econômica e à comunidade internacional, o seguinte:

1. Denunciamos que o decreto aprovado pelo Partido Nacional, no início da noite no Congresso, é inconstitucional. Ele significa outra investida do regime de força de Porfirio Lobo, que dá continuidade às políticas de repressão iniciadas pelo golpe de Estado contra os trabalhadores e seus estatutos.

Denunciamos que, além de inconstitucional, este decreto é ilegal, pois rompe o estado de direito e promove a convulsão social. A agitação social ocorre devido à contínua violência contra as conquistas de todos os trabalhadores e trabalhadoras de Honduras, afetando direta e ilegalmente os direitos trabalhistas obtidos ao longo de décadas de luta.

2. A oligarquia nunca para de explorar os trabalhadores para manter seus privilégios, ainda que isto signifique o derramamento de sangue do povo. É evidente que continuam entregando nossos recursos naturais ao apoiarem isenções aos fast foods, às termoelétricas, aos bancos e aos poderosos meios de comunicação.

3. Declaramos que a luta do povo trabalhador, não importando sua condição de emprego, é uma luta da Frente Nacional de Resistência Popular. Tal luta, invoca o princípio estabelecido de que todos os direitos trabalhistas são irrenunciáveis. Sendo assim, é obrigação do Estado e nossa defendê-los.

4. Queremos deixar claro que a violação destes direitos não são fatos isolados. São consequências do golpe de estado que permanece com suas ações geradas a partir da classe dominante, através do FMI e da embaixada dos EUA, tendo como objetivo reduzir a massa salarial, para debilitar o setor social e desarticular as organizações sociais do povo.

É mentira a falta de recursos. Possuem recursos, pois isentam o setor privado. Possuem recursos, pois gastam em bombas para nos reprimir e com gastos militares para dar golpes de estado. Possuem recursos, pois são feitos depósitos em contas milionárias, em Miami, pertencentes a dirigentes, donos de meios de comunicação e meios de produção financeira, que somente os usam para defender Micheleti e aos militares que assassinaram a democracia.

5. Condenamos energicamente as manobras que objetivam enganar, mais uma vez, o setor magisterial e os trabalhadores. Também condenamos as covardes estratagemas urdidas para dividir a FNRP. A FNRP é a nossa organização, digna representante das lutas populares e verdadeiro guia do povo para a refundação da pátria e tomada do poder em Honduras.

6. Mais uma vez reiteramos nossa denúncia sobre a duplicidade do regime de Porfirio Lobo. Este regime viola, sistematicamente, os mais elementares direitos dos seres humanos e mente, descaradamente, para fazer crer ao mundo que o Estado de direito em Honduras é deixar impune os crimes e atirar ao povo os custos do fracasso do modelo econômico, com crimes contra a humanidade. Neste sentido, chamamos a atenção dos povos e governos do continente para que não sejam vítimas das falácias deste regime vergonhoso, gerado e sustentado com o sangue de tantas pessoas inocentes, cuja única falta é lutar contra a oligarquia, por uma sociedade mais justa e igualitária.

7. Conclamamos todos os membros da Frente Nacional de Resistência Popular a participarem ativamente de todas as ações convocadas pela FNRP, em apoio aos professores, aos trabalhadores camponeses e aos indígenas. É necessário estarmos conscientes de que enquanto não se restabelecer a ordem constituinte e as forças populares tomarem o poder do país, os problemas em Honduras não serão corrigidos. Portanto, permaneçam atentos às comunicações que serão feitas pelos meios já previstos.

O Partido Nacional que hoje governa representa a oligarquia!

Não existe pátria sem trabalhadores!

Resistimos e Venceremos

Tegucigalpa, 28 de outubro de 2010

José Manuel Zelaya

Coordinador

Juan Barahona

Sub Coordinador

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nota Unidade Classista: Solidariedade com os Servidores da Justiça do RJ

Nota de Solidariedade aos Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em greve desde o dia 19 de outubro

A Unidade Classista/PCB, que participa da organização da Intersindical, vem de público se solidarizar com os Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro e com os Coordenadores do Sind-Justiça, diante da truculência do Presidente do Tribunal de Justiça, que age contra o legítimo direito de greve e da livre organização e reivindicação dos servidores do Poder Judiciário.

Da mesma forma, o Governo Estadual de Sérgio Cabral (PMDB, PT e PCdoB), que tem tratado os serviços públicos e os Servidores do Estado com pancada, sacando armas, terceirizando e privatizando suas atividades, deixa clara sua política de criminalização dos movimentos sociais e de desrespeito, inclusive, do processo judicial transitado em julgado que dá, aos Servidores da Justiça, o direito ao reajuste de 24%.

Em represália à mobilização dos Trabalhadores do Tribunal de Justiça, a “Casa da Justiça”, que deveria ser a primeira defensora dos direitos assegurados na Constituição Federal, mostra sua real face: desrespeita o direito constitucional de greve, corta o ponto de servidores legitimamente em greve e cassa licenças sindicais, chegando a promover remoções arbitrárias, revogadas com a unidade e a determinação do conjunto da categoria em greve.

Diante da ofensiva de um Estado que se coloca nitidamente ao lado da burguesia, que criminaliza os movimentos sociais, sindicais e populares, só resta aos trabalhadores a luta, a organização e a mobilização. Mais do que nunca, são necessárias unidade e combatividade dos trabalhadores numa conjuntura internacional de acirramento da luta de classes, a exemplo dos trabalhadores da Europa que, em mobilização permanente, colocam-se em combate em defesa de seus direitos.

Lutar Não é Crime!

– Decisão judicial é para ser cumprida!

– Pelo imediato pagamento dos 24%, para todos os Servidores da Justiça!

– Pelo legítimo direito de greve dos trabalhadores!

– Toda Solidariedade aos Servidores da Justiça e ao conjunto da classe trabalhadora!

– Nenhum direito a menos!

– Avançar nas conquistas!

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2010

Unidade Classista/PCB, fortalecendo a Intersindical

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(21) 2509-2056

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sobre a Barbárie Imperialista, A Crise do Capital e a Luta dos Povos


III Encontro Civilização ou Barbárie

Comunicação de Miguel Urbano Rodrigues

Sobre a Barbárie Imperialista,

A Crise do Capital e a Luta dos Povos

Miguel Urbano Rodrigues

Camaradas e amigos

Nós, participantes neste Encontro, reunidos em Serpa, temos consciência de que o planeta Terra enfrenta uma crise global de civilização que pode ter como desfecho a extinção da Humanidade.

Contribuir para que se difunda a consciência dessa ameaça, inseparável do funcionamento de uma engrenagem monstruosa, é hoje uma tarefa revolucionária.

Difícil de assumir porque na vastidão do mundo as grandes maiorias ainda não se aperceberam de que a superação da actual crise passa pelo desaparecimento do capitalismo.

Na era da informação instantânea, a desinformação alastra. Como o capital controla o sistema mediático a nível quase planetário, a mentira é imposta como verdade aos povos. Nunca a alienação das massas foi tão cientificamente trabalhada por aqueles que as exploram. Uma contra-cultura alienante, exportada pelos EUA, contribui para a passividade das massas e um consumismo irracional, robotizante.

Uma mentira perigosa que diariamente percorre o mundo é a que projecta a imagem dos EUA como vencedores da mal chamada crise financeira.

Embora tecnicamente os EUA não estejam em recessão, é falso que se encaminhem para uma recuperação. Isso porque a crise neles iniciada é uma crise estrutural do capitalismo, simultaneamente económica, ambiental, militar, social, energética, cultural.

Aproximadamente 30 milhões de trabalhadores estão desempregados ou subempregados, mas os lucros das empresas aumentam ali prodigiosamente. O Washington Post, porta-voz do establishment, reconhecia em 30 de Julho, num artigo de Steve Pearlstein, que no mundo real as empresas existem para criar lucros para os accionistas e não empregos. Na mesma semana, o The New YorK Times sublinhava que a queda das vendas é acompanhada por um aumento dos lucros. Um exemplo: a Ford reduziu a metade a sua força de trabalho nos últimos cinco anos. Inicialmente perdeu 20 mil milhões de dólares. Mas este ano anuncia um lucro provável de 5 mil milhões de dólares. Fred Goldstein, do International Action Center, lembra-nos que os capitalistas instalam tecnologias concebidas para destruir empregos, porque a lógica do sistema exige que a produção seja reduzida para as empresas serem rentáveis.

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