segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Greve da Unifesp, luta e resistência contra a política de educação do Banco mundial

A Greve da Unifesp

 
O PCB foi parte integrante, ativa e construtora do processo de greve da Unifesp em 2010 e sente-se obrigado a fazer breves considerações avaliativas sobre o processo de lutas que aconteceu de maneira combativa e vitoriosa.

Em primeiro lugar, é necessário que se deixe bem claro a posição convicta da gestão "em luta!" do DCE-Unifesp, que o PCB apoia e participa, de que não se conquista nada pela via institucional e não se luta através da burocracia. Em contrapartida, acreditamos no materialismo, na contradição, na praxis e no poder popular, portanto, defendemos a mobilização estudantil e sua unidade programática com o movimento popular, social e sua solidariedade ativa com a classe trabalhadora.

A representatividade do Consu segue a divisão injusta de 70% para professores e 30% divididos entre estudantes e trabalhadores, a democracia interna é inexistente e as medidas privatizantes, excludentes e precarizadoras do Reuni do governo federal mostram que é claro que não há condições de atingir conquistas materiais para a comunidade acadêmica por essa via, afinal, as condições de enfrentamento são insuportáveis. A partir daí, vemos como essa proposta, defendida em muitos momentos por militantes do PSDB envolvidos na dissolução do processo de lutas, está sustentada numa falácia e só serve aos interesses da reitoria e do governo, logo, interessa à burguesia.

É nesse sentido, que defendemos a forma de luta adotada em Guarulhos e Santos, a greve conseguiu avanços políticos jamais conquistados antes, pressionou a reitoria com legitimidade e em condições de igualdade, deu um salto qualitativo no que se refere a problemas organizacionais do movimento e trouxe maior amplitude às visões políticas dos estudantes em luta, além de conquistar avanços no que se refere à instâncias de debate e negociação com a burocracia.

A greve em Santos teve unidade estudantil, apoio docente e assim teve maiores conquistas, no entanto, não tudo que se almejava, mesmo assim, o movimento avançou e deliberou tranquilamente a volta às aulas depois de um processo de lutas importantíssimo. O DCE, por questões físicas e materiais não conseguiu, embora fosse o seu desejo, acompanhar mais de perto as contradições internas do movimento em Santos, contribuindo para resolvê-las e para avançar nas conquistas. No entanto, temos a certeza de que a colaboração mútua entre o ME organizado em Santos e o DCE é imprescindível, já existe e terá vida longa.

A greve em Guarulhos também negociou com o reitor no Campus Guarulhos - demonstração do avanço organizacional e de legitimidade do movimento - e numa reunião de 5 horas conquistou pouca coisa materialmente, mas saltou qualitativamente em vários aspectos. É necessário, entretanto, que se aponte alguns problemas surgidos.

Primeiramente, considere-se que após a deliberação da paralisação, formou-se um comando de greve, como fórum articulador das ações e deliberações do movimento grevista em Guarulhos, o que caracteriza maturidade política e organizacional, a partir daí diversas ações internas, como palestras e aulas públicas ministradas dentro da universidade paralisada, e externas, como os atos em frente à reitoria e a organização do Ato das universidades em luta, que agregou estudantes da PUC, Unicamp, USP, Unifesp, Fundação Santo André e Mackenzie, foram organizadas e empreendidas com sucessso, pressionando a burocracia e demonstrando força do movimento estudantil. Organizações de esquerda também ajudaram a construir o movimento, entre eles o PCB, PCO, MNN, MEPR, PCR e outros.

O PCB considera que o centro acadêmico de história teve importante papel na construção da greve e compartilha de diversas opiniões e alinhamento político dessa entidade, por isso os chama de companheiros, no entanto, discorda firmemente da posição adotada por eles nas duas últimas assembleias ocorridos no período da paralisação, a de finalizar a paralisação se convocar uma segunda rodada de negociações com a reitoria, a nosso ver, isso apenas fortaleceu a reação interna. Ao invés de contribuir para sanar a contradição conciliável que surgiu frente ao comando de greve, permitiu que sua proposta, lançada pelo próprio CAHIS, fosse deliberada e assim, a greve fosse finalizada.

Consideramos que esse processo de lutas teve inestimável valor para a experiência, criatividade, organização, política e ideologia dos estudantes. Esse processo de lutas mostrou que a análise concreta da realidade concreta faz com que percebamos a existência de contradições, que podem se dividir em antagônicas e conciliáveis e que o manejo com cada uma delas deve ser diferenciado; mostrou que os desmando da reitoria não serão tolerados passivamente e que os estudantes armados de ideologia e organização podem atingir seus objetivos e conquistar aquilo que almejam, não aceitando a castração ditatorial da reitoria e, assim, dando o exemplo à classe trabalhadora, mostrando esta que a conquista do socialismo está intrínseca à luta pela universidade popular.

A perspectiva do movimento estudantil na Unifesp agora é a construção do II Forum Estudantil da Unifesp, única ferramenta capaz de unificar um programa e formas de ação e luta para os estudantes, o que impedirá que a inércia e a passividade do movimento estudantil em 2009 se repitam; A construção da calourada também é importantíssima para agregar novos estudantes às lutas e mobilizações e o congresso do DCE que irá revitalizar a organização do movimento estudantil.

A nossa palavra de ordem agora é unidade programática já !

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Grécia: Mobilização maciça na greve geral de 15 de Dezembro

por KKE

No dia 15 de Dezembro verificou-se a 14ª greve geral no espaço de um ano (desde 17/Dez/2009) contra as bárbaras medidas anti-povo do governo social-democrata, com o apoio da UE e do FMI.

A mobilização nesta greve de 24 horas, convocada pela Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), abrangeu todas as esferas da vida económica e social do país: Produção suspensa nas fábricas, transportes públicos parados, aeroportos e portos que cessaram de funcionar, escolas e universidades fechadas e hospitais a trabalharem só nas emergências.

Milhares de comunistas, membros do KKE e da KNE, juntamente com outros militantes, estavam na linhas de piquete desde o amanhecer de 15 de Dezembro a defenderem a greve nos portões das fábricas, nas rampas dos navios e em todo o local de trabalho onde fosse necessário.

Em 15/Dez o PAME organizou manifestações em 63 cidades, nas quais participou a grande maioria dos trabalhadores grevistas, mostrando deste modo que cada vez mais trabalhadores estão a virar as costas às lideranças sindicais comprometidas das federações no sector público e privado (GSEE e ADEDY), as quais participaram tanto abertamente como em segredo nos diálogos sociais que decidiram estas medidas selvagens contra ostrabalhadores.

Os auto-empregados e os agricultores pobres e médios manifestaram-se junto com os trabalhadores e empregados, enquanto era evidente por toda a parte a maciça participação da juventude (estudantes e trabalhadores) nas mobilizações da greve.

Nas vésperas da greve nacional

Deve-se notar que nas vésperas da greve a maioria governamental aprovou no Parlamento legislação que aboliu acordos de negociação colectiva, cortou salários, aumentou a tributação indirecta para os estratos populares e reduziu a tributação sobre o grande capital.

Especificamente a legislação estabelece:

A redução geral de salários (de 10 a 25%) de trabalhadores nas antigas indústrias estatais e nas companhias de serviços públicos
Abolição de acordos de negociação colectiva a nível de indústria no sector privado e sua substituição por "acordos especiais a nível de companhia", sem quaisquer restrições e com cortes nos salários acima de 30 e 40%
Generalização de demissões, todas as formas de relações de trabalho flexíveis (emprego em tempo parcial, emprego por rotação, despedimentos colectivos temporários, etc), mudanças drásticas em turnos, férias, licenças, bónus ficarão ao arbítrio do patronato.
A redução de horas extras em 10%
O período de experiência para um novo empregado será aumentado de 2 meses para 12 meses, de modo a que os empregadores possam empregar trabalho barato através desta forma de "reciclagem"
O aviso prévio para demissão é reduzido a um mês
Alívio fiscal maciço para o capital
O KKE combateu no parlamento esta legislação anti-povo, ao mesmo tempo que os comunistas e as forças sindicais com orientação de classe que estão reunidas no PAME desempenharam um papel importante nas greves em uma série de sectores, os quais tem avançado desde o princípio da semana.

Na terça-feira 14/Dez, foi efectuada uma reunião entre a secretária-geral do CC do KK, Aleka Papariga, com o primeiro-ministro do país, G. Papandreu, a pedido deste último. "Não houve consenso com nada. Nossa avaliação é que a guerra real está a começar agora". Isto é uma posição clara e não negociável do KKE em relação às políticas do governo e dos seus aliados e também em relação às tentativas de promover um clima de consenso em relação ao extermínio do povo. Foi o que reiterou a secretária-geral do CC do Partido, nas declarações imediatamente após a reunião, a qual fora solicitada pelo primeiro-ministro para tratar das questões que serão discutidas na próxima cimeira da UE.

No comício em Atenas

Dezenas de milhares de trabalhadores e jovens participaram na manifestação de massa organizada pelo PAME na Praça Omonoia, no centro da cidade. Dali seguiu-se uma marcha maciça através das ruas de Atenas que passou pelo Parlamento na Praça da Constituição.

No entanto, os media internacional mais uma vez concentraram-se sobre os incidentes isolados dos mecanismo de provocação da polícia e não sobre as centenas de milhares de trabalhadores que se manifestaram em dúzias de cidades gregas.

Aleka Papariga, chefe da delegação do KKE que participou no comício central do PAME em Atenas e na marcha maciça que se seguiu, fez as seguintes declarações aos jornalistas: "Não ao consentimento. Não ao cessar fogo. Medidas secretas e oficiais foram programadas para serem executadas até 2014.

"Ou o povo será levado à bancarrota ou o sistema político, nós combateremos contra isso, lutaremos e finalmente os derrubaremos. Não há outra opção. Vinte anos atrás os trabalhadores podiam obter algumas vitórias através das suas lutas, mas hoje precisamos de mudança radical e só o povo pode produzi-la".

Pontos básicos do principal discurso do comício

O orador central do comício, Giorgios Perros, membro do secretariado do PAME, saudou em nome do PAME, PASEBE, PASY, MAS e OGE os milhares de trabalhadores, jovens, desempregados, empregados, auto-empregados, que hoje unem os seus punhos, a sua força, a sua luta conjunta e também a sua necessidade de reforçar a luta contra o inimigo comum – o governo, os monopólios, seus representantes políticos, a UE, os quais em conjunto de um modo unificado golpeiam a vida da nossa classe e que também arruínam os auto-empregados e liquidam os agricultores pobres.

E acrescentou: "A responsabilidade do movimento orientado de classe aumenta dia a dia. As grandes lutas, os conflitos duros com as transnacionais estão diante de nó. Nós nos prepararemos e cumpriremos.

Ninguém deve assentir e aceitar as novas medidas bárbaras que condenam a nós e aos nossos filhos à pobreza, desemprego, insegurança. Ninguém deve acreditar mais nas mentiras e na chantagem do governo PASOK e ND. O novo crime anti-trabalhadores que ataca salários e direitos trabalhistas não tem relação com o défice a dívida.

Eles condenam famílias da classe trabalhadora à pobreza de modo a que os grandes homens de negócios que ontem fizeram uma fortuna façam agora ainda mais lucros.

O comício e a greve de hoje são especialmente importantes. Eles não são apenas mais uma greve e manifestação.

Eles são especiais não só por causa da sua dimensão e militância
Eles são especiais não só porque exprimem a rejeição total e a condenação destas medidas bárbaras e opressivas do governo, da associação de industriais e da Troika. Nós o rejeitamos e devolvemos ao governo, ao primeiro-ministro, seus ministros, os deputados do governo e também os do ND e LAOS com as suas falsas e hipócritas lágrimas quanto aos tormentos dos trabalhadores. Eles não estão simplesmente a atacar direitos mas a salvaguardar e fortalecer a ditadura dos monopólios.
Eles são especiais, porque este comício, esta greve, pode tornar-se o ponto de partida para desenvolvimentos e mudanças no movimento trabalhista e sindical.
Apelamos a que concordem com uma linha unificada de luta:

1) Devemos resistir em toda fábrica e empresa contra contratos a nível de companhia ditados pelos empregadores

2) Devemos criar em toda fábrica e vizinhança um movimento de solidariedade

3) Assumamos hoje a responsabilidade para que a luta pelos sindicatos adquira um carácter de massa.

Apelamos a que concordem sobre uma questão crucial para o futuro do movimento e das lutas.

Fortalecimento do PAME por toda a parte:

Devemos mudar e reverter a correlação de forças
Isso tem de ser algo que preocupe todos nós
Devemos livrar o movimento sindical do veneno do governo e do sindicalismo a reboque do patronato.
Neste ponto do discurso Giorgios Perros sublinhou que:

É uma mentir que a redução drástica dos salários já inaceitáveis, o esmagamento dos nossos direitos trabalhistas, estejam a ser executados a fim de impedir demissões e tratar do desemprego. A verdade é que o desemprego aumentará e trabalhadores serão demitidos sob este regime de trabalho sem direitos e salários de fome. A crise capitalista, a competição capitalista e o fortalecimento dos monopólios dão origem ao desemprego e aumentam-no. Ninguém deve esperar um salvar de parte alguma.

A mensagem de desobediência e desafio não se restringe ao nosso país. Ela tem percorrido a Europa. Ela ajudou e contribuiu para a organização de lutas, para o contra-ataque contra as políticas anti-povo. De modo a que novas forças possam ser libertadas das engrenagens do governo e do sindicalismo ao serviço do patronato, dos partidos da plutocracia e da rua de mão única da UE.

Tem-se tornado cada vez mais claro que dois mundos estão a participar neste conflito, duas estratégias. Por um lado o mundo dos monopólios, com todos os seus sustentáculos, e por outro o mundo do trabalho, com os seus sindicatos, o movimento com orientação de classe, com solidariedade, com o espírito de auto-sacrifício que as luta de classe exige.

Não tenhamos ilusões. Naturalmente a política anti-povo não foi derrubada. Temos um grande benefício que é bastante significativo e devemos utilizá-lo. Está a ser formada uma corrente de forças que tem um melhor entendimento do que em qualquer outra época da espécie de movimento que é necessária, e que um movimento com as características que desejamos não se desenvolve sem obstáculos. A necessidade de uma confrontação em plena escala com o patronato e o sindicalismo pró-governamental e uma mudança no equilíbrio de forças é melhor compreendida. Assim como a necessidade de afastar os partidos da plutocracia, e aqueles que pretendem branquear as políticas da UE...

Não deve haver a ilusão de que uma greve seja suficiente para responder à destruição da vida da classe trabalhadora. A luta é difícil e exige muito esforços, sacrifício, paciência, boa preparação, planeamento, controle, actividade e trabalho de propaganda. Precisamos de forças bem preparadas e determinadas para impor rupturas na correlação de forças.

Nenhum compromisso ou recuo face às dificuldades, eles devem ser lidados e ultrapassados através da actividade.

Não basta condenar as políticas anti-povo. Os resultados das mobilizações e greves não podem ser julgados em um dia. As greves e manifestações continuarão depois de a legislação ser votada. Elas devem ser uma etapa de preparação para a classe trabalhadora, os auto-empregados, os agricultores pobres, efectuarem um contra-ataque em escala total.

Existem hoje as pré-condições objectivas para uma outra forma de organização da nossa sociedade a qual terá como característica básica a decisão dos trabalhadores e dos estratos populares para transformar a propriedade dos monopólios em propriedade social popular. Energia, telecomunicações, transportes, riqueza mineral, indústrias manufactureiras, a terra e outras ferramentas do desenvolvimento devem tornar-se propriedade do povo.

Isto deve ser desenvolvimento de um modo científico, através do planeamento central, levando em conta as necessidades das várias indústrias e regiões. O controle social dos trabalhadores será salvaguardado neste caminho de desenvolvimento e o nosso país deixará a UE e a NATO. Só então o povo viverá bem.

Não podemos dar um passo atrás. Não temos medo da plutocracia. Temos fé na classe trabalhadora. Estamos certos de que a classe trabalhadora marchará em frente a passos firme, fortalecerá o movimento com orientação de classe e libertar-se-á dos parasitas da plutocracia, dos seus representantes políticos e sindicais.

Mudanças radicais estão na ordem do dia. O poder nas mãos do povo e a organização da economia tendo como critério a satisfação das necessidades do povo. A violência dos monopólios deve e pode ser derrotada.

16/Dezembro/2010

O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/2010news/2010-12-16-strike

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .