terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Reforma Sindical em pauta no Congresso

imagemCrédito: PCB/SC


Editorial da edição 454 do Brasil de Fato
A oportunidade é fundamental para a classe trabalhadora, que se não estiver atenta e coesa poderá sofrer graves derrotas no Ordenamento Jurídico
No momento em que assistimos a uma retomada da capacidade de lutas do movimento sindical, acelerase no Congresso Nacional a votação do Projeto de Emenda Constitucional que trata da Reforma da Estrutura Sindical (PEC 369/2005).
Trata-se de uma antiga reivindicação do movimento sindical classista, que vem lutando contra os entraves que burocratizam as entidades e permitem a sobrevivência de direções sindicais completamente distanciadas da realidade dos seus representados.
A oportunidade é fundamental para a classe trabalhadora, que se não estiver atenta e coesa poderá sofrer graves derrotas no Ordenamento Jurídico.
Em linhas gerais, o Projeto apresentado pelo governo Lula foi resumido pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), da seguinte forma:
a) remete para a lei a regulamentação dos preceitos constitucionais em matéria sindical, inclusive no que diz respeito à abrangência do poder de negociação, dando ampla liberdade ao legislador para desenhar o modelo de negociação e de organização sindical, desde que não contrarie os enunciados do texto constitucional modifi cado;
b) institui o critério de representatividade, de liberdade de organização, de democracia interna e de respeito aos direitos de minorias, o que poderá ensejar, na lei e no próprio estatuto, a proporcionalidade de chapas na direção sindical;
c) autoriza a instituição da pluralidade sindical, desde que respeitados os critérios previstos no item anterior;
d) elimina o conceito de categoria profissional e econômica, sem instituir ramo ou qualquer outro conceito, podendo a entidade sindical representar apenas e exclusivamente seus associados;
e) acaba com a unicidade sindical, com o sistema confederativo e com a contribuição sindical compulsória;
f) reconhece as centrais como entidades sindicais, podendo, nos termos da lei sindical, se estruturar organicamente, criando suas confederações, federações e sindicatos;
g) reconhece, nos termos de lei específica, o direito de negociação e de greve dos servidores públicos;
h) deixa para a Reforma do Judiciário a definição do papel da Justiça do Trabalho, inclusive a eliminação do chamado poder normativo; e
i) mantém inalterado o texto sobre o direito de greve, ou seja, permanece a possibilidade dos líderes sindicais responderem penal e civilmente por eventuais abusos no exercício desse direito.
O projeto contém alterações muito perigosas para a luta da classe trabalhadora. O texto é genérico o suficiente para permitir dezenas de interpretações, podendo a lei definir a nova estrutura com amplas possibilidades de a bancada patronal inserir dispositivos repressivos que limitem ainda mais a capacidade de organização sindical.
Amplia-se a brecha para uma lei regulamentadora da organização sindical estabelecer requisitos que limitem a liberdade organizativa da classe trabalhadora, consagrando um verdadeiro “estatuto padrão”, como nos tempos da ditadura, com limite de dirigentes sindicais, controle de orçamento e destinação de recursos e medidas punitivas.
Aliás, a nova redação do inciso II do artigo 8º da Constituição Federal passa a exigir que as entidades sindicais cumpram os requisitos de representatividade, participação e agregação se quiserem obter a personalidade sindical, que agora passará a ser autorizada pelo Ministério do Trabalho (MTE). Em outras palavras, a velha Carta Sindical é ressuscitada, conferindo definitivamente à caneta do Ministro do Trabalho os poderes para definir a organização sindical. O que é mais grave, a PEC 369 mantém a redação da terrível Emenda 45, que obriga que o Dissídio Coletivo tenha “comum acordo” para ser suscitado. Tal regra, que favoreceu o patronato recusar-se a aceitar o ajuizamento de um dissídio coletivo na Justiça do Trabalho, resultou num terrível achatamento salarial para as categorias menores.
Mantendo e aprofundando a blindagem legal que impede o exercício do Direito de Greve, qualquer alteração legislativa na estrutura sindical será um retrocesso.
Aceitar a atual redação da PEC 369/2005 enfraquecerá a classe trabalhadora e abrirá condições para que a poderosa bancada patronal no Congresso Nacional aprove “leis regulamentadoras”, que servirão de pretexto para reprimir a capacidade de luta das parcelas combativas do movimento sindical, cerceando ainda mais o limitado direito de greve.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Capital e os Trabalhadores Portuários

Mais uma vez o sistema capitalista vem numa forma quase arbitraria, informando que a partir de Janeiro de 2012, os trabalhadores do porto de Santos, deverão fazer intervalo de 11horas de descanso entre um trabalho e outro. Desse modo, quando um trabalhador se engajar num trabalho, só poderá se empregar novamente dali há 11horas. Após o esse descanso, poderá se engajar novamente, acabando com as dobras.
O trabalhador portuário tem um sistema de trabalho avulso, o que lhe garante total liberdade de escolha de trabalho. Com a imposição desse intervalo o sistema praticamente obriga o trabalhador a se engajar em fainas que não seriam de sua escolha, o que é um desrespeito ao trabalhador portuário. Essa medida tem o objetivo de controlar o trabalhador, pois o trata como se ele fosse um subordinado a um patrão. Com essa mudança no sistema de trabalho, nós teremos que nos engajar todo dia, e aceitar qualquer trabalho que aparecer.
O OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra) e o “CAP”, Autoridade Portuária, vêm investindo sistematicamente na desmoralização dos trabalhadores do cais Santista, impondo uma política patronal em todas as categorias do porto. Uma das características dessa política patronal é colocar categoria contra categoria, trabalhador contra trabalhador, e isso é feito com o claro objetivo de vincular todos os trabalhadores a empresas, que é o sonho dos empresários do setor portuário. Um dos mecanismos encontrados para promover o rebaixamento da classe é a desmotivação, que faz com que os trabalhadores busquem uma opção melhor de trabalho, através do vínculo.
Desse modo, o OGMO e o CAP, contaminados e patrocinados pela ideologia patronal e capitalista, procuram enfraquecer o movimento operário no cais Santista, que já foi um dos maiores movimentos de união de trabalhadores do Brasil. Eles estão colocando no fundo do poço todos os direitos e conquistas dos trabalhadores do porto de Santos, fruto das lutas históricas da categoria.
Devemos ficar atentos a todas essas mudanças, e denunciar seus verdadeiros objetivos, não nos esquecendo das vitórias alcançadas no passado, e o único jeito será a união de todas as categorias para lutar por seus direitos.

Saudações Comunistas!
Lênin Braga

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

“Só restou a greve”

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Entrevista com Jesu Júnior, do Sintrajufe-CE
O diretor do Sintrajufe-CE, Jesu Júnior, militante do PCB, explica o porque da greve no Judiciário Federal e como a categoria tem avançado em sua organização no Ceará. Recém-chegado ao Partido, Jesu conta ainda o porque de ter escolhido o PCB para lutar.
PCB - Por que os servidores do judiciário estão em greve no Ceará?
Jesu Júnior - As principais reivindicações dos servidores do Judiciário Federal na greve que já atinge 20 estados no país são as seguintes:
-Os servidores estão há 5 anos sem reajuste.
-Aprovação do PL 6613/2009 (reajuste), há mais de um ano parado na CFT da câmara federal.
-Contra o PL 549/2009, que congela por 10 anos os salários e impede novos investimentos no Serviço Público.
-Contra o PL 1992/07, que reduz a aposentadoria dos servidores para o teto do Regime Geral e, na prática, implicará na privatização da previdência, com uma corrida aos fundos privados de pensão.
-Contra a política do Governo Lula/Dilma de sucateamento e privatização do Serviço Público.
Como o governo Dilma não se dispõe a negociar, só restou a greve.
PCB - Há quanto tempo a categoria está parada?
JJ - Os servidores da JF/CE decidiram pela greve no dia 18/10/2011. Foram cumpridas todas as formalidades legais, de forma que a greve iniciou efetivamente em 24/10/2011. Já no início do mês de novembro, os servidores da JF/CE decidiram manter-se em estado de greve, porém concentrando as atividades de paralisação num único dia: as quartas-feiras, marcando o chamado "apagão" da JF/CE.
PCB - Como estão as negociações com o governo?
JJ - Infelizmente, o governo federal permanece inflexível, orientado a base aliada no Congresso Nacional a rejeitar emendas e obstruir votações relativas ao reajuste dos servidores do Judiciário Federal.
O STF tem prometido interceder pelos servidores, buscando dialogar com o governo Dilma e sua base aliada no Congresso Nacional, mas até o momento os servidores não tem nada garantido, diferentemente dos magistrados, que já tiveram seu reajuste anual assegurado pela CMO (Comissão Mista de Orçamento) da Câmara.
PCB -Como o sindicato está mobilizando os servidores da Justiça Federal?
A categoria dos servidores do Judiciário Federal se caracteriza por diversas peculiaridades. São servidores com poder aquisitivo considerável, com salários que variam muito para cima dependendo da fase em que o servidor ingressou na instituição.
Tudo isso faz com que o servidor do judiciário federal não se sinta sequer parte da categoria dos servidores federais, embora obviamente o seja. Mais difícil ainda é trabalhar com a ideia de uma classe trabalhadora una.
Foi nessa conjuntura desfavorável e cheia de preconceitos históricos que aprovamos o nome de "SINDICATO DOS TRABALHADORES" ao invés de "Sindicato dos servidores", ainda em 2008, numa disputa ferrenha com a oposição pelega montada pela administração.
Foi uma vitória simbólica mas de grande importância. De lá para cá a luta tem avançado, e hoje os servidores da JF/CE já aceitam com mais naturalidade as intervenções de professores, sapateiros e trabalhadores da construção civil nas assembleias de greve da categoria.
Fazemos todo um esforço para conciliar a luta imediata economicista com a estratégia maior de crítica ao governo do PT e ao próprio capitalismo, apontando sempre a unidade entre a classe trabalhadora como a chave para a vitória. Isso tem funcionado bem e a cada dia de greve uma nova barreira é transposta: depois da inédita manifestação na praça em frente à JF/CE, esta semana os servidores da JF/CE pela primeira vez na sua história percorreram as ruas do centro de Fortaleza com faixas, som, adesivos e distribuindo panfletos à sociedade.
Avaliamos que estamos no caminho certo.
PCB - Há quanto tempo você é diretor sindical?
JJ - Nosso grupo aqui no Ceará disputou e venceu as primeiras eleições em 2007, assumindo a direção da então associação dos servidores. Já em 2008, transformamos a associação em sindicato (SINTRAJUFE/CE), pondo um fim na política de subserviência à administração da JF/CE.
A direção reagiu e organizou uma "chapa-branca", numa conjuntura de ataques e difamações orquestradas contra o nosso grupo sindical, o que resultou numa derrota nossa no pleito de 2009, por uma diferença de menos de 3% dos votos apurados.
Nas eleições de 2011, mais uma vez lançamos chapa, e vencemos o pleito, dando início, no dia 01 de setembro de 2011, à gestão UNIDADE NA LUTA.
PCB – E há quanto tempo você milita no PCB?
JJ - Antes de me aproximar do PCB, eu militava numa organização de esquerda sem registro no TSE e de abrangência limitada a poucos estados do país. Ao final de 2010, comecei a acompanhar mais de perto os documentos, declarações políticas e atividades do PCB, considerando ser este um partido organizado em todo o território nacional, de forma que meu esforço militante poderia assim trazer melhores frutos.
Foi assim que rapidamente conclui ser o PCB o único partido registrado a manter posições coerentes com o marxismo-leninismo, defender a revolução cubana e dos demais estados operários e se contrapor efetivamente ao imperialismo.
Já no início de 2011, procurei o diretório estadual do PCB no Ceará, participei de algumas atividades para conhecer melhor o partido e, desde então, consolidei minha opção pelo PCB, partido ao qual hoje estou filiado.
PCB - Recentemente você esteve na Conferência Política do PCB. Qual sua avaliação sobre o evento?
JJ - As atividades do PCB no Ceará e a Conferência Política que participei recentemente, no Rio de Janeiro, deixam claro ser o PCB um partido onde efetivamente existe debate interno.
Aqui podemos vivenciar o verdadeiro centralismo democrático, com os militantes do partido expressando não apenas suas concordâncias, mas também as necessárias discordâncias, que devem ser discutidas nas instâncias internas do partido.
São muito importantes as posições firmes do PCB, reafirmadas na conferência, contra a invasão imperialista da Líbia, as ameaças na Síria e no Irã. A defesa da revolução cubana, o rechaço ao assassinato do comandante das FARC, Alfonso Cano e o repúdio às agressões ao povo palestino protagonizadas pelo estado terrorista de Israel.
Tudo isso sem precisar cair no esquerdismo estéril. É isso que diferencia nosso partido de todos os outros. Esperamos, agora, poder aplicar aqui no Ceará as resoluções aprovadas nessa Conferência.

No 2º dia, cresce greve nacional dos petroleiros


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A greve dos petroleiros iniciada ontem ganhou força nessa quinta (17)
Destaque para a adesão ao movimento das importantes refinarias da Bahia, em Mataripe, e de São Paulo, em Cubatão. No Rio de Janeiro, os terminais da Baía de Ilha Grande (TEBIG) e o Aquaviário da Baia de Guanabara (TABG) também se somaram. O Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro ainda organizou nessa manhã um ato em frente a um dos prédios administrativos da Petrobrás no centro do Rio. O trancaço no Edifício Torre Almirante atrasou por mais de uma hora a entrada dos trabalhadores, esquentou a greve no Rio com uma multidão se aglomerando em frente ao prédio e se solidarizando à luta. Até Polícia Militar interviu para acelerar o encerramento do ato.
A revolta dos petroleiros em greve se explica pelo fato de que os grandes lucros da empresa e a descoberta do pré-sal não chegam até os trabalhadores. Por isso, exigem aumento do salário e melhoria das condições de trabalho daqueles que dedicaram e ainda dedicam sua vida à construção da Petrobrás. A Frente Nacional dos Petroleiros (FNP) e o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro prometem greve por tempo indeterminado até que a gerência de Recursos Humanos dialogue efetivamente com a pauta de negociação da categoria.
A direção do Sindipetro-RJ avalia que a greve está numa crescente. O diretor Emanuel Cancella mostra-se indignado com a truculência da Petrobrás e com a intransigência da empresa em repassar ganhos reais aos trabalhadores:
- Vamos fortalecer a mobilização de luta dos petroleiros em todo o Brasil. Essa mobilização no Rio de Janeiro vai continuar todos os dias até que a empresa avance nas negociações – afirma o coordenador da Secretaria Geral do sindicato.
Os petroleiros, entre outros pontos, reivindicam aumento real (percentual incidindo sobre o salário básico), melhorias na AMS (assistência médica) e mais segurança no trabalho. Em 2011, a companhia já computa 16 mortos em acidentes de trabalho. A luta pelo monopólio estatal do petróleo e pela Petrobrás 100% pública e estatal também fazem parte das bandeiras do movimento.
Veja abaixo o quadro atualizado do 2º dia da greve nacional dos petroleiros:
SINDIPETRO RJ
No estado do Rio de Janeiro, os petroleiros do TEBIG, em Angra dos Reis, encontram-se com adesão de cerca de 80% à greve entre turno e administrativo. Desde ontem realiza-se assembleias a cada troca de turno para avaliar o movimento. Com truculência, a empresa determinou que a vigilância comunicasse aos grevistas a proibição da entrada para almoçar no refeitório da companhia.
No TABG estão sendo realizadas paralisações de duas horas em cada turno. A maioria do administrativo e do turno aderiu. Também estão realizando o corte da emissão de PT (permissão de trabalho), assim nem os terceirizados estão conseguindo trabalhar.
Nos prédios administrativos, no centro do Rio, foram realizados trancaços de uma hora e meia (entre as 7h e 8h30). O Sindipetro-RJ realizou um grande ato no Edita, edifício da Petrobrás no Centro do Rio, retardando em mais de uma hora a entrado dos trabalhadores. Juntou-se um grande contingente de petroleiros na porta do prédio. No final da atividade, aplaudiram o movimento de luta e o Sindicato. A Polícia Militar chegou com armamento pesado ao final do ato forçando seu encerramento.
SINDIPETRO DO LITORAL PAULISTA
Os petroleiros do Litoral Paulista entraram no segundo dia de greve por tempo indeterminado.
Nesta quinta-feira (17/11), os trabalhadores fizeram novas concentrações na porta das unidades e, logo em seguida, voltaram para as suas casas. Todas as unidade de terra na região foram afetadas pelo movimento.
Na RPBC, em Cubatão, a adesão foi de 100% do turno e de 80% do administrativo. Em represália ao movimento, a gerência da refinaria cortou o transporte dos grevistas. A justificativa apresentada foi de que a companhia não poderia liberar os ônibus para os trabalhadores, pois a empresa estaria colaborando com o movimento. No entanto, esta é a primeira vez que a RPBC adota esta medida.
No Terminal Alemoa, repetindo o quadro do primeiro dia de greve, a adesão foi de 100%, atingindo os trabalhadores do turno, ADM e terceirizados. Desde ontem (16/11), por volta das 16 horas, houve corte de rendição na troca de turno. Agora, está nas instalações da unidade apenas o grupo de contingência da empresa. O Terminal Alemoa também enfrenta uma greve de petroleiros terceirizados. Desde sexta-feira (11/11), os trabalhadores da empresa TQM reivindicam melhores salários. Em Pilões, a greve ganhou corpo e teve a participação do Turno, ADM e petroleiros terceirizados. A adesão foi de praticamente 100%.
Nas duas unidades da Petrobrás no Litoral Norte – Tebar (São Sebastião) e UTGCA (Caraguatatuba) – todos os trabalhadores do Turno participaram da greve. No ADM, cerca de 90% dos empregados aderiram ao movimento. Já em Itanhaém, mais uma vez os diretores do Sindicato estiveram presentes no aeroporto para debater com os petroleiros embarcados os próximos passos da campanha nas plataformas de Merluza e Mexilhão.
SINDIPETRO BAHIA
continua a  GREVE POR TEMPO INDETERMINADO, com paralisação em todas as áreas operacionais, RLAM, FAFEN e outras áreas, (instalações de piquetes na capital e interior); Todas as unidades estão sendo afetadas pelo movimento, que já ganha peso nacional e repercussão positiva em outras bases. Prova disso é a antecipação da reunião do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros para amanhã (18/11), que está sendo solicitada pelo Sindipetro Bahia com o apoio do Sindipetro-RN.
SINDIPETRO AL/SE
SERGIPE: Atalaia, Sede da Rua Acre, FAFEN, Carmópolis (Jordão, Siriri, Riachuelo e base de CP) a greve continua forte, com paralisação das obras na FAFEN. ALAGOAS: Porto (Transpetro AL) houve uma trancaço, está em greve com 70% de adesão, corte de rendição de 90% dos trunos, Estação do Pilar realizaram atraso de tres horas,
SINDIPETRO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Em São José dos Campos, a greve continua, desde às 15 horas de ontem (16/11) houve corte de rendição nos grupos de turno. A proposta da empresa esta sendo rejeitada.
SINDIPETRO PA/AM/MA/AP
No Sindipetro-PA/AM/MA/AP, os trabalhadores estão intensificando os atrasos nas unidades. Nesta quinta-feira (17/11), a entrada dos trabalhadores do prédio administrativo de Manaus foi atrasada em duas horas e meia.
Fonte: Agência Petroleira de Notícias, com informações do Sindipetro-LP e da FNP.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Cidade Vermelha




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Oneider Vargas (*)
A cidade de Sant’Ana do Livramento, situada na fronteira entre Brasil e Uruguai, já chegou a ser no passado chamada de “Cidade Vermelha”. Tendo sido em 1918 a segunda base no Brasil da Liga dos Comunistas, que iria dar origem ao partido Comunista Brasileiro em 1922. Com uma sólida classe operária, nos anos 50 os comunistas do PCB foram vítimas de uma sangrenta chacina, com 4 mortos e dezenas de feridos em plena Praça Internacional, tendo como algoz os representantes do imperialismo estadunidense de Truman e Dutra.
Nos dias atuais, Sant’Ana do Livramento está  revivendo seu passado de intensas lutas e mobilizações. O movimento sindical e estudantil tomou para si as bandeiras políticas do conjunto dos explorados e foi à luta. Reunidos em diferentes frentes: municipários, comerciários, trabalhadores da construção civil e movimento estudantil universitário, estão realizando uma série de jornadas de luta que tem como bandeiras principais um firme posicionamento contra a privatizações da água e dos demais serviços urbanos, e contra a retirada dos camelôs das praças pelo poder público.
Dentro deste clima de mobilização popular, professores estaduais e municipais preparam a deflagração de uma greve e para tanto promovem manifestações de centenas e até de milhares de trabalhadores que ocupam as ruas e a Praça Internacional, que de triste memória no passado passa a ser palco de um rico presente de lutas. Em plena visita do deputado Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, responsável pela assinatura de convênios para as obras do PAC em Sant’Ana do Livramento, foi deflagrada a greve dos municipários. Os estudantes da UNIPAMPA, cujos servidores até pouco encontravam-se em greve já marcaram manifestações para o dia 14 do corrente mês.
As forças conservadoras do município não esperavam tamanha resposta de resistência e organização dos trabalhadores santanenses. É importante lembrar que a cidade até poucos anos era considerada Área de Segurança Nacional, local onde a repressão atua como contencioso em uma comunidade em que inexiste qualquer separação com o vizinho país, o Uruguai.
A Unidade Classista é parte responsável pela construção deste movimento, pois atua em unidade com outras forças de esquerda, principalmente junto aos assentamentos e acampamentos do MST, que certamente se farão presentes nestas jornadas de lutas.
Os militantes Comunistas, que constroem a Intersindical, estão empenhados na máxima unidade de ação, tendo em vista o acúmulo de forças e de consciência que certamente resultará na formação de um Conselho Popular, capaz de ser um instrumento do Poder Popular.

(*) Oneider Vargas – do Comitê Central e Regional do RS do PCB

terça-feira, 8 de novembro de 2011

“Com o arrefecimento do movimento sindical nos governos Lula e Dilma, nosso desafio aumentou”, afirma Carlos Guerreiro

Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Maracanaú, Maranguape e Pacatuba, no Ceará, entra no PCB
Aos 50 anos e após ter passado por outras organizações políticas, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Maracanaú, Maranguape e Pacatuba (SINCOMMAP), Carlos Guerreiro, decidiu recentemente militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nessa entrevista, ele apresenta as principais reivindicações de sua categoria e o porquê, após ter militado em partidos como o PT e o PCdoB, escolheu engrossar as fileiras do PCB.
PCB - Carlos, seu pai também era militante, e com o mesmo nome de "guerra". Qual a importância disso em sua trajetória?
Carlos Guerreiro - Este nome Guerreiro é o nome da família, uma coincidência real da militância da luta.
PCB - Você começou a militar no movimento sindical ou teve trajetória política como estudante?
CG - Como estudante! Participei indiretamente na luta pela queda do regime militar.
PCB - E especificamente no movimento sindical, há quanto tempo atua?
CG -Há mais de uma década.
PCB - Sempre na categoria dos comerciários?
CG -Sim.
PCB - E quais as principais reivindicações da categoria?
CG - Piso único de R$ 710,00, um piso salarial e meio para os comissionistas, vale alimentação, o dia do Aniversario do Comerciário (a), folga, plano de saúde e seguro de vida, PLR para todos os comerciários (as), igualdade salarial para homens e mulheres, auxilio creche e licença maternidade de 6 (seis) meses.
PCB - Há quanto tempo você é presidente do sindicato dos comerciários?
CG - Há dois mandatos.
PCB - Qual o arco de alianças na diretoria?
CG - PT, PCdoB, PSB e PCB.
PCB - E o mandato, é de quanto tempo?
CG - De quatro anos.
- Acredita que sua entrada no PCB vai ser encarada de que forma dentro da diretoria do sindicato, onde também estão PCdoB, PT e PSB?
A busca pela liberdade da classe trabalhadora está acima inclusive dos partidos políticos, no entanto achamos necessário utilizar este instrumento que é o PCB, e fazer o debate de idéias.
- Como você espera atuar pela construção de um pólo sindical classista em sua categoria, através da Intersindical?
Com o arrefecimento do movimento sindical nos governos Lula e Dilma, nosso desafio aumentou. Entendo que os partidos políticos lotearam o Brasil, no entanto acreditamos que se faz necessário continuar o debate para que se possa reconstruir a luta do conjunto da classe trabalhadora.
PCB - Antes de chegar ao PCB, qual foi sua trajetória?
CG - Quando estudante fui líder estudantil no Colégio Estadual Castelo Branco com participação no grêmio estudantil, fui aprovado em concurso publico para PM - de onde pedi desligamento por questões ideológicas após dois anos. Fui para São Paulo, onde me filiei e militei ao PDT na cidade de Porto Ferreira. Após meu retorno a Fortaleza, ingressei na luta pelas diretas já e no Fora Collor. No ano de 2001, fui eleito para a diretoria do SEC Fortaleza, onde após alguns anos migrei para Maracanaú para fazer a luta dos trabalhadores do comercio daquela região – o que resultou na fundação do SINCOMMAP em 2008.
PCB - Tendo passado por outros partidos, que diferenças espera encontrar no PCB?
CG - Condições de lutar por liberdade, igualdade e fraternidade, tendo como base os princípios norteadores do marxismo-leninismo.
PCB - Você chega ao Partido em um momento de grandes diferenças entre o PCB e as organizações nas quais já militou. O que te levou a escolher o PCB nesse momento?
CG - A vivência política do meu pai Guerreiro, quando militou no partidão, contou bastante. Ele sempre teve como palavra de ordem os princípios da moral e da ética, para de fato construir um partido verdadeiramente dos trabalhadores.