quarta-feira, 18 de julho de 2012

A força do movimento fez o governo apresentar proposta


Greve se alastra pelo serviço público federal



O Olhar Comunista desta terça destaca a adesão de novas categorias em greve no serviço público federal.

Cerca de 35% dos funcionários de 10 agências reguladoras, além do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), entraram em greve. O número representa 2,5 mil dos 7 mil servidores do DNPM e das agências nacionais de Vigilância Sanitária (Anvisa), Águas (ANA), Telecomunicações (Anatel), Cinema (Ancine), Energia Elétrica (Aneel), Saúde Suplementar (ANS), Transportes Aquaviários (Antaq), Transportes Terrestres (ANTT), Petróleo (ANP) e Aviação Civil (Anac). Além deles, eletricitários de 14 empresas do grupo Eletrobras também pararam.
Eles se juntam aos servidores docentes e técnico-administrativos de 95% das 57 universidades e 38 institutos federais de educação. Já a Controladoria Geral da União (CGU) e a Secretaria do Tesouro Nacional, que já paralisaram atividades em 10 de julho, pretendem repetir a dose amanhã. Na semana passada, 1,2 mil servidores aderiram ao movimento. Diante da pressão, o governo recuou e apresentou um contraproposta aos professores universitários que, no momento, está sendo analisada pelo sindicato da cetegoria, o Andes.

Banqueiros garantidos, afirma Merkel


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O Olhar Comunista começa a semana destacando a entrevista da chanceler alemã, Angela Merkel, à rede de televisão ZDF, na qual ela reafirma o compromisso dos estados integrantes da União Européia com os banqueiros do bloco econômico.

Na entrevista, centrada nos empréstimos para refinanciar os bancos espanhóis por meio dos fundos de resgate da Zona do Euro, Merkel afirmou que estes serão bancados pelo governo espanhol e que os líderes da UE concordam que, no futuro, o resgate poderá ser feito diretamente para os bancos em vez de ter de passar pelos governos.
Retira-se a “intermediação” dos Estados do caminho que o dinheiro trilha entre os cofres públicos e o bolso dos banqueiros. É o fim da picada...

Comisiones Obreras: Campeões da hipocrisia e da corrupção


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Quim Boix*

Quando o governo argentino tomou a decisão, legítima e soberana, de nacionalizar a empresa petrolífera YPF, qual foi a reacção dos sindicatos espanhóis CC.OO. e UGT? Nem mais nem menos do que mostrar “o seu desacordo e rejeição face às decisões do governo argentino em relação à YPF». Como poderão sindicatos que perdem a independência de classe e aceitam ser porta-vozes do grande capital continuar «a defender os direitos dos trabalhadores»?
É do conhecimento de todos que a multinacional REPSOL-YPF explorava até agora e especulava (sacando milhões de lucros) com os recursos petrolíferos do povo argentino. Era a ponta de lança da expansão económica, imperialista e política de Espanha e do capital europeu nos mercados da América Latina, e numa das ex-colónias espanholas.
Depois da decisão do governo argentino de nacionalizar a empresa petrolífera YPF é surpreendente (para quem não conhece a dependência, cada dia maior, do FMI e das multinacionais que têm os sindicatos filiados na Confederação Sindical Internacional (CSI)) a reacção dos sindicatos espanhóis CC.OO. e UGT que «mostram o seu desacordo e rejeição com as decisões do governo argentino em relação à YPF». Sindicatos que ainda para muitos (demasiados) explorados espanhóis, continuam «a defender os direitos dos trabalhadores».
O comunicado das CC.OO. expressa textualmente que «as CC.OO. reiteram a sua oposição à decisão do Governo argentino, que qualifica de grave erro, e avaliará os esforços do Executivo espanhol e da direcção da empresa para defender os interesses sociais, políticos, económicos e jurídicos que estão em jogo». À direcção das CC.OO. nem a preocupa que o Executivo seja o PP, os fascistas ex-franquistas e muito pro-capitalistas espanhóis.
É inaceitável para qualquer defensor da justiça e da equidade que, para confundir a consciência de classe dos explorados espanhóis, um sindicato como as CC.OO., que há muitos anos era um sindicato combativo, apoie publicamente os interesses de uma multinacional petrolífera e critique a nacionalização dos recursos naturais de um povo, neste caso o argentino. É óbvio que muitos sindicatos europeus ganham dinheiro e prebendas com a sua participação nas instituições do sistema burguês, com a exploração das fontes de recursos naturais do planeta.
O principal argumento da direcção das CC.OO. é o dano que esta decisão causará aos accionistas e pequenos accionistas da Repsol. Apesar de tudo isso, adaptou-se rapidamente à expropriação da YPF pela Argentina. Sem incluir esta filial, o grupo obteve (enquanto nós os trabalhadores todos os dias sofremos novos cortes) um lucro líquido até Março de 643 milhões de euros, uma subida de 12,4%. Se lhe acrescentarmos a YPF o resultado foi de 792 milhões, uma subida de 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Tudo isto, explorando os seus trabalhadores e continuando a etapa colonial europeia na América Latina.
As direcções da CC.OO. e da UGT andam de mãos dadas com as multinacionais e os capitalistas, tal como também anda a sua Confederação Internacional (CSI), que até aplaudiu as decisões do G-8 na sua última reunião do mês de Maio. Trata-se de um exemplo característico dos interesses que defendem estes dois sindicatos que recebem (pouco em comparação com o que obtêm como contraprestação das multinacionais que controlam o FMI, o BM e o G-8) todos os anos grandes somas de dinheiro do governo espanhol e uma quantidade muito superior da União Europeia (UE). O montante que estas organizações receberam do Orçamento de Estado de Espanha ultrapassou em 2010 os 10 milhões de euros. Uma parte destinou-se a investimentos sindicais na América Central e América Latina.
Hoje já não há lugar para auto-enganos, as cúpulas dos sindicatos amarelos não vão mudar de rumo, nem vão liderar a luta de classes. Não lhes interessa nem está nos seus objectivos. Na realidade, nos seus documentos e proclamações há muitos anos que falam de «agentes sociais» em vez de «classes sociais». Até a sua linguagem deixaram «domesticar».
América Central, Caribe e América Latina devem saber que as antigas CC.OO. (as que durante decénios combateram a ditadura fascista de Franco, as que pagaram a sua heroica luta com dezenas de assassinados, com centenas de torturados e com milhares de encarcerados, despedidos e exilados; as que foram filiadas na FSM, que sempre as apoiou contra o ditador), não existem. Afundaram-se no meio da corrupção, dos escândalos financeiros e na aproximação às multinacionais.
Perante esta realidade apenas a Federação Sindical Mundial (FSM) mantém uma autêntica e clara posição de classe, e por isso temos de nos felicitar. Demonstrou, desde a sua fundação em Paris em 3 de Outubro de 1945, ser a única Organização Sindical Internacional independente e combativa.
Sobre a nacionalização da YPF a FSM divulgou imediatamente um comunicado que começava por dizer: A Federação Sindical Mundial em relação às relações tensas entre a Argentina e Espanha defende que é inaceitável que os monopólios e as transnacionais saquem as fontes de recursos naturais de cada país». E acrescentava: «A FSM expressa a sua solidariedade com a luta das organizações sindicais de classe da Argentina que exigem o fim da exploração capitalista, cessar o roubo da riqueza natural do país por parte da Repsol-YPF e outras transnacionais».
Nós, sindicatos de classe do Estado espanhol estamos de acordo com estas afirmações e também com a conclusão que encerrava o texto da FSM: «Para a classe trabalhadora e os povos de todos os continentes a solução fundamental e definitiva não será dada por rivalidades inter-capitalistas, mas através da socialização dos monopólios e dos cartéis empresariais.
Saudações de classe e internacionalistas.

* Fundador das CC.OO., actualmente Secretário-Geral da Central Sindical Unitária (CSU) de Pensionistas e Reformados de Espanha e membro do Conselho Presidencial da Federação Sindical Mundial (FSM)

Este texto foi publicado em:

Tradução de José Paulo Gascão
http://www.odiario.info/?p=2546

terça-feira, 10 de julho de 2012

Modelo de endividamento ‘bateu no teto’



Olhar Comunista destaca a divulgação, nesta terça-feira, do Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito. Os números comprovam: a busca dos brasileiros por crédito registrou queda recorde no primeiro semestre de 2012. Isso significa que o modelo de gerar crescimento do PIB através do endividamento das famílias bateu no teto, para desespero do Governo Federal.

O número de pessoas que procuraram crédito no primeiro semestre caiu 7,4% na comparação com o mesmo período de 2011, o que representa o maior recuo da série histórica do indicador, criado em 2008. Na comparação de junho com o mesmo mês de 2011, o recuo ficou em 6,6%. Em relação a maio, a queda foi de 2,1%.
Isso ocorreu mesmo com os bancos públicos tendo aberto uma “guerra” nesse segmento com uma série de reduções na taxa de juros. De onde podemos concluir que a população brasileira está chegando ao limite de seu endividamento.
Podemos estar observando o fim de um ciclo no país, que traz desafios para o Governo e apreensão aos trabalhadores: é que para manter taxas de crescimento elevadas, ao invés de investir nas áreas sociais, na reforma agrária, estatizar os bancos, promover o crescimento da indústria voltado para o mercado interno e outras medidas que, mesmo em meio às limitações insuperáveis do capitalismo, podem gerar crescimento com alguma distribuição de renda e promover um pouco de justiça social,o Palácio do Planalto deve ser tentado a fazer contra-reformas, principalmente a trabalhista. Fiquemos alerta.

Retirada de Direitos Trabalhistas avança dentro do Governo

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O Olhar Comunista inicia a semana com uma notícia preocupante: o anteprojeto de lei que acaba com as garantias da CLT está na Casa Civil e deve ir ao Congresso ainda em julho. Elaborado pelo peleguíssimo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, numa tentativa de gerar legitimidade junto aos trabalhadores, o “Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico” (ACE), se aprovado, será uma verdadeira tragédia.

O ACE estabelece os “Comitês Sindicais de Empresa”, que poderão atropelar a CLT e negociar diretamente com as empresas. O setor empresarial aguarda ansiosamente pela aprovação do projeto. "Reconhecemos a legitimidade da representação interna e como isso equilibra as necessidades dos negócios e as demandas dos trabalhadores", afirmou de forma contida, por exemplo, o diretor de Recursos Humanos da Volkswagen no Brasil, Nilton Junior, ao jornal Valor Econômico.
O jornal informa ainda que, “em setembro do ano passado, o sindicato levou o anteprojeto ao secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). O primeiro rascunho do ACE havia sido entregue ao ex-presidente Lula em 2009. Finalizado, o texto prevê que os acordos especiais só poderão ser firmados diretamente entre empresas e sindicatos, se o sindicato comprovar que tem representação na empresa. Essa representação seria escolhida por meio do voto, assim como nas comissões de fábrica que existem no ABC desde 1981” .
Há também interferência do Estado sobre a representação dos trabalhadores: o Ministério do Trabalho certificará os sindicatos que têm “representatividade”. Somente esses estariam aptos a formalizar acordos.
O jogo de cartas marcadas contra os trabalhadores ganha mais uma voz: o projeto conta com o apoio do Ministério do Trabalho. "Temos que incentivar os processos que facilitem os acordos coletivos e a representação dos trabalhadores. Os sindicatos que realizam esses acordos são representativos de suas categorias. A aprovação do anteprojeto não depende só do Congresso, depende de negociações", afirmou o ministro Brizola Neto. Seu avô deve estar se revirando no túmulo...

Partido Comunista Peruano (PCP) condena o assassinato de Guillermo Yacila, dirigente da Construção Civil e da CGTP Callao


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PARTIDO COMUNISTA PERUANO

O Partido Comunista Peruano (PCP) condena o vil assassinato do camarada GUILLERMO ALFONSO YACILA UBILLUS, Secretário-Geral Adjunto do Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil e Secretário-Geral da Seção Regional da Central Geral dos Trabalhadores Peruanos (CGTP Callao), perpetrado por pistoleiros do paralelismo sindical. 

O assassinato ocorreu próximo do supermercado Praça Velha, na avenida Sαenz Peρa, quando vários pistoleiros em um carro, o alvejaram à queima-roupa, acabando com a vida deste jovem e exemplar dirigente sindical e militante comunista.

Guillermo Yacila deixa esposa e filhos, e sua morte se soma à de outro jovem sindicalista, Gilberto Viera, da mesma base sindical, cujos autores materiais foram capturados e posteriormente colocados em liberdade, por serem menores de idade.

Este fato repudiável nos leva a exigir das autoridades policiais e judiciais uma atenção estrita na investigação e sanção dos culpados que enlutam a família, os trabalhadores e o povo de Callao, ao qual Yacila serviu com lealdade durante sua vida.

Lima, julho de 2012.
Comissão de Imprensa e Comunicação
PARTIDO COMUNISTA PERUANO

Tradução: PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO