segunda-feira, 27 de abril de 2015

1º de Maio: Organizar os trabalhadores para lutar por mais direitos, melhores condições de trabalho e salário. RUMO À GREVE GERAL!

A classe trabalhadora, em escala mundial, vem sofrendo um brutal ataque aos seus direitos e conquistas históricas e degradação das suas condições de vida. O capitalismo, sempre que passa por crises cíclicas, seja por superprodução de mercadorias ou por super-acumulação de capitais, como acontece na atual crise, tenta descarregar seus prejuízos nas costas dos trabalhadores. Para os capitalistas, um cenário de crise também é um cenário de oportunidades para se reestruturar e obter novas vantagens com vistas a realizar maiores lucros.

quarta-feira, 22 de abril de 2015





INTRANSIGÊNCIA PETISTA, PELEGUISMO SINDICALISTA: CRÔNICAS DE UM FIM DE GREVE ANUNCIADO

Às 16h da terça-feira, 14 de Abril, foi decretado o fim da greve dos trabalhadores e trabalhadoras da educação municipal de João Pessoa. Que fique registrado desde já: essa não foi uma decisão da categoria.
O teatro estava impecavelmente bem armado: havia seguranças engravatados nos corredores da Federação Espírita Paraibana (FEPB), onde se encontra o auditório no qual ocorreu a maior parte das assembleias. Foi uma reunião de “primeiras vezes”: pela primeira vez desde o início da greve, dia 16/03, tal aparato de segurança foi ostensivamente utilizado (financiado, é bom lembrar, com o dinheiro dos próprios trabalhadores e trabalhadoras sindicalizados), assim como pela primeira vez a FEPB dedicou suas atividades exclusivamente ao movimento grevista.
A tensão rondava o ar junto com a pergunta nas mentes e bocas dos presentes: por que o sindicato (SINTEM-JP)precisa se armar até os dentes contra a própria categoria que representa?
Analisando os fatos passados, é possível captar vários prenúncios do que iria ocorrer na fatídica terça-feira das ratazanas:

·         O articulador político da prefeitura, sr.Adalberto Fulgêncio, “deixa escapar”, de maneira muito bem calculada, que o instrumento de defesa apresentado pelo advogado do sindicato contra a declaração de ilegalidade da greve, um embargo declatório, seria o mais inadequado possível, e que a vitória da prefeitura estava garantida (o que se confirmou na segunda-feira, 13/04, com a negação, por parte da desembargadora Maria Guedes, do recurso apresentado);
·         Sofrendo ataques periódicos e truculentos por parte da prefeitura, capitaneada pelo Prefeito Luciano Cartaxo (PT), decidiu-se em assembleia pela ação urgente de publicar uma nota de resposta nos principais meios de comunicação do município, nota esta que o sindicato não bancou apesar de ter sido concluída pelo Comando de Greve,e mesmo após ter garantido publicamente que a mesma seria veiculada na sexta-feira, 10/04, e no sábado, 11/04;
·         Na mídia, as notas oficiais da prefeitura, bem como a maior parte das entrevistas do secretariado, cuidadosamente blindam a direção do sindicato enquanto, ao mesmo tempo, voltam toda a artilharia contra o Comando de Greve, alçando-o à condição de responsável exclusivo pelo movimento;
·         Diretores de escolaque compõem a própria direção do SINTEMiniciaramo processo de furar a greve, alguns inclusive pressionando grevistas a abandonar o movimento;
·         E, lastbutnotleast: o vereador Benilton Lucena (PT), membro (em licença de afastamento) da direção do SINTEM-JP, vota contra audiência pública proposta pelos trabalhadores e trabalhadoras presentes em ato na Assembleia Legislativa.

Seguindo: aassembleia da terça 14/04 abre com discursos dos representantes da CUT e da CNTE, às quais o SINTEM é filiado (ressalta-se que foram convidados sem consulta ao Comando de Greve), ambos lançando falas inflamadas a respeito das manobras da Câmara dos Deputados para aprovar a PL4330, que regulamenta a terceirização em todas as atividades fins.Em um momento de sublime contradição com o que viria a ocorrer, o representante da CUT chega a chamar a atenção da mesa para a valorização do dito projeto“democrático e popular”. Logo após, a assessoria jurídica teceu loas e mais loas à postura “combativa” da direção, listando as “conquistas históricas” das greves passadas, e finaliza argutamente jogando a responsabilidade pela escolha do instrumento legal inadequado no colo do Comando de Greve (que deixou de ter sua legitimidade reconhecida pelo “articulador” político da prefeitura na última sexta-feira, 10/04, e por tabela pela direção do sindicato, que desde então não apoiou nova reunião do comando).
Eis que o Sr. Daniel de Assis, presidente do SINTEM-JP, começa seu monólogo.Sobraram pedras para o Comando de Greve, cuja idoneidade foi posta em dúvida quando o mesmo acusou a presença de grupos partidários, nomeadamente PSOL e PSTU (embora não tenha mencionado sua própria filiação e a de outros membros da diretoria ao PT), acusando os mesmos de tentar dividir o movimento e “inflexibilizar” as negociações junto à prefeitura.Ecos do discurso oficial do governo, diga-se de passagem. Seguindo roteiro cuidadosamente planejado,o Sr. Presidente anuncia que não abriria o microfone para os informes e necessárias reflexões acerca dos próximos passos a serem seguidos, contrariando a prática de todas as assembleias até então. Aproveitando-se da confusão armada, ele então sacou uma súbita “votação” para o acato ao mando do judiciário, sem o debate de microfone aberto com a categoria, deixando os presentes atordoados (com exceção da claque, claro).
Com quase 1000 participantes, menos de 5%dos presentes manifestou-se favoravelmente à decisão, enquanto que a esmagadora maioria recusou-se a votar, exigindo esclarecimentos. Com punho em riste, o Sr. Daniel de Assis anuncia triunfantemente o encerramento da greve, e a mesa se desfaz entre sorrisos e abraços vitoriosos.Logo em seguida, bate em retirada pela direita do palco aos camarins, cercado pelos seguranças. “Traíra!”, “pelego!”, “ditador!”, são os gritos que se ouvem da base da categoria.
Mas a assembleia, felizmente, não acabou aí. Esta mesma base, em uma exemplar demonstração de auto-organização, se transformou em um megafone humano, reproduzindo o chamado de porta-vozesa permanência no recinto para que ali fosse feito o debate e os encaminhamentos que a direção do sindicato, de maneira extremamente desrespeitosa, autoritária e antidemocrática, negou-se a fazer. E da auto-organização da base, sem qualquer participação da direção do SINTEM-JP, surgiram os futuros encaminhamentos, a saber:

1-      Continuar recorrendo na Justiça pela legalidade da greve;
2-      Buscar na justiça o direito ao reajuste, ou seja, judicializar o reajuste de 13,01%, conforme lei do piso salarial;
3-      Compor dossiê apresentando as dificuldades e problemas enfrentados/encontrados nas escolas (falta de estrutura e de infraestrutura, falta de materiais didáticos, falta de merenda) e entregar ao Ministério Público estadual até 30 de abril do corrente ano;
4-      Mobilização e participação na audiência pública que será realizada na câmara dos vereadores com a presença da secretária de educação no dia 23/04;
5-      Realização de seminário para debater e formular propostas para a constituição do Plano Municipal de Educação imediatamente;
6-      Realização de seminário para debater a reformulação e unificação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), proposta de realização até final do primeiro semestre do corrente ano;
7-      Realização de seminário sobre financiamento da educação, proposta de realização até final do primeiro semestre do corrente ano;
8-      Dar entrada em ação por assédio moral no Ministério Público.


Que a farsa montada pelo SINTEM-JP fique registrada como exemplo cristalino das consequências de se ter uma direção sindical pelega e entreguista, escancarando os limites de um sindicato que espelha os discursos e a prática autoritária do patrão. Se o sindicato fosse de fato independente ese o governo estivesse de fato a serviço dos trabalhadores e trabalhadoras, a história poderia ter sido outra. Mas a base mostrou-se lutadora, incansável, ávida por batalhar verdadeiramente pela Educação desse país, e é apenas com as saídas construídas pela classe trabalhadora que avançaremos.

sexta-feira, 17 de abril de 2015


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Em Maceió, os movimentos sindical e social convergem em atos contra o PL 4330


Na manhã de hoje, 15 de abril, várias entidades sindicais e movimentos sociais promoveram, em Maceió/AL, atos de protesto contra a aprovação pela Câmara Federal do PL 4330, que amplia as possibilidades legais de terceirização do trabalho e, em decorrência, fragmenta os direitos trabalhistas, multiplica o desemprego e rebaixa os salários.



Os atos concentraram-se em dois locais. Em frente ao Porto de Jaraguá, onde a Unidade Classista, o Coletivo Ana Montenegro, o PCB, o CSP-Conlutas e o PSTU dialogaram com petroleiros e metalúrgicos. No interior do CAGB (Centro Educacional Antônio Gomes de Barros), localizado na avenida Fernandes Lima, a mais movimentada da capital alagoana, onde a CUT, a CTB, a Intersindical, o MST, a Via do Trabalho e outras entidades e movimentos sociais distribuíram material entre estudantes e trabalhadores.



A partir da 10 horas, houve a convergência das duas iniciativas numa passeata ao longo da avenida Fernandes Lima, que teve uma de suas pistas interditada pelos manifestantes. Vários motoristas de ônibus e carros particulares apoiaram o protesto, o qual não teve incidentes, apesar da constante negociação entre lideranças e policiais. A linha de parte significativa dos discursos foi focada na crítica à maioria do Câmara Federal e na censura às posições do governo federal. Após percorrer as ruas do Centro, a passeata com cerca de três mil pessoas dispersou-se após falas de várias entidades e coletivos em frente ao prédio da Delegacia Regional do Trabalho.



Ao final, ficou entre os participantes a certeza de que se tratou do início da unificação da esquerda na luta contra a terceirização e a redução dos direitos trabalhistas, com reflexos importantes no equilíbrio de forças político na atual conjuntura brasileira.


https://unidadeclassistaalagoas.wordpress.com/2015/04/16/em-maceio-os-movimentos-sindical-e-social-convergem-em-atos-contra-o-pl-4330/

terça-feira, 14 de abril de 2015

TODOS CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO!

Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o projeto de lei (PL 4330), que amplia a possibilidade de terceirização de postos de trabalho para todas as funções em empresas públicas e privadas. Caso seja confirmada pelo Senado e sancionada pela Presidente, essa lei certamente vai fragmentar e enfraquecer a organização sindical da classe trabalhadora, abrindo espaço para que o patronato nos retire direitos conquistados com muita luta.
Se antes a terceirização estava limitada a alguns setores ligados às atividades consideradas secundárias pelas empresas, como limpeza, vigilância, refeições, transporte, etc., o que por si só já é um ataque aos trabalhadores, com o PL 4330 não existirão mais quaisquer barreiras de proteção frente à precarização do contrato de trabalho. Mesmo as denominadas atividades fim (consideradas como objetivo estratégico), poderão ser efetivadas por uma empresa de locação de força de trabalho ou um grupo delas.
Para exemplificar, citamos o caso do setor financeiro, que mesmo com a legislação atual, ou seja, antes da aprovação do PL 4330, já pratica a terceirização de atividades fim, através de lotéricas e agências dos correios, além do telemarketing, o processamento de depósitos e outros serviços. Vale ainda salientar que, conforme estudo realizado pelo DIEESE, na média, um trabalhador terceirizado trabalha três horas a mais por semana e ganha 23% menos que um empregado direto. Hoje em cada dez acidentes de trabalho, oito atingem os terceirizados.
A Unidade Classista repudia esse golpe mesquinho e covarde praticado pelos parlamentares da base governista e da oposição de direita, capachos financiados por donos de bancos, indústria e o agronegócio e convoca a classe trabalhadora para participar de todas as formas de lutas possíveis (paralisações, boicotes, piquetes, entre outras), que ocorrerão no dia 15 de abril, acumulando forças para promover uma greve geral para derrotar a ofensiva dos capitalistas e de suas marionetes!
Abaixo o PL 4330!
Não ao ajuste fiscal do governo. Os ricos que paguem a crise!
Vamos às ruas para garantir nossos direitos!
UNIDADE CLASSISTA

segunda-feira, 13 de abril de 2015

domingo, 12 de abril de 2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Causas econômicas do antipetismo da classe média



Golbery Lessa
Se a esquerda deseja ter clareza sobre como agir diante da ampliação das manifestações organizadas por setores reacionários da classe média, precisa procurar uma explicação científica para o fato e não embarcar na versão apresentada pelo governo federal. É mais fértil procurar entender as bases econômicas, culturais e políticas do reacionarismo do que concebê-lo como um improvável desvio moral simultâneo de milhões de indivíduos. Seria desastroso fundamentar apenas na intuição o discurso e as ações contrários às dimensões ultradireitistas das manifestações corridas no último 15 de março. Para a esquerda, é mais importante tentar compreender os fatos do que promover uma competição para saber qual dos seus analistas ridiculariza melhor o bizarro discurso das passeatas verde-amarelas e cria o mais engenhoso anátema para estigmatizar os setores médios.