sábado, 26 de setembro de 2015

Sobre a greve do Sinasefe

A LUTA NÃO PODE PARAR!
           
            Após mais de 70 dias de greve nos encontramos em um momento decisivo para este que já é o segundo maior movimento paredista da história do SINASEFE. Nossa luta tem sido fundamental no enfrentamento a um dos maiores ataques contra a classe trabalhadora, os direitos sociais e o serviço público, em especial a educação. O empenho do governo Dilma em salvar o capital atacando os/as trabalhadores/as, o leva a adotar medidas de recorte claramente neoliberal que se revelam na implementação dos pacotes anti-povo (Ajuste fiscal, Agenda Brasil e PPE, dentre outros).
            O arrocho que retira recursos das áreas sociais para a manutenção do pagamento da dívida pública, já está inviabilizando as atividades de inúmeros campus dos Institutos Federais em todo o país. Não bastando estes ataques, o Governo Federal aponta, em parceria com o sistema S, para a privatização dos Institutos Federais. Estamos diante a um dos maiores ataques à educação pública, que leva a construção de uma ampla frente em defesa da educação pública para barrar o avanço deste projeto. Nossa greve também tem revelado que na difícil conjuntura que vivem os/as trabalhadores/as apenas através da construção de uma GREVE GERAL conseguiremos barrar os ataques neoliberais.
            A greve do Sinasefe tem feito os enfrentamentos necessários em defesa da educação pública. O movimento paredista tem se caracterizado pelo esforço desmedido de algumas bases para construí-lo. Essa greve vem sendo mantida pelos valorosos militantes de base do nosso sindicato. Ninguém mais pode se achar responsável pelos caminhos que seguimos até aqui a não ser os/as trabalhadores/as que os trilharam.
            Compreendemos que foi precipitada a decisão apontada pela 136ª Plena de indicar a saída da greve para o dia 30/09, sem que naquele momento tivéssemos sequer recebido a contraproposta do MPOG. Ainda que enfrentemos um quadro de refluxo da greve, o mesmo não revela um recuo generalizado que poderia levar ao final da greve por inanição.
            É fato que as bases que entraram com disposição e conseguiram manter a greve não iriam se retirar da luta sem a sinalização de um desfecho minimamente aceitável. Isso demonstra uma grande disposição para a luta de trabalhadores/as que não veem seus interesses representados na postura de seus diretores em uma greve em que a base protagoniza seu início e desenvolvimento.
            A proposta de saída da greve para o dia 30/09, inviabilizou que muitas seções conseguissem fazer o necessário debate sobre a proposta de reajuste salarial apresentada pelo MPOG, um dos temas centrais da nossa luta. A decisão da última Plena apenas contribuiu para desmantelar a greve nacional do SINASEFE, que a partir da 137ª PLENA terá sérias dificuldades de manter-se. Além disso, tal indicativo jogou um “balde de água fria” nas mobilizações realizadas no dia 23 de setembro, que poderiam ter apresentado um potencial muito maior.
            A Unidade Classista compreende que devemos organizar de fato o recuo tático, pois agora existem elementos suficientes para propô-lo às bases. Para tanto, é necessária uma ampla discussão nos locais de trabalho sobre esse tema e também sobre as propostas do MPOG, devendo ser convocada uma nova Plenária Nacional nos dias 03 e 04 de outubro para dar o desfecho para o movimento.
            Saudamos as bases que se mantém firmes e com disposição de luta até o presente momento e conclamamos a manutenção da organização dos trabalhadores, pois o cenário que se avizinha, como por exemplo a proposta de repassar os IFET's para o gerenciamento do Sistema S,  aponta para a necessidade de continuar fortalecendo as lutas em defesa da educação pública. aponta para o fortalecimento das lutas em defesa da educação pública. Também apontamos para a necessidade de uma reestruturação do nosso sindicato.
            Saudamos os esforços e o empenho dos/as companheiros/as que vem construindo o FÓRUM CLASSISTA no Sinasefe que se revela como um importante polo classista, de luta e unidade dos/as trabalhadores/as em educação.
            Compreendemos que o fortalecimento do Sinasefe não será obra de uma ou outra personalidade que compõe nosso movimento. Mas será, sim, fruto da organização dos próprios trabalhadores e da sua capacidade de intervir nos rumos da nossa entidade.

ABAIXO O ARROCHO FISCAL!
PELA SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA!

RUMO À GREVE GERAL!

domingo, 20 de setembro de 2015

Plenária da Unidade Classista na luta pela moradia

UC-CE

Realizada no dia 13 de setembro, no auditório central da UECE, no campus Itaperi, a plenária da Unidade Classista foi organizada através da presença dos camaradas da corrente sindical e do comitê classista de luta pela moradia, com o apoio do Jornal O Poder Popular.

Reforçando a necessidade de construir a luta contra o capitalismo através da Unidade Classista, a plenária foi um passo significante para dar continuidade à luta que começou como consequência da ocupação do terreno onde hoje está o Conjunto Cidade Jardim, no bairro José Walter, em 2010.

A comuna 17 de Abril, como ficou conhecida, ocupou um terreno de cerca de 540 hectares, resistindo até que a prefeitura iniciasse o projeto, finalizado pelo Governo do Estado, através do programa Minha Casa Minha Vida, da construção das moradias, abrigando hoje cerca de 1200 famílias.

O coletivo classista de luta pela moradia da Unidade Classista mostra que os trabalhadores, pagando aluguel ou morando em regime de coabitação (habitação que se divide com uma ou mais pessoas ou famílias), constroem a cidade com seu suor e mesmo assim não ganham o suficiente para ter sua casa própria.

Portanto, a necessidade de se organizar na luta pela moradia é real. A conjuntura atual nos mostra o enfrentamento através da obtenção do terreno para construção das moradias populares. Com o objetivo do Governo Estadual de realocar mais famílias vindas das áreas de risco, a Unidade Classista chama para a construção da luta dos trabalhadores.

Pelo direito a moradia e a uma vida digna para todos! 
Construir o poder popular!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Marcha Nacional dia 18/09: unidade na luta contra o capitalismo, seus governantes e representantes

UC-Nacional
O contexto atual da crise capitalista joga por terra o discurso do PT e sua base governista de que era possível avançar nas resoluções dos principais problemas vivenciados pela população brasileira e ter uma “sociedade mais justa”, sem enfrentar os interesses da grande burguesia monopolista brasileira. 

Os governos petistas mantiveram intactas as premissas do projeto neoliberal que FHC acordou com o FMI no final de 1998, isto é, realizar o superávit primário para controlar a expansão da dívida pública, cumprir as metas de inflação (o que implica manter taxas elevadas de juros) e garantir um regime de câmbio flutuante, bem como deu continuidade às políticas privatistas (rebatizadas de concessões, PPP´s, abertura de capitais), ao desmonte dos serviços públicos e ataques a direitos constituídos da classe trabalhadora. Tudo com a roupagem do “neo-desenvolvimentismo”, do “desenvolvimento sustentável” ou “novo projeto nacional de desenvolvimento”, estas parolagens...

No âmbito da crise econômica se expressa também uma crise política que pode culminar numa mudança do atual bloco de poder. E os diversos segmentos do grande capital monopolista (industrial, agrário, financeiro, exportador, comercial, etc.) que se acomodavam no bloco governista, seguem agora na busca de uma alternativa. Jogam nos dois lados e apoiarão aquele que vencer a disputa. 

Para vencer a disputa e seguir como “gerente principal” do Estado, o PT e seus aliados, se esforçam mais uma vez (e como nunca) para garantir a ordem burguesa e atender à necessidade do capital de queimar forças produtivas, frear a produção e o consumo, devastar mercados, destruir o poder de compra da moeda, rebaixar salários e demitir em massa para recriar as condições favoráveis à retomada dos investimentos com taxas de lucro aceitáveis. Para isto busca transformar a crise da economia capitalista em uma crise de todos, da sociedade, exigindo os sacrifícios (o “remédio amargo” como diz Dilma) compartilhados para voltar ao mítico crescimento que beneficiará a todos.

O empenho do governo Dilma em salvar o capital atacando os trabalhadores, coloca-os sob a influência do discurso político da direita (que com eficiente manipulação identifica "petismo" com “socialismo” e "comunismo") permitindo à oposição conservadora empreender uma cruzada moralista contra a corrupção que serve tanto para angariar apoio nos setores médios, como atacar as bases das classes trabalhadoras oferecendo a explicação da corrupção como cortina de fumaça que encobre a dinâmica da exploração capitalista. 

Prevendo que o agravamento da situação econômica e os impactos do pacote anti-povo (Ajuste fiscal, Agenda Brasil e PPE dentre outros) tendem a desencadear protestos e mobilizações, o próprio governo enviou ao Congresso (que já aprovou em 1ª votação na Câmara) o PL nº 2.016, chamada de “Lei Antiterrorismo”, que como sabemos, tem como principal objetivo a repressão e criminalização das lutas populares contra a ordem do capital.

O sindicalismo e os movimentos governistas (CUT, CTB, NCST, UNE, MST, CONTAG, CMP...), que deveriam mobilizar segmentos brutalmente atingidos pelas ações do governo, fazem mais em defendê-lo, deixando em segundo plano as lutas contra os ataques perpetrados. Querem o apoio dos operários para um governo que impõe uma redução de jornada com redução de salários; querem apoio dos funcionários públicos, mas o governo os trata como inimigos numa greve onde a categoria quer apenas repor perdas e garantia de direitos que estão sendo atacados; querem apoio dos professores universitários, mas desmonta a universidade pública enquanto descarrega milhares de reais para as universidades privadas; querem o apoio dos movimentos de luta pela terra a um governo que prioriza bilhões para o agronegócio e enterra a reforma agrária; querem apoio para defender a democracia, porém se calam quando o governo, a pretexto de promover a “segurança nacional” (expressão utilizada pela ditadura), pede ao parlamento a aprovação de um PL que inclui a “motivação ideológica e política” na definição de “organização terrorista”.

A classe trabalhadora, atordoada e dividida, reage como pode. Recusa o pacote de garantia das empresas contra os trabalhadores, faz greves (muitas), e procura manter vivos os movimentos sociais que lutam por suas demandas específicas (pela terra, moradia, em defesa da saúde pública, em defesa da universidade pública e da educação, contra a ordem urbana expropriadora, contra a violência policial, etc.).

Neste cenário, a Unidade Classista convoca seus militantes e simpatizantes à participarem da Marcha Nacional no dia 18/09, em São Paulo , no sentido de fortalecer a unidade de ação na luta autônoma da classe trabalhadora contra os ataques da ordem burguesa, seus governantes e representantes. A classe trabalhadora esta cansada de pagar a conta!!!

Na contracorrente da conciliação e do reformismo, que ainda alimentam ilusões em grande parcela dos trabalhadores e lutadores sociais quanto à possibilidade de administrar o capitalismo e torná-lo “mais justo”, reafirmamos: somente a luta organizada e unitária do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, pode barrar a ofensiva do capital e abrir uma perspectiva para a construção de um “poder popular”, no rumo do socialismo.

Unir as lutas para emancipar a classe!!!

Coordenação Nacional da Unidade Classista

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

TODO APOIO À GREVE DOS SERVIDORES FEDERAIS

Fortalecer a nossa greve, contra a intransigência do governo e os ataques da burocracia



Nota da Unidade Classista


Completam-se quase 60 dias de greve no SINASEFE. Mas em muitos lugares esse período é muito maior. Estamos com 247 unidades da rede em greve, espalhados por 50 seções e 25 estados. Isso demonstra uma clara postura de luta da nossa base em defesa de uma pauta que é notoriamente ignorada pelo governo. Por vezes, ainda somos obrigados a enfrentar a direção local da nossa seção e a própria direção nacional do SINASEFE.
Apesar de termos chegado ao mês de setembro, ainda há disposição da categoria em manter o movimento paredista nos estados. A falta de negociação por parte do governo tem sido um dos motivos para essa mobilização. Fomos recebidos nos dias 20, 22 e 23 de julho para ouvirmos “mais do mesmo”, condicionando a negociação da pauta completa à aceitação do reajuste salarial. Em 19 de agosto tivemos novo encontro onde continuamos sem perspectiva de avanços nas negociações.
Diante dessa postura intransigente do governo, que na última quinzena de agosto postergou várias vezes reunião com o Fonasef, a saída do conjunto dos servidores foi radicalizar, o que ocorreu nos dias 27 e 28 de agosto durante a Marcha dos SPF’s em Brasília. Naquela oportunidade, dobrou-se a convicção do governo em não negociar mais após a confirmação de que na LDO/2016 constaria os míseros 21,3% - divididos nos próximos quatro anos (2016-2019). Em razão do ato o Fonasef se reuniu nos dias 28 e 31 de agosto com o MPOG.
Por intermédio de Sérgio Mendonça, secretário de Relações de Trabalho do MPOG, o governo deixou claro mais uma vez que condiciona os pífios aumentos nas verbas indenizatórias (auxílio-alimentação, auxílio-creche, saúde) e possíveis acordos específicos à assinatura do reajuste geral (21,3%). Ou seja, teríamos que atestar a abdicação das perdas inflacionárias dos últimos cinco anos, em benefício de acréscimos irrisórios nas verbas indenizatórias (que, por sinal, não abarcam a todos os servidores) e de possíveis acordos específicos incertos.
Se não bastasse tudo isso, Sérgio Mendonça escancarou que a disposição do governo é cortar o ponto dos servidores, o que já tem ocorrido com os companheiros diretamente vinculados à Presidência da República. Esta prática antissindical, aliada à nada fortuita falha no desconto consignado de diversos sindicatos em greve, expressa que para o governo vale tudo na busca por implementar o arrocho fiscal a fim de atingir um superávit primário exigido pelo capital financeiro e os grandes monopólios industrial e agrícola.
Por falar em superávit primário, em apresentação pública da LDO/2016 o Ministro do Planejamento Nelson Barbosa expôs que uma das fontes de receitas previstas para o ano que vem (cerca de R$ 300 mi) resulta da terceirização da folha de pagamento dos SPF’s. Trocando em miúdos, as instituições financeiras administrarão mais R$ 100 bi destinado ao pagamento dos servidores, montante que pode ser utilizado em jogadas financeiras arriscadas, prejudicando não só os servidores, mas a saúde financeira do país como um todo. Obviamente os prejuízos resultantes dessa irresponsabilidade serão socializados com o conjunto dos trabalhadores, enquanto os lucros com o uso do dinheiro público serão privados.
Para além das dificuldades enfrentadas no diálogo com o governo, nossa categoria ainda tem de enfrentar uma Direção Nacional burocratizada, que tende a priorizar as disputas internas a de fato dirigir as lutas da base. Pelo contrário, muitos membros dessa DN têm se organizado e mobilizado para deflagrar constantes ataques ao Comando Nacional de Greve e, por consequência, à greve nacional. É preciso denunciar essas práticas puramente burocráticas que tentam desestabilizar alguns membros do CNG e são motivadas pelo receio de perder espaço que ocupam, em alguns casos, há décadas.
Em razão disso, a Unidade Classista exorta a militância grevista a compor conosco o Fórum Classista, espaço que congrega a esquerda anticapitalista, partidária ou não, na busca por depurar nosso sindicato da burocracia que dele se apossou, condição para mantê-lo na luta coerente contra as políticas neoliberais implementadas pelo governo e apoiadas pela oposição de direita.
Somente a categoria organizada e consciente tem a capacidade de levar esse movimento adiante e arrancar alguma conquista concreta para além da pauta salarial. Os atos em conjunto deram um claro sinal de unidade entre as categorias dos SPF’s e só a intensificação dessa unidade pode nos levar às conquistas que tanto almejamos. Temos que fortalecer nossa greve neste início de setembro para pressionar o Congresso Nacional e o próprio governo. O prazo limite para greve quem decide são os trabalhadores em luta, não a legislação estatal.
Dessa forma, a conquista das justas reivindicações salariais são necessárias, mas não encerram em si os desafios postos em um horizonte de muitas lutas. Os cortes de orçamento, o avanço do capital financeiro e especulativo, a precarização dos serviços públicos, os ataques aos direitos trabalhistas, entre outros, são medidas a serem enfrentadas, e só quem terá condição de fazer esse enfrentamento é a classe trabalhadora organizada. Nesse sentido a construção de uma Greve Geral se apresenta como forma de dizer ao capital e seus fantoches no governo que nossa classe está na luta e disposta a resistir aos constantes ataques que vem sofrendo.

Abaixo o arrocho fiscal!

Pela suspensão do pagamento da dívida pública!

Intensificar a mobilização, fortalecer a nossa greve!


Rumo à Greve Geral!