sexta-feira, 30 de outubro de 2015

William, Walmir, Barroso: Presentes! Nove de Novembro de 1988 - O massacre aos operários de Volta Redonda

A Unidade Classista, corrente sindical e operária coerente com seus princípios, soma-se ao conjunto de entidades na preservação da memória dessa importante jornada de luta operária em Volta Redonda. O Nove de Novembro de 1988 constituiu-se, ao longo de seus 27 anos, uma importante referência para todos os trabalhadores do Brasil e adquire um significado maior, principalmente em um momento no qual, a pretexto de uma crise econômica mundial pela qual não somos responsáveis, novos ataques e chantagens são organizados contra os trabalhadores. 
No dia 4 de Novembro de 1988, em uma Assembleia, os metalúrgicos da CSN decidiram por uma greve pacífica em que reivindicavam reajuste salarial com base no DIEESE, readmissão de demitidos no ano de 1987, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) eleita pelos trabalhadores, jornada semanal de 40 horas e a implementação do turno de 6 horas. No dia 07 de Novembro começou a paralisação. 
No dia 09 de Novembro, o Exército iniciou a repressão dentro e fora da CSN, tendo como trágico resultado a morte de três metalúrgicos no interior da empresa: Carlos Augusto Barroso, de 19 anos, Walmir Freitas Monteiro, 27 anos, e William Fernandes Leite, 22 anos, além de muitos feridos. 



Após a repressão do Exército, a greve foi mantida, porém como resposta, o Ministro da Indústria e Comércio, ameaçou fechar a CSN. No dia 22 de novembro a população deu um abraço simbólico na CSN e no dia 24 de Novembro, em assembleia, os metalúrgicos decidiram pelo fim da greve.
Em relação às mortes ocorridas em 9 de Novembro de 1988, ninguém foi considerado culpado e as denuncias feitas pelo Ministério Público foram rejeitadas. O General José Luís Lópes da Silva, comandante da invasão, tornou-se Juiz, pois foi indicado Ministro do Superior Tribunal Militar em 1990 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


As Agressões Continuaram

repressão não parou por aí: o Memorial 9 de Novembro, construído em homenagem aos operários mortos, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurado em 1 de Maio de 1989, foi dinamitado na madrugada do dia seguinte. Essa atitude demonstrou até onde estava disposta a ir a repressão e se constituiu como uma afronta direta ao recém instaurada processo de redemocratização que o país atravessava. Os moradores de Volta Redonda acordaram perplexos e indignados com mais essa arbitrariedade. Os fantasmas da ditadura rondavam e demonstrando que estavam determinados a continuar as agressões contra as lutas operárias. O Memorial 9 de Novembro foi reerguido pelos próprios metalúrgicos de Volta Redonda e reinaugurado em 12/08/1989. As pressões contra os trabalhadores da CSN e contra o povo da cidade não pararam por ai. Com a eleição de Fernando Collor para Presidente, novas demissões ocorreram e foram preparadas as condições para a sua privatização.


A Privatização da CSN

A privatização da CSN foi aprovada em 11 de junho de 1992 pelo PND, Plano Nacional de Desestatização. O seu Edital de venda foi publicado em 9 de outubro de 1992 e, após o Decreto Federal 724, de 19 de janeiro de 1993, sua venda foi realizada em 02 de abril de 1993 pela metade do valor que ela havia sido avaliada na época, ou seja, pelo preço mínimo de R$ 1,2 bilhão. 



Outra grave situação marcou esse processo, pois todo território da União em nome da CSN foi incluído no pacote de sua venda, resultando que parte expressiva do território de Volta Redonda, patrimônios nos estados de Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo, passaram a ser propriedades do consórcio de empresas que arrematou a CSN. Em Volta Redonda, a Fazenda Santa Cecília, os terrenos do Aero Clube, as terras ao longo da Rodovia dos Metalúrgicos, Imóveis como o Escritório Central, o Posto de Puericultura e diversas áreas residenciais e comerciais também constam dessa lista. As constantes demissões, chantagens, condições inseguras de trabalho e aumento de acidentes fazem parte de uma realidade que se agravou com a privatização. Toda cidade sentiu esses reflexos, constatados em problemas como o aumento da violência, suicídios, conflitos por moradias e desempregos.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Dia do servidor público

 

Hoje, Dia do Servidor, temos que refletir:

Quem são os responsáveis por TODOS os serviços públicos dessa cidade? Quem realiza de fato TODO o trabalho da Prefeitura? Somos nós, os trabalhadores, aqueles que tudo produzem, mas não recebem de volta o que deveria, nem em reconhecimento, muito menos em salário.
Assim como na esfera privada, nós trabalhadores somos os únicos responsáveis pela produção e prestação de serviços. Mas... se a classe operária tudo produz, porque não a ela tudo pertence?

* Nossa sociedade é dividida em classes antagônicas. Uma possui os meios de produção (terras, máquinas, fábricas, matéria prima, tecnologia...), enquanto a outra possui a força do trabalho. A primeira se beneficia de quase tudo o que a segunda produz. Para se ter uma pequena ideia,a riqueza de 1% da população mundial irá ultrapassar a dos outros 99% até 2016.

História em Quadrinhos do André Dahmer

porque os trabalhadores, que são a maioria absoluta da população, deixam isso acontecer? Muitos fatores determinam para o apassivamento da classe trabalhadora*, porém, quando a mesma consegue se organizar minimamente, conquista inúmeras melhorias nas condições de trabalho, salário e direitos. Por isso, todo trabalhador deve se organizar, se filiar ao seu sindicato e participar das mobilizações de sua categoria.A classe trabalhadora só será livre quando perder a paciência de vez. Fiquemos agora com o poema de Mauro Iasi sobre isso:

"Quando os trabalhadores perderem a paciência"
As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência
A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juízes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências
Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obsolescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
"declaro vaga a presidência"!
* Essas não são perguntas simples de responder, apenas um texto não daria conta. Para se ter uma ideia, o curso de formação "Como funciona a sociedade?" dura dois dias, em dois períodos, para investigar as raízes dessas questões. O sindicato organiza esse curso de tempos em tempos, se inscreva no próximo.

Extraído de http://sindservsantos.org.br/noticia.php?cd_materia=2255 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

OUTUBRO DE LUTA - Não basta trocar peças quando o sistema não tem conserto



Está em curso no Brasil um processo político que expõe didaticamente a essência da democracia burguesa instalada no país. Tanto o partido do governo federal, o PT de Dilma e Lula, quanto o partido que comanda a oposição de direita, o PSDB de Aécio e FHC, vem buscando de formas mais ou menos explícitas atrair o famigerado presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha (PMDB), para acordos conforme seus interesses.
Ambos estão plenamente dispostos a jogar para baixo do tapete as contas na Suíça e toda a enorme lista de falcatruas de Cunha como moeda de troca: o PT para assegurar o mandato da presidente Dilma contra a tese do impeachment e o PSDB, ao contrário, para facilitar a tramitação do processo de impedimento no congresso nacional.
O fato é que, quando estava na oposição, o PT culpava os tucanos pelas péssimas condições de sobrevivência dos trabalhadores. Hoje o PSDB age da mesma forma, atribuindo toda a responsabilidade do desemprego e aumento do custo de vida ao PT. Esta polêmica, contudo, não passa de uma grande farsa. Como disputam a gerência do sistema, os partidos da ordem não podem revelar que a raiz da crise econômica, política e social que vivemos está no sistema capitalista.
Apesar das diferenças na forma de administração segundo o governo de plantão, as crises fazem parte do funcionamento do capitalismo e não podem ser evitadas enquanto este tipo de sociedade não for abolido. Portanto, não podemos nos iludir: independentemente de quem seja o presidente da república, se a classe trabalhadora organizada não encarar de frente o problema da propriedade privada dos meios de produção e outros pilares da sociedade burguesa, persistirão as crises cíclicas, a exploração e a desigualdade.
Nessa perspectiva, a Unidade Classista convoca os trabalhadores e todo o povo a participarem do OUTUBRO DE LUTA em diversos estados, se levantando em unidade com greves e outras formas de mobilização contra as retiradas de direitos, as terceirizações, o ajuste fiscal, enfim, as medidas tomadas pela classe dominante e seus representantes políticos contra a nossa classe, rumo à construção de uma alternativa anticapitalista e antiimperialista para o Brasil!

domingo, 18 de outubro de 2015

Só a adesão maciça dos bancários à greve poderá fazer o governo Dilma e os banqueiros recuarem!



     A greve nacional dos bancários completou dez dias na sexta-feira, 16/10, sem qualquer iniciativa da Fenaban em favor da retomada das negociações, em que pese os apelos, nesse sentido, da Contraf e da Contec. Até agora permanece sobre a mesa a proposta indecente de 5,5% de reajuste, mais um abono salarial de R$ 2.560,00, apresentada ainda antes do início do movimento.
      Diante disso, duas questões se colocam: Primeiro, porque os Bancos, setor empresarial que há mais de uma década detém a maior lucratividade entre todos os demais no país, estão se portando de maneira tão intransigente diante do acordo salarial 2015? Segundo, como uma greve nacional dos bancários, que a Contraf-cut, Contec e até mesmo a Intersindical e a Conlutas, consideram forte e superior a do ano passado, pode durar tanto tempo sem conseguir ao menos uma retomada das negociações?
     O primeiro questionamento refere-se a uma mudança na atitude dos banqueiros e do governo diante das reivindicações dos trabalhadores. Se antes, havia alguma complacência, garantindo-se pelo menos a reposição inflacionária e o atendimento de uma ou outra reivindicação de pouco impacto nos custos dos Bancos, neste ano a estratégia mudou. Antevendo o agravamento da crise econômica, fomentada por eles mesmos, a Fenaban e o governo Dilma querem impor uma derrota aos bancários, aprofundando o arrocho salarial neste acordo para mais adiante intensificarem os ataques com a rotatividade, as reestruturações, o aumento das terceirizações e a privatização dos bancos públicos.
     O segundo ponto nos leva a refletir se a greve no seu estágio atual é suficiente para dobrar a intransigência dos bancos. Primeiro queremos questionar esse método de se avaliar a greve pelo número de dependências fechadas. Uma agência ou prédio fechado ao atendimento público não significa exatamente que os trabalhadores lotados ali estejam participando da paralisação. Muitas vezes estão no interior das dependências produzindo, realizando tarefas, vendendo produtos, inclusive aproveitando a ausência do público de baixa renda para bater suas metas de produção.
     Essa é a realidade da greve, não difere muito do que vem acontecendo em nossas últimas campanhas salariais. Cada vez mais os bancários vêm sendo afastados da luta pelos seus interesses, devido a uma orientação premeditada daqueles que hoje, infelizmente, ainda são majoritários no movimento sindical. Campanhas burocráticas e sem participação efetiva dos trabalhadores não tem força para arrancar conquistas, nem mesmo, para garantir direitos. Principalmente quando entramos numa conjuntura em que o governo e o conjunto dos grandes empresários têm um grande eixo de unidade: pretendem jogar sobre os ombros da classe trabalhadora todo o peso da crise capitalista. A crise política que envolve o governo Dilma, o Congresso e demais instituições burguesas, não advém apenas da corrupção deslavada em que estão envolvidos, mas, também, da disputa entre os segmentos empresariais em torno da política econômica e do controle do aparelho de estado.
     Diante desse quadro, a greve bancária, até aqui, bastante parcial, só conseguirá lograr êxito caso um contingente expressivo dos trabalhadores, entre aqueles que não aderiram ao movimento, venha para a greve, aumentando efetivamente o poder de pressão da categoria, forçando o governo e os banqueiros a recuarem da sua posição de intransigência.

Vem Pra Greve Você Também!
Todos à Assembleia, nesta terça-feira, 20/10, 17 horas, no Sindicato.


UNIDADE CLASSISTA – BANCÁRIOS RJ

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

70 ​ANOS DA FSM​ FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL



Representantes da Unidade Classista estiveram presentes no Simpósio Sindical Internacional, evento realizado na cidade de São Paulo entre os dias 01 e 03 de outubro. Na ocasião, dirigentes sindicais de todos os continentes participaram da comemoração do septuagésimo aniversário da Federação Sindical Mundial. A história da FSM foi um dos temas centrais discutidos no Simpósio. Ressaltou-se o protagonismo da Federação na luta anti-imperialista e na promoção do internacionalismo proletário desde 1945, quando foi fundada.

George Mavrikos, secretário geral da entidade, chamou atenção para a atual agressividade do imperialismo no Oriente Médio, Norte da África e América Latina, conclamando à solidariedade entre os trabalhadores e povos de todo o mundo para fazer frente à profunda crise internacional instalada no sistema capitalista, crise esta que vem intensificando a ofensiva do capital globalizado e ameaçando a vida de milhões de pessoas.

No contexto deste chamamento, a Unidade Classista aproveitou a atividade para dar consequência a uma de suas resoluções congressuais que reafirmam a importância de fortalecer a FSM e deu início ao processo de filiação à Federação.