segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Greves em tempos de crise: inconsequência?

Temos visto recentemente, com maior periodicidade em alguns meios de comunicação, patrões, representantes de governos e alguns jornalistas tentando incutir na opinião pública a ideia de que, em momentos de crise econômica, as greves e outras formas de luta dos trabalhadores são algo inconsequente e prejudicial a todos.
Esta fração da sociedade, ao fazer isto, tenta impor sua visão de mundo aos demais setores, com o objetivo de criar uma espécie de consenso para que todos, principalmente os trabalhadores, acreditem na mentira de que vivemos em uma sociedade onde patrões, governos e trabalhadores têm os mesmos interesses e que, durante as crises econômicas, próprias do modo de produção capitalista, todos são atingidos da mesma forma e com a mesma intensidade. Com base nesta tese, “todos” deveriam buscar a conciliação e evitar o conflito.
Tal posição tem, como único objetivo, constranger os trabalhadores, principalmente aqueles que, por falta de informação e formação, ainda não compreendem como funciona uma sociedade dividida em classes sociais, com interesses antagônicos, como a nossa, e quem representam os governos derivados deste tipo de sociedade.
Ao concordamos acriticamente com o discurso da conciliação de classes, colocamo-nos em uma posição cada vez mais desvantajosa em relação aos patrões, e abrimos caminho para a consolidação de suas políticas e de sua ideologia. As crises são próprias do capitalista, pois a produção, neste tipo de sociedade, é realizada sem planejamento, de forma anárquica; portanto, as crises são mais do que previsíveis, elas são próprias do sistema. De tempos em tempos, necessariamente ocorrerão, e os patrões e governos as utilizarão como álibi para contenção de nossas lutas por melhores condições de trabalho, salários e direitos, apostando em nosso desconhecimento e em nossos medos.
Ao olharmos para a história, principal fonte de conhecimento, descobrimos que as respostas dos patrões, durante estes momentos, continuam as mesmas: demissões, rebaixamento dos salários, intensificação do trabalho e, em muitos casos, a guerra. E quanto aos governos? Bem, em relação a eles, temos que fazer sempre a seguinte pergunta: quem os governos, em uma sociedade dividida em classes sociais, representam? Se representassem os trabalhadores, impediriam o desemprego, o rebaixamento de salários, a intensificação do trabalho e a guerra.
Não é à toa que, em tempos de crise, organizemos mais greves e mais manifestações, pois é justamente, nestes tempos, que os patrões e seus governos nos deixam claro que vivemos em uma sociedade com interesses antagônicos: demitindo, intensificando o trabalho, retirando direitos e reduzindo salários, em nome da manutenção de suas taxas de lucro e de seus interesses privados.
Sendo assim, a partir do nosso dia a dia, dos diversos ataques aos nossos direitos, das péssimas condições de trabalho, da ampliação das taxas de desemprego e da redução de nossos salários, é preciso que fique claro para todos e, principalmente para nós, trabalhadores, que as greves em tempos de crise são, lamentavelmente, necessárias.

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