segunda-feira, 21 de novembro de 2016

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Tarefa dos Revolucionários no Movimento Sindical

Paulo Cesar De Biase Di Blasio*
O quadro atual do movimento sindical é de refluxo. Com 11 milhões de desempregados, as lutas econômicas estão em acentuado descenso. Mesmo em categorias numerosas e bem organizadas, as greves são derrotadas, não conseguindo nem a reposição da inflação. As lutas econômicas isoladas são incapazes de derrotar os ataques do governo da burguesia e do imperialismo. Diante da crise sistêmica do capitalismo, a burguesia, como sempre, quer que os trabalhadores paguem pela sua crise. O ataque do Capital se mostra amplo, isto é, atingirá toda a classe trabalhadora. A luta contra os ataques do governo Temer passa necessariamente pela luta política. A luta de classes no país tende a subir a patamares nunca atingidos. E somente a luta unitária e de massas poderá barrar e derrotar esses ataques. Mas para que isso aconteça é necessário cumprir algumas tarefas. 

Para enfrentar essa situação crítica, uma das tarefas dos revolucionários é superar uma deficiência histórica do movimento sindical brasileiro: a organização por local de trabalho. Sem ela, a luta econômica é fraca e defensiva, ficando nos limites da espontaneidade das massas. E a luta política sem a organização por local de trabalho torna-se muito difícil, quase impossível. Em nossa história recente temos exemplos de momentos importantes da luta política – o Golpe de 64 e a Ditadura empresarial-militar – nos quais a greve geral não ocorreu ou obteve fracos resultados em virtude da débil ou inexistente organização por local de trabalho. Não é à toa que a burguesia não aceita a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho. Ela tem consciência do perigo que isso representa – afinal, a burguesia está na luta de classes.

A burocracia sindical, subserviente ao capital, por motivos óbvios e por instinto de sobrevivência, não faz esse trabalho. No máximo, faz a cooptação de novos militantes, corrompendo-os com o aparato sindical. É evidente que não podemos contar com os dirigentes sindicais reformistas para essa tarefa.  Queremos, sim, a sua base, os trabalhadores. Por outro lado, organizações de esquerda procuram recrutar novos militantes que surgem dos movimentos grevistas e populares. Devido sua pequena inserção no movimento operário-popular, esses grupos, procurando visibilidade, atuam nos comitês, fóruns, comandos, ou seja, priorizam o trabalho de cúpula e não fazem o trabalho de base.

O trabalho de organização por local de trabalho é relegado a segundo, terceiro plano, ou mesmo, na maioria dos casos, não realizado. Esse trabalho não rende resultados imediatos, seus frutos geralmente aparecem a médio e longo prazo. É uma atividade que requer paciência e persistência, principalmente levando-se em conta o atraso político do movimento operário-popular brasileiro. É um trabalho que o “revolucionário pequeno-burguês radical”, por sua pressa, pouca firmeza e falta de determinação verdadeiramente revolucionária, é incapaz de realizar. 

Temos companheiros com muita experiência nas lutas sociais que estão desgarrados, desorganizados, que muito podem contribuir para a luta. Esses trabalhadores avançados, apesar de não terem a consciência de classe comunista, têm uma consciência política mais ampla, sabem dos limites da luta sindical, não tem ilusões quanto aos seus inimigos e são respeitados pelos demais trabalhadores, sendo uma referência para eles. Não podemos desconsiderar esses companheiros. Eles poderão contribuir para atrair a massa para a luta. A tarefa dos revolucionários é arregimentar os trabalhadores avançados no plano político-sindical com o objetivo de criar círculos, comissões e comitês por local de trabalho, para promover debates e divulgar propostas de ação para a categoria, sempre com o cuidado de preservar o grupo. 

A unidade das forças classistas é fundamental para enfrentar a conjuntura atual. Independentemente de posições políticas diferentes e evitando hegemonismos, devemos, através da organização por local de trabalho, construir uma frente única nas fábricas, empresas e escolas para enfrentar e derrotar os ataques do governo. Sem dúvida, é um passo importante para avançarmos na construção de um bloco anticapitalista e anti-imperialista.

* Professor da rede estadual em Nova Friburgo/RJ

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O papel do Sinasefe na atual conjuntura



Depois de transcorridos seis meses de governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB/PSDB) as suas promessas feitas para a burguesia estão sendo celeremente implementadas. Neste curto período, o usurpador já conseguiu aprovar em dois turnos na Câmara a PEC 241/55, “PEC da Morte”, aproveitando-se do fisiologismo que impera no Parlamento brasileiro e da pressão dos setores empresariais. Em seguida à PEC, as pretensões são aprovar as reformas previdenciária e trabalhista, o que no conjunto representará para as condições de vida dos trabalhadores um retrocesso para o momento pré-constituinte de 1988 no que tange à proteção social estatal e ao período pré-CLT de 1943 em relação ao regramento da compra e venda da força de trabalho.
A aprovação do limite para os investimentos sociais – sem qualquer limitação para os gastos com a dívida pública – imporá uma radical alteração nos serviços públicos brasileiros nos próximos anos. Os mecanismos de terceirização expandidos durante os anos dos governos de conciliação de classe (PT/PMDB) serão generalizados ao máximo, com forte tendência ao fim da educação pública como direito de todos e um dever do Estado, abrindo-se caminho para o fim da gratuidade e mesmo de demissão de servidores públicos.
Brasil afora as bases do SINASEFE tem mostrado a disposição para a mobilização e a luta contra o governo golpista e suas medidas, em especial a PEC 241/55. O debate sobre os efeitos dessa medida tem sido feito a exaustão junto aos servidores, aos alunos e aos pais, contribuindo para difundir uma perspectiva contra-hegemônica à PEC, à contrarreforma do Ensino Médio, às reformas e ao governo golpista em si. Uma geração de novos ativistas tem despontado nestes últimos meses diante da gravidade da situação, todos dispostos a travar o duro embate contra os anseios da burguesia rentista e da sua sanha sobre os fundos públicos.
Não por acaso, a fim de viabilizar a repressão aos servidores públicos em luta contra a tendencial extinção dos serviços públicos, no último dia 27 de outubro, o STF – coerente com seu papel central no golpe parlamentar, jurídico e midiático em curso – decidiu pela constitucionalidade do corte de ponto dos servidores em greve. Esta decisão é apenas mais um elemento da realidade concreta que demonstra a convicção da classe dominante em operar uma derrota histórica à classe trabalhadora brasileira.
A Corrente Sindical Unidade Classista entende que a realidade concreta é qualitativamente diversa da realidade que deu origem às últimas greves do SINASEFE, que se desenvolveram em períodos de relativa estabilidade econômica e política e que tinham por objetivo pautas econômicas (reajuste, carreira, condições de trabalho). Tais condições não são as mesmas desde 2015, dada a agudização da crise econômica e da crise política. Com a efetivação do golpe jurídico-parlamentar a classe dominante superou seu momento de indefinição institucional, unificando-se em torno do governo golpista e da sua disposição de criar um ambiente institucional escancaradamente antissindical para viabilizar os ataques. Nesta nova realidade concreta não se faz viável a reedição de táticas do período anterior: uma greve aos moldes de uma greve econômica tradicional não condiz com a magnitude do que se pretende enfrentar.
No entendimento da Unidade Classista, a conjuntura é grave e exige sim uma greve, mas que deve ser construída em unidade com amplos setores da classe trabalhadora. O momento pede a continuidade e a intensificação do trabalho de base junto aos mais diversos sindicatos e segmentos populares (movimentos sociais e estudantil), articulados em torno de Fóruns Estaduais/Municipais capazes de construir uma ação planejada e coerente. Deve-se explicar a conjuntura, seus perigos e as suas possibilidades para assim ampliarmos as mobilizações para o conjunto dos servidores públicos, dialogando e expandindo a unidade com os trabalhadores do setor privado. Há abertura na classe trabalhadora para o debate contra-hegemônico proposto pelo movimento sindical classista, mas este deve atuar de forma organizada a partir das bases. O acúmulo de forças se faz necessário para se derrotar o governo golpista.
Por isso reafirmamos a necessidade de construção da Greve Geral para derrubar o governo Temer e suas medidas. Obviamente esta necessidade histórica tem esbarrado na herança de 13 anos de apassivamento da classe trabalhadora e nas vacilações das direções de várias centrais sindicais que não constroem na base como deveriam. Esta realidade concreta exige dos ativistas a paciência para não se “queimar a largada” que pode surtir efeitos contrários aos esperados. Uma greve isolada do SINASEFE em conjunto com a FASUBRA corre o risco de sofrer um duro ataque do governo, do Judiciário e da mídia burguesa, logo agora quando a Rede Federal está sendo estigmatizada a fim de viabilizar a sua extinção.
Cabe ainda dizer às seções sindicais com greve já deflagrada da imensa necessidade de se construir uma mobilização que, de forma dinâmica e cotidiana, dialogue didaticamente com o conjunto da classe trabalhadora com o objetivo claro de fortalecer a possibilidade de uma Greve Geral.
Especial atenção deve ser dada pelo SINASEFE ao setor da educação, buscando não só sintonizar as iniciativas com o ANDES e a FASUBRA, mas também com os sindicatos nacionais e estaduais das redes estadual e municipal de educação e com os movimentos estudantis e sociais. 

NÃO À PEC 241 (PEC 55)!!!
NÃO ÀS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA E TRABALHISTA!!!
PARALISAÇÕES E MOBILIZAÇÕES RUMO À GREVE GERAL!!!
TODO APOIO ÀS OCUPAÇÕES ESTUDANTIS SECUNDARISTAS E UNIVERSITÁRIAS!!!
FORA TEMER!!